Vida fora do planeta? Conheça a Exobiologia - por Telmo Focht

Vida fora do planeta? Conheça a Exobiologia - por Telmo Focht

A Exobiologia é a ciência que se propõe a estudar a possibilidade da existência de vida em espaços fora do ambiente terreno, considerando a origem dessas formas de vida até as condições ambientais para sua existência. O termo também é conhecido como Astrobiologia.

O termo Exobiologia foi criado pelo cientista estadunidense Joshua Lederberg, em meados do século XX, durante sua participação em experiências da NASA voltadas à procura de vida no planeta Marte.

Abrindo parênteses, sobre procura de vida no planeta Marte, o condecorado pesquisador inglês James Lovelock (muito conhecido pela divulgação da hipótese Gaia) também participou do programa de exploração planetária da NASA (sigla que em português significa Administração Nacional do Espaço e Aeronáutica). No início da década de 1970, ele foi convidado pela agência para dar sua opinião sobre a chance de existir vida no planeta Marte. De acordo com o pesquisador, a chance seria zero, pois considerando a composição química da atmosfera do planeta, ele está em equilíbrio químico, o que não permite a vida. Esta afirmação frustrou um pouco a expectativa da NASA, mas nem por isso o programa foi abandonado. Segundo Lovelock, a atmosfera terrestre está em constante desequilíbrio (químico) exatamente por causa da existência de vida no planeta que, de acordo com ele, não existe nos demais planetas do sistema solar. Em uma atmosfera em equilíbrio químico o oxigênio está, em sua maior parte, combinado com os elementos e compostos formadores das rochas e o teor de gás carbônico (CO2) atmosférico é bem maior que o encontrado na nossa. Aqui, as plantas absorvem o CO2 da atmosfera via fotossíntese e liberam oxigênio (O2), consumido pelos animais, que liberam CO2, que será novamente absorvido pelas plantas.

Entretanto, isto não significa que sua afirmação seja um decreto, já que de lá para cá, o conhecimento na área avançou muito, o que é bastante animador.

Retornando ao nosso assunto inicial, com o avanço dos recursos disponíveis e utilizados pela Astronomia, como telescópios que empregam sensores de várias frequências eletromagnéticas, está cada vez mais fácil detectar a presença dos elementos básicos que compõem a vida biológica como conhecemos em maior quantidade (carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio – C, H, O e N, respectivamente). Mas isto não descarta a possibilidade de que outras formas do que chamamos de vida venham a ser descobertos, e com base em outros elementos. Desde a criação dos computadores o silício (Si) é um forte candidato a esta possibilidade, pois tem características químicas muito semelhantes ao carbono. Este é o caso de apenas um elemento. Outro grande achado da exobiologia foi a detecção de moléculas orgânicas extraterrestres, que provavelmente teriam chegado à Terra através da queda de meteoritos, fazendo jus à teoria da Panspermia (uma das teorias de origem e evolução da vida, que afirma que a vida é fruto de sementes dispersas no Universo).



Falar de Exobiologia sem mencionar a NASA é impossível. A NASA, criada em 1958, é uma repartição do Governo dos Estados Unidos que realiza trabalhos de exploração espacial. Essa agência é responsável, por exemplo, pela passagem do homem à Lua e por programas de estudos do espaço. Trata-se da principal entidade de pesquisas espaciais de todo o mundo.

A Exobiologia foi muito criticada inicialmente (o que não é nenhuma novidade, pois o ser humano tem muita resistência a aceitar novos conhecimentos, ou mudanças – veja a postagem Ecologia Profunda – mudando paradigmas, exatamente por ter como objeto de estudo a vida extraterrestre, que, no frigir dos ovos, nem poderia ser tido como tal. Mas a maré mudou e, atualmente ela é aceita e envolve a participação de muitos cientistas, de várias áreas do conhecimento, como a química, física, astronomia, entre outras, além da biologia, claro.

Com o passar dos anos, a Exobiologia começou a ganhar a aceitação de parte desses cientistas e hoje estuda e busca a resposta de questões pertinentes relacionadas à vida extraterrestre, como a possibilidade de colonização de ambientes externos à Terra, se existe ou não civilizações nesses espaços, se essas formas de vida dependem do Sol como na Terra, etc.

Um avanço na pesquisa foi conduzido pelo grupo de cientistas que iniciou o programa SETI, - ou Busca por Inteligência ExtraTerrestre, em português - por radiotelescópio. Apesar de funcionar há décadas, ele pode estar com os dias contados pois, assim como ele capta ondas de rádio de vários lugares do universo, nossas transmissões de rádio e tv também podem estar sendo monitoradas por outras civilizações. Porém, com o avanço das tecnologias de comunicação, os satélites em órbita miram suas transmissões na direção da superfície terrestre, além dos sinais transmitidos diretamente por cabo. Assim, os alienígenas curiosos que tentarem procurar por vida inteligente aqui na Terra em breve não vão encontrar absolutamente nada e eles desistirão de nós se persistirem em usar a técnica de captar transmissões de rádio.

Uma outra área de pesquisa que reforçou a possibilidade de existência de vida fora de nosso planeta foi o estudo dos extremófilos, que são seres vivos adaptados a condições extremamente adversas, com extremos calor, frio, vácuo, pressão, acidez, alcalinidade, salinidade, radiação, ou outras condições ambientais (ver as postagens “Organismos Extremófilos” e “Tardígrados – superorganismos”).

Quem mais aborda o assunto de forma não científica é a ficção, seja por estórias em quadrinhos, filmes, internet, e qualquer outra forma de publicação. Como não há qualquer compromisso com o conhecimento, é um terreno livre para a imaginação e criatividade. Observem que nas últimas décadas, filmes com esta abordagem são cada vez mais comuns. Serão um aviso do que podemos encontrar em breve? Ou mesmo recebermos a visita de aliens?

De fato, ainda não existe nenhuma prova concreta de que existe vida em outros planetas(pelo menos não ao alcance de nós, cidadãos comuns), embora os indícios sejam bastante consideráveis. Com isso, os estudos exobiológicos continuam a todo vapor e a pergunta que não quer calar é: estamos realmente sozinhos no universo?

Fontes:
http://www.infoescola.com/biologia/panspermia/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Exobiologia
http://www.cubbrasil.net/index.php?option=com_content&task=view&id=75&Itemid=92
http://biologiageologia.editboard.com/t13-exobiologia-vida-extraterrestre
http://www.exobiologia.ufrgs.br/arquivos/BIO10012_EXOBIOLOGIA_2010I.pdf
http://eternosaprendizes.com/2009/10/24/quer-saber-onde-estao-os-alienigenas-procure-pelos-rastros-de-poluicao-deixados-pelos-ets/

Telmo Focht, biólogo, com doutorado em espécies exóticas invasoras. Também atua na área de licenciamentos ambientais.

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