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Arderam a história e a memória do Brasil e da humanidade stars

O incêndio que devastou o Museu Nacional  de História  Natural  há uns dias é uma perda irreparável. Não há como recuperar os duzentos anos de trabalho, dedicação, estudos e descobertas científicas que esta casa guardava como registro da história do povo brasileiro e da humanidade. O incêndio foi um crime contra a humanidade.

O Museu Nacional, era guardião de mais de 20 milhões de itens. Depositário da memória brasileira nos campos de ciências naturais e antropologia, guardava  “Luzia”, o fóssil humano mais antigo encontrado no país. O Museu completaria 200 anos neste mês de setembro. Criado por D.João VI em 1818 tinha por interesse primordial a promoção do progresso cultural e econômico do país;  foi residência da família real de 1816 a 1821.

O prédio ainda testemunhou momentos importantes de nossa história pois foi lá que em 1822 D.Pedro I assinou  a declaração de independência do Brasil  e  ainda palco da primeira Assembleia Constituinte da Republica em 1891 que marcou o final do Império. O palácio tornado Museu expunha uma coleção de peças desde a época do descobrimento até a proclamação da República em 1889, guardando objetos, quadros, móveis  da nobreza de Portugal e do Brasil. Além de  fósseis, de grandes mamíferos e  o Maxakalisaurus topai, primeiro dinossauro de grande porte montado no Brasil, e vasta documentação e arquivos sobre achados e pesquisas científicas. Ao incendiar todo este acervo, queima-se não só parte de nossa história, mas da história da humanidade. 

Estamos assim. Queimamos nossa  história, vendemos nossas riquezas naturais, abrimos mão de nossa soberania e segurança nacionais em parcerias espúrias com o capital internacional. Descumprimos tratados internacionais, criamos casuísmos jurídicos ao sabor das conveniências da pirataria que assalta nossa combalida e frágil democracia.

Vivemos tempos difíceis do triunfo da ausência  de respeito às leis, posto que ela é para poucos. Tanto desmonte de conquistas sociais,  de conquistas trabalhistas, de conquistas no campo da educação, de acesso à saúde, de reconhecimento mundial de desenvolvimento econômico, tantos avanços tem sido tragados e vilipendiados pela ganância desmedida. Uma elite atrasada associada aos interesses espúrios  de capitais estrangeiros têm, sistematicamente, manipulado os destinos do país  nos levando ao retrocesso democrático. Enquanto isso, alguns poucos amealham grandes fortunas em paraísos fiscais, compram favores e vantagens, destroem nossas riquezas, nossa ciência, nossas artes, nosso futuro.

Como equacionar tanto desmando, tanta destruição, tanto rompimento  de valores democráticos que foram construídos com a superação dos anos de arbítrio que nos amordaçaram por vinte anos? Gostaria de trazer aqui nesse espaço, um trecho de um psicanalista que nos ajuda a pensar sobre esses momentos sem lei que vivemos atualmente.

Esse psicanalista italiano, Massimo Recalcati,  nos ensina sobre a astúcia do discurso capitalista que consiste em   entrelaçar a dimensão ilusória e de salvação prometida pelo objeto com sua vacuidade de fundo. Ao sabor dessas  tramas e ardis, compramos ilusões de um mundo em que tudo é vendido, descartável, transitório, em que o desejo é objeto volátil, inconsistente, em uma relação maníaca de poder, destruição do diferente, aniquilamento da fraternidade, da tolerância. Mundo paranoico em que qualquer discordância ou diferença deve ser resolvida com leis de exceção ou com as armas de aniquilação, o incentivo ao armamento de cada pessoa. 

Diz Recalcati (2011): O homem maníaco é o protótipo do homem sem inconsciente. Sua condição de urgência, a rapidez obscena define essa mescla trágica entre a volatilidade perpétua e a tendência eminentemente mortífera que caracteriza este tipo de laço social. O caráter vago do objeto- seu destino caduco, sua obsolescência constitutiva- alimenta a insatisfação permanente a que o discurso capitalista responda com a  oferta do objeto como lugar de salvação que, sem dúvida, mais que salvar, reproduz aquela mesma circularidade que prometia romper. Em efeito, a mania é uma figura clássica da psicopatologia a que temos que considerar sua grande atualidade. Não casualmente Lacan descrevia a mania como um “ rechaço do inconsciente”. (p.32-33).

Sendo assim podemos pensar, essa tragédia do incêndio do Museu Nacional, como fruto de um acidente  que já tem uma explicação: foi causado provavelmente por um balão ou curto circuito, pela falta de manutenção de algum funcionário irresponsável. Quem sabe não seria até uma ato de sabotagem de forças ocultas, ou dos descaso de D.João VI que criou esse museu no Brasil, só para comprometer a imagem do atual governo? 

Como desabafa  Rui da Cruz Jr.- servidor do museu-  “se  eles pudessem nos queimavam junto com as paredes do museu, com o prédio em si, com as salas de onde  D.Pedro II reinou, com os corredores por onde transitaram os feitores da primeira constituição da república, se eles pudessem , nos queimavam.” 

Segundo discurso oficial, será preciso avaliar os fatos, apurar responsabilidades e punir os culpados. Afinal, depois de longa investigação, sempre se pode pedir  empréstimos aos Bancos internacionais e a iniciativa privada para reconstruir  o prédio e ... recolocar virtualmente, graças a tecnologia informações sobre o que havia ali, nos espaços agora fantasmagóricos, informações sobre o que era esse espaço de história do Brasil e da humanidade, claro, todo interativo. Afinal, logo, logo esqueceremos que hoje é um dia de luto porque ainda ARDE A HISTÓRIA E A MEMÓRIA DO BRASIL E DA HUMANIDADE.

 

 

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