Liquidâmbar– uma árvore embelezando nossas calçadas e nossa cidade - por Telmo Focht

Liquidâmbar– uma árvore embelezando nossas calçadas e nossa cidade - por Telmo Focht

Seu outro nome popular é árvore-do-âmbar. Seu nome científico é Liquidambar styraciflua e sua distribuição original varia dos Estados Unidos à Nicarágua, em suas regiões montanhosas. Está adaptada aos climas mediterrâneo, subtropical, temperado e tropical. Pode atingir até 30 m de altura, e necessita de sol pleno.

É uma árvore muito ornamental, principalmente durante o outono, quando suas folhas iniciam sua fase senescente (morrem) e trocam de cor.

O nome liquidâmbar é proveniente da coloração de sua seiva, que é de cor âmbar (marrom-claro), que é resinosa, e exsuda (transpira) em abundância quando o tronco ou os ramos são feridos.

Uma característica distintiva desta árvore é o aspecto peculiar de seus ramos e galhos. A casca acumula-se sobre estes em placas nas pontas ao invés de lateralmente, o que lhes confere estranhas formas. Suas folhas tem sua borda serrilhada e 5 a 7 pontas.

Durante a primavera e verão as folhas tem a cor verde-escura, mas no outono elas atingem diferentes tonalidades de verde claro, amarelo, laranja e vermelho, muitas vezes de forma simultânea.

A mudança de cor é causada pelo fato de a árvore deixar de produzir clorofila como resposta aos dias mais frios e escuros do outono. A clorofila tem um forte pigmento verde que, apesar de as folhas conterem muitas outras substâncias com pigmentação, é dominante, ao ponto de toda a folha adotar uma coloração verde. No entanto, enquanto a clorofila diminui, estes outros pigmentos como o caroteno (amarelo), e a betacianina (vermelha) permanecem, fazendo a folha mudar de cor.

Na primavera surgem as inflorescências, esféricas, amarelas e de pouca importância ornamental. Elas são seguidas pelos frutos, também globosos, recobertos por espinhos e lenhosos quando maduros.

O liquidâmbar é uma árvore interessante para o paisagismo em grandes áreas, como parques, praças e avenidas nas regiões sul e sudeste do Brasil, com clima subtropical a temperado, pois ela confere um visual com “ares alpinos”, e por isso é cada vez mais utilizada em regiões serranas, com vocação turística, juntamente com carvalhos, álamos, ácers e plátanos. É indicado o plantio em linhas, formando alamedas ou em grupos, para um efeito impactante. Mesmo plantado isolado, o liquidâmbar torna-se o foco de atenção durante o outono, com sua grande variedade de cores. 

As árvores despidas no inverno já acrescentam um efeito mais dramático, e permitem a passagem da luz solar. Os numerosos frutos produzidos podem ser bastante inconvenientes quando caem, pois além da sujeira, os espinhos machucam a quem andar descalço sobre o gramado. Em regiões tropicais pode se tornar perenifólia (com folhas verdes o ano todo), fornecendo sombra farta, mas sem as variações de cores e queda das folhas características das estações frias.

Seu crescimento inicial é lento, mas logo que atinge cerca de três anos torna-se rápido. É muito longeva, vivendo por mais de 400 anos. Sua madeira é de boa qualidade, com densidade e textura média, cor escura e fácil de ser trabalhada.

Ela é largamente explorada em plantios comerciais. Serve para a fabricação de móveis, caixotes, dormentes, extração de celulose e laminação de chapas compensadas. A sua seiva concentrada é uma goma balsâmica e perfumada, utilizada na produção de perfumes, medicamentos e produtos de higiene.

Deve ser cultivado sob sol pleno, preferencialmente em solos areno-argilosos, neutros, úmidos porém drenáveis, para um pleno desenvolvimento de suas raízes. No entanto, o liquidâmbar vegeta também em outros tipos de solo. A necessidade hídrica da planta é alta e é importante irrigar nos primeiros anos após o plantio. Depois de bem estabelecida é capaz de tolerar curtos períodos de estiagem. Resiste ao frio intenso, neves e geadas. Multiplica-se por alporques (a alporquia é uma técnica de multiplicação vegetativa de plantas, utilizada principalmente naquelas em que a estaquia não funciona facilmente) e por sementes. Ao efetuar o transplante das mudas para o local definitivo, abrir covas amplas e fertilizá-las bem com esterco curtido e farinha de ossos.

Entretanto, esta espécie possui características invasivas, tanto por sua intensa produção de sementes aladas (é todo e qualquer tipo de expansão laminar - as alas - que se eleva da superfície de frutos e sementes). A dispersão desses frutos ou sementes se dá pelo vento – dispersão por anemocoria - com ampla dispersão, como pelo crescimento vegetativo a partir de suas raízes adventícias (são aquelas que se originam nas partes aéreas das plantas, a partir de caules e de folhas), tendendo a formar pequenos bosques com o mesmo genótipo. Seu uso deve ser criterioso.

É uma árvore que pode ser confundida com o plátano, mas este pode atingir grandes diâmetros em seu tronco e, por isso, não deve ser empregada para paisagismo em locais com espaço limitado. Outra característica é que, em São Francisco de Paula, suas folhas não adquirem o tom avermelhado do liquidâmbar no outono, apesar de também as perderem, e suas folhas apresentam formato diferente do liquidâmbar.

Por fim, uma curiosidade. Nossa avenida Júlio de Castilhos está entre as 10 mais bonitas do Brasil. Que tal?

Fontes:
http://www.jardineiro.net/plantas/liquidambar-liquidambar-styraciflua.html
https://www.google.com.br/?gws_rd=ssl#q=o+que+%C3%A9+alporquia
http://querosaber.com.pt/ambiente/porque-e-que-as-folhas-das-arvores-ficam-vermelhas
http://diariodabotanica.blogspot.com.br/2013/10/frutos-e-sementes-alados.html
http://blog.mundi.com.br/2013/10/22/as-ruas-mais-bonitas-do-brasil/

Telmo Focht, biólogo, com doutorado em espécies exóticas invasoras. Também atua na área de licenciamentos ambientais.

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