O Prazer do Encontro Com os Beatles em São Chico - por Sueli Santos

O Prazer do Encontro Com os Beatles em São Chico - por Sueli Santos

Acredito que todos que estiveram no Beatles Weekend, mesmo que por algum momento, como eu, ainda sintam reverberar o que ali se passou. A alegria, a comunhão, o sentimento de pertencimento a uma história vivida nos anos sessenta, não era apenas fruto de saudosismo. Mas algo de revivência de um momento de total mudança na vida de muitas pessoas que estavam ali e haviam participado das mesmas experiência e emoções em diferentes lugares no Brasil e no mundo, através do som e dos versos dos “cabeludos” ingleses, e que afinal nem eram tão cabeludos assim.

A revolução que a música dos Beatles produziu na geração dos anos sessenta e nas posteriores, não parou no tempo, é universal e um clássico, porque é atemporal. Isso ficou claro com a mistura de pessoas de todas as idades cantando e se embalando ao som de suas recordações, de suas histórias e de novas resignifiações, pois os pequenos e os jovens já escutaram, em algum momento, de seus pais, tios ou avós algumas daquelas canções.

Por outro lado, quanto ao evento em São Chico, a novidade foi a alegria do sentimento de estar fazendo parte, nesse momento, de uma virada histórica da cultura da cidade. Principalmente, esse encontro tão valioso nos fez sentir que não havia acontecido só mais uma evento na cidade, mas que São Chico tinha uma novidade. Uma proposta cultural que aponta para um outro valor que não é do consumo frenético, mas que cultura é parte do prazer com o convívio, com a natureza, com a reverência aos valores que reúnem não um espetáculo de fantasias, mas de convívio e sensibilidade, coisas que não são consumidas, mas compartidas. Que o prazer pode estar no convívio, no encontro, na descoberta da simplicidade como algo que não tem fronteiras e poder reunir gente de muitos lugares e fazê-los sentir-se em casa.

Quanto a isso, ser capaz de acolher as pessoas de fora da cidade, tornar o simples algo especial, surpreender o olhar com o vai e vem da névoa, com a oscilação do frio e calor, com a luminosidade do final de tarde, com a cantoria da passarada e os sons do ‘mensageiro dos ventos’ que repicam nas sacadas e entradas das casas, tudo isso faz o mistério e o encanto de São Chico. Porque essa simplicidade nos avisa: aqui a vida está sempre em movimento, embora, contraditoriamente se ouça muito que: “aqui o tempo parou”.

Eu diria: aqui em São Chico, o tempo é natural, segue seu curso e nos obriga a reavaliar se é preciso correr como o Coelho de Alice, acreditando estar atrasado e esquecendo que a vida tem seu tempo próprio.

A homenagem aos Beatles, me parece, foi um retorno não a um sonho de amor, fraternidade, liberdade que acabou, se perdeu no passado. Esse encontro só poderia acontecer aqui, onde esses sentimentos estão ligados a vida, ao essencial da vida, que é universal e eterno como os Beatles. Que venha o próximo Beatles Weekend e que não percamos a essencial simplicidade do encontro, isso não tem preço.

Dra. Sueli Souza dos Santos: Psicóloga, Psicanalista, Mestre em Psicologia Social e Doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Telefones: (51)981417239 / (54)996757467

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