Ditados Populares com nomes de Animais – você já deve ter ouvido muitas vezes - por Telmo Focht

Ditados Populares com nomes de Animais – você já deve ter ouvido muitas vezes - por Telmo Focht

Quem já não ouviu pelo menos uma das dezenas, ou centenas, de ditados populares envolvendo o nome de pelo menos um animal?
Pois foi a partir desta curiosidade que busquei e apresento aqui algumas delas, com sua origem e significado, sempre que possível.
Infelizmente, o uso, ou a própria expressão adotou um sentido pejorativo para a pessoa a quem ela é atribuída (e também ao animal, por extensão...).
Claro que existem muitos outros, que tem o significado ou origem curiosos. Boa leitura!

Mamãe coruja

A mamãe-coruja tem uma característica única: seu filho é detentor da mais extraordinária beleza, tem as mais raras qualidades e um caráter sem igual. Por extensão, aplica-se a papai-coruja, vovó, vovô, tios e demais parentes. Ai de quem ousar falar algo que contrarie os dotes da referida criatura! Além de ser cego, é imbuído de pura inveja. Para entender a origem da expressão e do fenômeno, necessário se faz relembrar uma fábula de La Fontaine.

A coruja e a águia

Coruja e águia, após longo tempo de muita briga, resolveram fazer um pacto e celebrar as pazes.

- Chega de guerra, disse a coruja. Este mundo é tão grande, não há motivo para andarmos a comer os filhotes uma da outra. É muita tolice de nossa parte.
- Muito bem, respondeu prontamente a águia. Estou de pleno acordo.
- De hoje em diante, não mais devorarás os meus filhotes, propôs a coruja.
- Perfeitamente. Mas como haverei de distinguir que são os teus filhotes?
- Nada mais fácil para reconhecê-los! É só observar sua beleza! São os filhotes mais elegantes e encantadores sobre a face da terra!

E assim ficou acordado entre as partes. Dias depois, a águia andava faminta e partiu em voo, à busca de caça. Com seus olhos privilegiados, logo encontrou um ninho, numa toca, com três monstrengos lá dentro, que piavam com o bico muito aberto.

- Que bichos horríveis! Com certeza, não são os filhos da coruja, pensou a águia.

Faminta e livre de qualquer dúvida, fez uma saborosa refeição, devorando os três bichinhos. Mas, infelizmente, eram os filhos queridos da coruja. Ao retornar para a toca, a triste mãe chorou amargamente e, de imediato, foi tirar satisfação da águia.

- Aqueles monstrenguinhos eram teus filhos? Juro que em nada pareciam com a descrição que deles me fizeste, disse a águia, contrariada com o acontecido.

Moral: quem ama o feio, bonito lhe parece.

Lavar a égua

A expressão tem origem no turfe, o esporte dos reis e da nobreza. Quando a égua ganhava uma corrida, dando lucro ao dono, este a retribuía com um banho de champanhe. Era um gesto de gratidão e de cavalheirismo do proprietário para com a fêmea. Se o vencedor fosse um macho, seu destino era voltar à cocheira com o suor do esforço da corrida, porém sem o banho de champanhe, privilégio das fêmeas. É claro que o sentido não se aplica mais ao hábito de banhar o animal. Lavar a égua significa, atualmente, ter uma grande satisfação, conquistar uma grande vitória. Obter um grande lucro advindo, normalmente, do jogo.

Olha o passarinho

Quando foi inventada a máquina fotográfica, no fim do século XIX, o espaço de tempo para fixar a imagem era mais demorado do que hoje. Na época, as pessoas tiravam retratos e o fotógrafo era retratista, Para reter por mais tempo a atenção das pessoas, especialmente as crianças, os fotógrafos costumavam colocar uma gaiola com um passarinho em local acima da máquina.

Atualmente, os modernos equipamentos produzem fotos instantâneas, fazendo, inclusive, ajustes na imagem. O que restou dos velhos tempos foi só a frase: olha o passarinho. Agora tem a função de avisar o momento exato do clic e oportunizar um rosto sorridente e uma feição mais simpática. O único problema é, depois, fazer os outros acreditarem que o indivíduo ao vivo e a figura da foto são a mesma pessoa.

Engolir sapos

Tolerar coisas ou situações desagradáveis sem responder, por incapacidade ou conveniência; suportar atos desagradáveis sem revidar.

As rãs são comestíveis, um prato saboroso e elitizado em função do elevado preço. A ranicultura é uma atividade rentável e com mercado certo. Os sapos, por sua vez, são essenciais ao ecossistema. Vivem de insetos, especialmente de mosquitos. Possuem glândulas venenosas pelo corpo e pernas mais curtas que as rãs. Podem se afastar da água e viver em regiões mais secas. Não são comestíveis. Já perereca é nome popular, no Brasil, de anfíbios menores, com pernas finas e longas, em cujas pontas dos dedos possui ventosas. Também não são comestíveis. Portanto, não confunda sapo com rã ou perereca. Todos são úteis ao ecossistema. Engolir sapos, porém, somente por absoluta ou imperiosa conveniência. São  muito indigestos, não para o estômago, mas para a auto-estima.

Ter olhos de águia

Dispor de uma vista penetrante, ser muito inteligente e ter alta visão das coisas. Equivale a “ter olhos de lince”. Águia também designa indivíduo de notável saber, que sobrepuja os demais pela excelência de seus dotes culturais, de seu talento ou perspicácia. Foi por esta razão que Rui Barbosa passou para a História como a “Águia de Haia”, na Conferência Mundial para a Paz, na cidade de Haia, na Suíça, em 1907. As águias posicionam-se bem no alto, sobre as montanhas; de lá, visualizam suas presas e partem em voo certeiro.

Boi-corneta

Indivíduo intruso, intrometido, trapalhão, briguento.

Trata-se de alusão ao boi de um só chifre. Daí surgiu o dizer: não há boiada sem boi-corneta. Segundo os vaqueiros, o boi corneta é de mau gênio, brigador, desobediente; se não for bem cuidado, pode dar origem ao estouro da boiada. Com esse temperamento hostil, parece querer compensar o seu defeito físico – a ausência de um corno. Na gíria do futebol, o corneteiro é o torcedor que xinga, incansavelmente, o técnico e os jogadores do seu time nos infortúnios. É diferente do tocador de flauta, que faz uma brincadeira saudável com o torcedor do time adversário, especialmente após vitória em clássico, brincadeira aceita com espírito esportivo por quem considera o futebol apenas um passatempo, um lazer, e não uma batalha. Nas guerras antigas, o corneteiro era o soldado encarregado de tocar a corneta na hora das batalhas.

Fontes:
O Bode Expiatório - Ari Riboldi. AGE Editora, Porto Alegre, 3a edição, 2008, 72p.
O Bode Expiatório 2 - Ari Riboldi. AGE Editora, Porto Alegre, 2009, 72p.

Telmo Focht, biólogo, com doutorado em espécies exóticas invasoras. Também atua na área de licenciamentos ambientais.

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