Afinal, é Natal!

Afinal, é Natal!

Mais uma vez é Natal. Comemoração da vida, do nascimento. Como se chegou a essa data emblemática e universal não está muito claro, mas temos muitas versões. Entre elas que o dia do Natal, 25 de dezembro, foi estipulado pela Igreja Católica no ano de 350 através do Papa Julio I, que propõe esse dia como comemorativo do nascimento de Jesus. Mas o que garante que a data do calendário atual tem correspondência a uma história que nos foi contada pela interpretação de escritos não muito precisos?  

Sabemos que, pela bíblia, não temos uma data exata do nascimento de Jesus, tampouco o Natal  fazia parte das tradições cristãs em princípio. Acredita-se que a celebração do Natal vem substituir a festa pagã da Saturnális,  que acontecia entre 17 e 25 de dezembro, como uma tentativa de facilitar a aceitação do cristianismo entre os pagãos. Outros estudos afirmam que Jesus teria nascido em Abril sendo esta data  modificada para 25 de dezembro pelo imperador Romano Constantino para agradar os cristãos. Também encontramos, descrita na bíblia, anterior a essa determinação imperial ou papal, nos evangelhos de Mateus e em Lucas, relatos sobre o Natal e o nascimento de Jesus.

No entanto, independente do significado religioso e cristão desta data enquanto uma comemoração universal, esta data não corresponde a uma verdade absoluta, haja vista que nem toda a humanidade compartilha da mesma fé cristã. No tempo em que vivemos, com tanta intolerância e que lutamos pelo respeito às diferenças, isso não pode passar sem reflexão. Afinal, é Natal.

Mas há algo universal na humanidade. É a necessidade de acreditar em algo, em uma fundação e em um Deus que justifique nossa existência como ela se apresenta. Nós, humanos, buscamos origens, sentidos, destinos, um conjunto de dogmas, ou crenças que nos garantam o sentido de existência e do estar nesse mundo. Mas não é possível seguir justificando o mundo em que vivemos, tendo como origem uma única fé e, supô-la verdadeira. Quanto à fé, cada povo tem a sua, e para cada um é a que dá sentido e verdade norteadora a sua existência. Portanto, não nos cabe duvidar da fé de cada um, o que expressaria nossa intolerância à diferença de credo. Afinal, é Natal.

Como universalmente, cada dia é um novo dia, marcado por nascimentos e mortes, o mistério da vida poderia ser pensado e vivido com o que se chama “espírito de Natal”, todos os dias. Assim, cada dia, poderíamos exercitar a tolerância, a solidariedade, a fraternidade, o cuidado com as pessoas, os vizinhos, os amigos, os parentes. Também se poderia reavaliar as situações difíceis e de desafetos sob vários ângulos, não super-dimencionando os desencontros e deslizes nas relações. Poderíamos então comemorar esse Natal diário não comprando presente, mas celebrando ter ganho mais sabedoria e sensibilidade para a vida, como ela é, a cada dia. Afinal, é Natal

Embora só possamos viver o presente, insistimos em buscar uma referência em experiências de nossa história, de nossos antepassados, em nossa herança genética, cultural e afetiva.  Atribuímos muitas vezes a esse passado a possibilidade ou impossibilidade de um futuro. Esquecemos que, construir uma nova história, sem colocar como impedimento a origem em que estamos implicados, só está comprometida por nossa indolência em cuidar do próprio presente. 

Embora só tenhamos um dia de cada vez para viver, insistimos em materialmente significar nosso amor, acumulando objetos, bens materiais móveis e imóveis, como se isso atestasse o quanto melhoramos em nossa humanidade. O paradoxal é que embora saibamos que a finitude é o que marca cada tempo vivido, seguimos fazendo planos para amanhã, e assim também acreditamos que amanhã podemos ser melhores ou a vida será melhor. 

Afinal, como é Natal, proponho que façamos um exercício de tolerância com nossa fragilidade, com nossas falhas, como nossa humanidade a cada dia. Quem sabe assim, a intolerância com nossa própria frágil humanidade, simplesmente se reverta em tolerância e nos fortaleçamos no renascimento de cada dia. 

Dra. Sueli Souza dos Santos: Psicóloga, Psicanalista, Mestre em Psicologia Social e Doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Membro do Centro de Estudos Psicanalíticos Poa /Serra

Telefones: (51)981417239 / (54)996757467

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