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Em Barcelona ou aqui, o terror nos fere e afeta - por Sueli Santos

Como não falar sobre os efeitos do terrorismo? Como pensar que isso não nos afeta? Como ficar indiferente à essas notícias e fatos que nos oferecem, a cada dia, os noticiários e as mídias de todo o mundo? Não estamos fora do mundo e não estamos imunes à seu contágio.

Não podemos ser ingênuos e pensar que as ações terroristas são apenas decorrente de fanatismo religioso, embora se saiba que as motivações religiosas, muitas vezes os produzem. Sabemos também que esse fanatismo pode estar presente em qualquer credo. Sabemos ainda que o fanatismo religioso está a serviço do controle social. Sobre controle social, entendamos o controle dos comportamentos, o cerceamento das liberdades, a repressão sexual, o poder econômico, a disseminação do medo e da insegurança.

Independente do que se possa atribuir como fator desencadeante, seja ele ideologia, fé, cultura, etnia, regime político, a história da humanidade foi construída pelo conjunto desses elementos. Mas em qualquer época, temos como ponto fundamental, o desejo de domínio de terras e povos para usurpar suas riquezas, escravizar a população, destituir sua cultura, desnaturalizar sua língua e costumes. Encontramos estas evidências em toda a história da humanidade no mundo civilizado, desde seus mais antigos registros, nos livros sagrados, na tradição da filosofia já presente nas bibliotecas desde Alexandria.

Mas por que, em pleno século XXI ainda, nós, os humanos, que evoluímos tanto, que dominamos tantos saberes sobre o cosmos, sobre a natureza, sobre as ciências, sobre as artes seguimos sem conseguir dominar o ser primitivo que nos habita? O que faz com que alternemos estados de puro desamor e destruição entre povos, impondo uns aos outros esse potencial mortífero de ódio?

Quando digo alternando, se deve a evidência de que o modo de operar a violência e o domínio entre os povos e potências, pode se apresentar de forma mais brutal por vezes e mais sofisticada em outros momentos. No entanto, o elemento sempre presente, que produz e fomenta os conflitos entre os povos é a violência, independente da falsa justificativa que o represente, ou seja, por discriminação de credo ou ideologia, ou poder econômico, ou cultural, etc.

O ataque da última semana em Barcelona, matando e ferindo pessoas, indiscriminadamente, não se pode dizer que não nos diz respeito, ou que é fruto apenas de mentes doentias. Nos afeta sim, quando achamos que a violência, geograficamente longe de nós, não está em nós, em espera. Acredito que quando nos horrorizamos com as mortes de inocentes, civis, pessoas desarmadas, nos ocorra pensar que os terroristas devam ser presos e punidos exemplarmente, talvez brutalizados também.

Nosso horror parece justificar ou legitimar a sede de justiça. Afinal, parece, somos do bem. Somos melhor ou mais puros que as pessoas com mentes doentias, que têm prazer em planejar a destruição de outras pessoas. Não nos damos conta que se alguém usa bombas ou explosivos, ou compram armamentos letais, ou se organizam para destruição com o auxílio de alta tecnologia, essas pessoas não vivem de forma precário, não são ignorantes, mas têm algum nível de informação, que têm inteligência, mesmo que não tenham escola e, principalmente, são financiados para tal finalidade.

 Afinal, o treinamento dos terroristas tem um forte braço armado pelo mercado que produz e vende armas químicas e de poder  de fogo sem limites.  Então estamos falando de jogo virtuoso, amparado no poder de vida e morte entre as grandes potências econômicas, em geral de países desenvolvidos com sua indústria armamentista e  de um poder oferecido pelo ‘deus’ mercado, que lucra com a venda desses dispositivos, verdadeiras máquinas de guerra. Essa engrenagem, lucra ainda mais com a fragilização produzida pelos efeitos de impotência que o terror produz, como trauma profundo e mesmo irreparável no psiquismo das pessoas.

Freud, nos ensinou que o homem é o único ser que é capaz de ter prazer em torturar, humilhar, escravizar e matar um outro, seu semelhante. Os animais não fazem isso, não matam por puro prazer de destruir mas por sobrevivência ou por se sentirem ameaçados. A luta de poder por território ou agrupamento de sua espécie também está ligada a manutenção de sobrevivência, de descendência, de cuidado com sua espécie.

Nos horroriza saber que há gente que vive para planejar a morte, a destruição, o extermínio, o terror em pessoas com as quais nem mesmo conhecem, indiscriminadamente. Não importa se crianças, jovens, velhos, homens e/ou mulheres, mas que sua única motivação é espalhar o medo, a insegurança, a intranqüilidade, a imobilidade frente ao poder de morte dos grupos radicais, e principalmente, ganhar dinheiro com isso.

Em suas diversas formas de ação, surpreender grandes aglomerações de pessoas em situação de deslocamento, de momentos de desfrutar de lazer, férias, encontros, esse é um elemento estratégico para que as pessoas passem a ter medo da liberdade, de viver seu direito de estar no mundo compartilhando o convívio, o conhecimento, o prazer.

Não importa se o terror ataca pessoas que não conhecemos em outros países, o terror tem suas ramificações entre nós, nos trópicos, sob forma de preconceito racial, sexual, machismo, de células criminosas que se albergam nas vilas, nas comunidades carentes, aliciando crianças e jovens para o tráfico, para o consumo de drogas, para a prostituição, paralisando a vida das pessoas. A exemplo de situações de guerra, impõem toque de recolher, a lei do silêncio, extorquem trabalhadores e pequenos comércios, ‘vendendo’ segurança e favores, controlando entrada e saída de becos e bem ao lado de nossas casas. Isso já fez escola mesmo nas pequenas cidades, em suas periferias.

Não é diferente um ataque em uma grande e culta cidade como Barcelona e os ataques a pequenas agências bancárias ou pequenos mercados das comunidades onde praticamente todas as pessoas se conhecem. A escola do crime é etinerante. Amedrontar comunidades com explosões de caixas eletrônicos no meio da noite, fazer cordão humano de proteção, assustar pessoas que até então viviam confiantemente em suas casas, deve nos fazer pensar que estamos muito vulneráveis, e que o terror não tem fronteira nem credo, nem limite, e que a vida está sendo banalizada.

Para além de pedirmos mais repressão policial para nos proteger, embora seja fundamental um efetivo sistema de segurança das pessoas, das cidades, talvez tenhamos que fortalecer a idéia que nossa força maior deva nos implicar na construção de nossa segurança. Como? Resgatando os laços entre nossos iguais, nossa comunidade, nossa vizinhança, apostar na educação como elemento realmente revolucionário para que a escola seja um eixo referencial para a formação de cidadãos, de dignidade, de solidariedade. Podemos reduzir o espaço da impunidade, do cinismo do poderosos vendedores de ilusão, tendo uma posição mais crítica, pró-ativa.   O terror que nos fere e afeta a todos, não pode ser mais forte que nossa possibilidades de defendermos nosso direito à liberdade e à vida.

Dra. Sueli Souza dos Santos
Psicóloga, Psicanalista, Mestre em Psicologia Social e Doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Telefones: (51)981417239 / (54)996757467

Caminantes - Por los caminos de Santiago de Compostela - por Patrícia Vieira Reis

Desde guria sempre amei viajar.

Botar o pé na estrada, desbravar novos lugares e conviver com as diferenças sempre me fascinaram. Santiago de Compostela foi uma dessas experiências.
Nunca tinha feito planos para realizar “El Camino”, mas a oportunidade surgiu e eu comecei a me preparar.
Procurei saber mais sobre Santiago e seus peregrinos. Trata-se basicamente de uma jornada espiritual a procura de auto conhecimento. São vários os motivos que levam as pessoas para lá. Não tenho dúvida.

Já eu, não tinha nenhuma intenção espiritual ou esotérica. O que me estimulava era a sensação de encontrar um mundo novo e desconhecido. Minha motivação era a aventura, simplesmente. Mochila pronta, pé na estrada! Comecei a peregrinação em Ponferrada (Espanha). Cada dia uma cidade diferente. Fazia uma média de 18 km diários e quando sentia o corpo esgotado, tudo o que eu queria e a simpatia dos moradores fazia daquele trajeto uma alegria para os olhos e aconchego para a alma.



Ia encontrando cada vez mais peregrinos. Eram muitos, vindos de todos os lugares. Eu percebia a mescla de idiomas no ar.
Me chamou atenção um senhor que caminhava só. Um peregrino solitário. Cabeça baixa com seus pensamentos. É... O trajeto é o mesmo, mas cada um traz consigo suas dores, alegrias e procura por suas respostas.
Lembrei de uma plaquinha que volta e meia aparecia na estrada: “ No existe el camino, el camino se hace al caminar.”
E segui, dia após dia, driblando o cansaço, pernas doídas e bolhas nos pés, mas tomada por uma energia incrível.
Foram vinte dias caminhando no sol, chuva, frio e calor, até q cheguei em Santiago de Compostela, envolvida por uma emoção indescritível. Eu consegui!!!

Todo esforço tem sua recompensa. Desistir é bobagem. Seguir em frente e superar as diculdades é superar a si mesmo. Esse é o barato da vida!! Fiquei por lá mais dois dias, com meus pensamentos. Introspectiva...

Gracias, Santiago de Compostela.

 



 

 

 

 

 

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Mais info www.usinadacultura.com

 • Publicado na Revista Usina da Cultura - número 32 - Janeiro de 2016

Museu de América - Madrid/ Espanha

O Museu de América, em Madrid, foi criado por decreto em 1941, mas as coleções que custodia têm uma história muito mais antiga. Sua finalidade era a de reunir coleções de arqueologia e etnologia americanas de modo que pudessem ser uma forma atraente e compreensível, admiradas e estudadas, não apenas por pesquisadores, mas pelo público em geral.

O acervo do Museu de América consiste em mais de 25.000 objetos entre peças pré-colombianas etnográficas e coloniais. As coleções mais antigas pertencem ao Real Gabinete de História Natural, fundado em meados do século XVIII. Em 1771 Carlos III criou um novo Gabinete no qual se incorporaram peças das primeiras escavações arqueológicas realizadas na América, bem como objetos etnográficos recolhidos em expedições científicas.

Em 1868, essas coleções passaram para o Museu Arqueológico Nacional. A partir desse momento as compras e doações ajudaram a aumentar essas coleções americanas. Em 1941, ele fundou o Museu da América e na segunda metade do século XX aumentaram significativamente as coleções de arte colonial e materiais pré-colombianas e etnográficos. Em 1965, inaugurou-se sua atual sede. O museu abriga exposições em conjunto de peças pré-colombianas, etnográficas e coloniais. Hoje, as suas coleções continuam a aumentar.

Extraído de: http://www.mecd.gob.es/museodeamerica/inicio

• Publicado na Revista Usina da Cultura - número 16 - Agosto de 2014

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