Plantas tóxicas: um perigo também dentro de casa? - por Telmo Focht

Plantas tóxicas: um perigo também dentro de casa? - por Telmo Focht

Já pensou que podemos ter dentro de casa, ou no jardim, plantas até venenosas? Eis algumas:

Comigo-ninguém-pode (Dieffenbachia ssp)

Herbácea de folhagem tropical grande e larga, com manchas brancas e caule grosso, cultivada em áreas sombreadas, em canteiros ou vasos. Responsável pelo maior número de casos de intoxicação registrados, anualmente, no Centro de Informação Toxicológica do Rio Grande do Sul. Partes tóxicas: folhas, caule e látex, que causam inflamação da língua, vômito, diarreia e asfixia.

Comigo ninguém pode, nome popular

Copo-de-leite (Zantedeschia aethiopica)

Produz flores brancas quase o ano todo se cultivada em solo fértil, sob sol pleno durante metade do dia. É uma herbácea que pode atingir até 90 cm de altura. A planta toda é tóxica. Pode causar inflamação da língua e vômitos.

Copo de leite, nome popular

 

Bico-de-papagaio (Euphorbia pulcherrima)

Arbusto de até 3 m de altura, produz flores brancas e vermelhas que contrastam com a folhagem verde-escura. Parte tóxica: toda a planta. A seiva leitosa irrita a pele e a ingestão pode causar náuseas, vômitos e diarreia.

 

Bico de papagaio, nome popular

Espirradeira (Nerium oleander)

Arbusto de até 2 m de altura, é usado na composição paisagística pela beleza das folhas verde-acinzentadas e de suas flores nas cores rosa, amarelo, vermelho e branco, que aparecem na primavera e no verão. Aceita podas para a formação de copas. Toda a planta é tóxica, mesmo dessecada. Pode causar distúrbios cardíacos, gastrointestinas, visuais e coma.

Espirradeira, nome popular

 

Onze-horas (Portulaca grandiflora)

Com folhas suculentas e flores coloridas na primavera, é usada como forração ou pendente em vasos. Atinge até 20 cm de altura. Partes tóxicas: folhas e flores, que, se ingeridas, causam inflamação da língua, queimação e vômitos. Pode matar por asfixia.

Onze horas, nome popular

Aroeira-brava (Lithraea brasiliensis)

Seu princípio ativo é composto por substâncias (uroshiois) que se desprendem da planta em qualquer época do ano. Não precisamos tocar na planta para sentir seus efeitos, pois eles são voláteis e se encontram dispersas no ar. Causam quadro alérgico (espirros, coriza, lacrimejamento) e de sensibilização.

Aroeira brava, nome popular

Cinamomo Melia azedarach

Árvore de casca fina cinzenta ou castanha, muito utilizada na arborização urbana. As flores são pequenas, aromáticas e de cor arroxeada. Os frutos produzem espuma quando misturados na água. Quando ingeridos causam aumento de salivação, náuseas, vômitos e diarreia.

Cinamomo, nome popular

Coroa-de-cristo (Euphorbia millii)

Planta semi-herbácea, com espinhos rígidos e folhas concentradas na parte superior dos ramos. A planta possui látex branco, cáustico e irritante, tendo efeito sobre as mucosas (oral e ocular). Em contato com os olhos ocasiona conjuntivite e lesões mais graves como perfuração da córnea e cegueira. Em contato com a pele causa queimaduras, com formação de vesículas e pústulas. Quando a planta é mastigada e ingerida provoca salivação excessiva, náuseas, vômitos e diarreia.

Coroa de Cristo, nome popular

Maria-mole, flor-das-almas (Senecio brasiliensis)

Planta nativa, comum em campos no sul e sudeste do Brasil. A planta inteira contém alcaloides hepatotóxicos e carcinogênicos.

Maria mole, nome popular

Mandioca-brava (Manihot esculenta)

Arbusto com glicosídeos cianogênicos presentes em todas as partes da planta, sendo mais concentrados nas folhas e entrecasca da raiz. A toxina é termolábil e volátil. A intoxicação é caracterizada por distúrbios gastrintestinais, neurológicos e respiratórios.

Mandioca brava, nome popular

Hera (Hedera helix)

Planta trepadeira, ornamental, com folhas de cor verde escura, com manchas brancas ou não. A ingestão das folhas e frutos causa náuseas, vômitos, salivação excessiva, dor abdominal, diarreia, problemas respiratórios e neurológicos. O contato com a seiva causa dermatite alérgica com formação de edema local, dor e eritema com lesões vesiculosas.

Hera, nome popular

Tinhorão (Caladium bicolor)

Todas as partes da planta são tóxicas. Os sintomas após ingestão ou contato são sensação de queimação, edema (inchaço) de lábios, boca e língua, náuseas, vômitos, diarreia, salivação abundante, dificuldade de engolir e asfixia. O contato com os olhos pode provocar irritação e lesão da córnea

Tinhorão, nome popular

Avelós (Euphorbia tirucalli)

Todas as partes da planta são tóxicas. A seiva leitosa causa lesão na pele e mucosas, edema (inchaço) de lábios, boca e língua, dor em queimação e coceira. O contato com os olhos provoca irritação, lacrimejamento, edema das pálpebras e dificuldade de visão. A ingestão pode causar náuseas, vômitos e diarreia.

Outros nomes populares: graveto-do-cão, figueira-do-diabo.

Avelós, nome popular

Saia branca (Datura suaveolens)

Todas as partes da planta são tóxicas. Pode provocar boca seca, pele seca, taquicardia, dilatação das pupilas, rubor da face, estado de agitação, alucinação, hipertermia. Nos casos mais graves pode levar à morte.

Outros nomes populares: trombeta, trombeta-de-anjo, trombeteira, cartucheira, zabumba.

Saia branca, nome popular

Como se prevenir?

Algumas dicas para evitar problemas com plantas:

– Mantenha as plantas venenosas fora do alcance das crianças;

– Conheça as plantas existentes em sua casa e arredores pelo nome e características;

– Ensine as crianças a não colocar plantas na boca e não utilizá-las como brinquedos;

– Não prepare remédios ou chás caseiros com plantas sem orientação médica;

– Não coma folhas, frutos e raízes desconhecidas;

– Tome cuidado ao podar as plantas que liberam látex provocando irritação na pele e principalmente nos olhos;

– Quando estiver lidando com plantas venenosas utilize luvas e lave bem as mãos após a atividade;

– Em caso de acidente, procure imediatamente orientação médica e guarde a planta para identificação.

 

Fonte: http://super.abril.com.br/blogs/ideias-verdes/conheca-8-plantas-comuns-no-brasil-que-sao-toxicas/

Telmo Focht, biólogo, com doutorado em espécies exóticas invasoras. Também atua na área de licenciamentos ambientais.

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