PANC (Plantas Alimentícias Não Convencionais) • estas plantas são punk! - por Telmo Focht

PANC (Plantas Alimentícias Não Convencionais) • estas plantas são punk! - por Telmo Focht

Você já ouviu falar nas PANC? Apesar de ter a mesma pronúncia, nada tem a vem com os punks, movimento social jovem mais difundido na década de 1990, que ditava moda e o comportamento de muitos adolescentes em muitos países do ocidente.

Apesar de existir uma imensa quantidade de plantas comestíveis ao redor do planeta, nossa alimentação está baseada em pouquíssimas espécies e suas variedades, cuja produção e comercialização de suas sementes estão principalmente sob o controle de pouquíssimas empresas multinacionais.

No mundo, estima-se que 30.000 espécies vegetais possuem partes comestíveis. Mesmo assim, 90% do alimento mundial atualmente vem de apenas 20 espécies, as mesmas descobertas por nossos antepassados do Neolítico, em diversas regiões onde a agricultura teve início (em torno de 9500 anos atrás) e que foram incorporadas por quase todas as culturas existentes. Além de tão poucas, hoje a maioria destas espécies cultivadas é restrita a poucas cultivares (variedades) e muito da agrobiodiversidade destas cerca de 20 espécies foram extintas, perdidas ou vem sofrendo grande erosão genética.

Soja (principalmente), arroz, milho, trigo, batata e cana-de-acúcar são as mais cultivadas ao redor do mundo. Os feijões tiveram sua origem nas Américas Central e do Sul, mas cultivados em várias partes do mundo. A mandioca está mais “restrita” ao mercado brasileiro.

Mas há poucos anos, muitas outras plantas têm sido “descobertas” como tendo grande potencial nutritivo, podendo até atuar como alternativa ao monopólio destas multinacionais. Estas plantas têm sido divulgadas como as Plantas Alimentícias Não Convencionais, uma vez que podem substituir parte da nossa dieta habitual, e com vantagens nutricionais.

Você conhece a taioba (Xanthosoma sagittifolium)? E o picão branco (Galinsoga parviflora)? Ora-pro-nobis (Pereskia aculeata) ou serralha (Sonchus oleraceus) talvez? Todos esses vegetais parecem “mato”, pertencem à flora brasileira e são saborosos alimentos: as PANC estão na moda há algum tempo e vêm sendo exploradas por chefs famosos como a jurada do MasterChef, Paola Carosella. Essas são apenas alguns nomes que estão se tornando nomes em nossa mesa.

Por ser um país grande e tropical, o Brasil tem uma biodiversidade imensa a ser pesquisada, estima-se em torno de 10.000 espécies nativas com potencial uso alimentício. Ou seja, ainda há muito a se estudar, coletar, cultivar e experimentar.

PANC é um termo que agrupa uma série de espécies vegetais com parte alimentícia ou um produto alimentício não convencional. Segundo Valdely Ferreira Kinupp, biólogo, doutor em Fitotecnia, pesquisador e autor do livro "Plantas alimentícias não convencionais (PANC) no Brasil”. Um dos maiores especialistas sobre o assunto no país, qualquer elemento botânico que tenha potencial alimentício, seja pouco conhecido e não faça parte da matriz agrícola é uma PANC. Nessa leva estão incluídas flores, látex, resinas, óleos, caules, folhas, sementes, rizomas e raízes.

Os arbustos, árvores, verduras, legumes, ervas, frutas que fazem parte desta classificação podem ser nativas de uma região, bem como exóticas a ela. Podem crescer espontaneamente e serem silvestres ou cultivadas e, por fim, se firmar como 'ervas daninhas'. Em comum está o fato de não pertencerem à indústria agrícola que manipula sementes e aplica defensivos agrícolas e nutrientes químicos como o nitrogênio. “As PANC são rústicas, produzem suas próprias sementes e são muito mais resistentes que os cultivares comuns”, explica Valdely.

Entre as variedades, há as adaptadas à seca, as aquáticas, as de mangue e as que toleram areia e solo salino. "Incorporar essas variedades à matriz agrícola brasileira, no mínimo, geraria multidiversidade", completa. Ainda segundo o pesquisador, apenas 0,04% da diversidade botânica do planeta é utilizada e somente 150 espécies fazem parte da economia de larga escala. Todavia, as PANC catalogadas já somam mais de 130 mil tipos que podem gerar emprego, renda e sabores inesperados, além de enfeitarem o jardim.

E para provocar sua curiosidade, separei alguns links, que estão abaixo. Quatro deles são de vídeos de autoria do Valdely. Provavelmente você vai reconhecer alguma planta no seu quintal, pátio da escola, em um terreno baldio perto de casa, ou qualquer outro local próximo...

Valem a pena!

Fontes:
http://coletivocatarse.blogspot.com.br/2010/04/projeto-pancs-soberania-alimentar-e.html

Valdely Ferreira Kinupp. Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil : guia de identificação, aspectos nutricionais e receitas ilustradas

Valdely Ferreira Kinupp e Harri Lorenzi. São Paulo: Instituto Plantarum de Estudos da Flora, 2014.

http://estilo.uol.com.br/casa-e-decoracao/listas/se-empolgou-com-o-masterchef-conheca-melhor-as-panc-e-veja-como-cultivar.htm

Para comprar o livro:
http://www.plantarum.com.br/prod,idloja,25249,idproduto,4689459,livros-em-portugues-plantas-alimenticias-nao-convencionais–panc–no-brasil

Telmo Focht, biólogo, com doutorado em espécies exóticas invasoras. Também atua na área de licenciamentos ambientais.

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