Hipótese Gaia – nosso planeta como um organismo - por Telmo Focht

Hipótese Gaia – nosso planeta como um organismo - por Telmo Focht

Na mitologia grega, Gaia era a deusa da Terra, uma metáfora para “terra viva”. Gaia, Geia ou , para os antigos gregos, é a Mãe-Terra, como elemento primordial e latente de uma imensa potencialidade geradora. Os antigos gregos consideravam que Gaia possuía o segredo dos destinos; eles a consideravam a mãe de todos os seres vivos.

Em 1979, o cientista britânico James Efraim Lovelock fez furor com o lançamento do livro “A Terra é um Ser Vivo – A “Hipótese Gaia”, proposição científica na qual ele definia a Terra como um organismo vivo. Este livro começou a ser escrito em 1975, quando o módulo espacial Viking estava para aterrissar em Marte. Posteriormente, ele publicou artigos juntamente com a bióloga e evolucionista americana Lynn Margulis (1938-). Lovelock é um químico britânico independente, com doutorado em Medicina e Biofísica.

A primeira vez que Lovelock expôs essa teoria foi em 1972, em uma nota na revista Atmospheric Environment, com o título “Gaia vista através da atmosfera”. Utilizou como embasamento a composição química da atmosfera e seu estado de desequilíbrio químico – ver a postagem “Vida fora do Planeta? Conheça a Exobiologia”, aqui na Revista da Cultura).

Na verdade, o nome da teoria foi sugerido pelo escritor britânico William Golding (1911-1993), amigo de Lovelock.

O ponto chave da hipótese Gaia é que esta prevê que o clima e a composição química da Terra são mantidos em equilíbrio. Nosso planeta age como um sistema que se autorregula, ao eliminar seus detritos e combater suas próprias doenças. É estabilizado por mecanismos físicos, químicos, geológicos e biológicos que interagem para manter o que podemos chamar de homeostase, ou equilíbrio dinâmico. Assim, organismos bióticos controlam os organismos abióticos, de forma que a Terra se mantém em equilíbrio e em condições propícias de sustentar a vida, ou seja, os seres vivos são capazes de modificar o ambiente em que vivem, tornando-o mais adequado para sua sobrevivência. Dessa forma, a Terra seria um planeta cuja vida controlaria a manutenção da própria vida através de mecanismos de feedback (retroalimentação, ou, também, o efeito agindo sobre a causa) e de interações diversas.

Como toda ideia nova e revolucionária, ela foi (e continua sendo) desacreditada em alguns meio científicos (veja a postagem “Ecologia Profunda, mudando paradigmas”, aqui no site da Revista da Usina). 

Avançando nesta argumentação, muito utilizada pelos defensores dessa hipótese, é o fato de que a composição da atmosfera hoje parece depender principalmente dos seres vivos. Sem a presença dos seres fotossintetizantes, o teor de gás carbônico (CO2) na atmosfera seria altíssimo, enquanto que nitrogênio (N2) e oxigênio (O2) teriam concentrações muito baixas. Com a presença dos seres fotossintetizantes, a taxa de CO2 diminuiu, aumentando consideravelmente os níveis de N2 e O2 disponível na atmosfera. Essa redução do CO2 favorece o resfriamento do planeta, já que esse gás é o principal responsável pelo efeito estufa, influenciando muito na temperatura do planeta. Segundo esse argumento, a própria vida interferiu na composição da atmosfera, tornando-a mais adequada à sobrevivência dos organismos.

A maioria dos cientistas, quando pensa ou fala sobre a parte viva da Terra, chama-a de biosfera. Para os autores que defendem a Teoria de Gaia, esta é um invólucro esférico fino de matéria que cerca o interior incandescente da Terra.

Gaia é um sistema fisiológico porque parece dotada do objetivo inconsciente de regular o clima e a química em um estado confortável para a vida. Inclui a biosfera e é um sistema fisiológico dinâmico que vem mantendo nosso planeta apto para a vida há mais de 3 bilhões de anos.

De acordo com o que aprendemos na escola (pelo menos eu aprendi assim), que a partir de uma “sopa ou caldo” primordial, onde algumas moléculas com carbono e hidrogênio, submetidas a intensas descargas elétricas, muito comuns em nossa atmosfera de bilhões de anos atrás, teria dado origem a moléculas cada vez mais complexas, até o momento da formação de compostos orgânicos. Este foi o clássico experimento em laboratório dos cientistas Oparin e Miller. Ainda hoje, a opinião de muitos é que apenas depois do surgimento destas condições favoráveis à vida é que ela teria se manifestado. Para Lovelock, entretanto, tanto a vida quanto o seu ambiente físico se retroalimentam, mantendo o equilíbrio entre a vida e seu ambiente físico.

De acordo com ele, em um planeta no qual há vida, haveria uma assinatura na sua atmosfera, que estaria em permanente desequilíbrio químico, onde seres animados colhem nutrientes e lançam dejetos. Este desequilíbrio é mantido exatamente pela presença da vida.

Em sua teoria, Lovelock, defende a ideia de que a Terra é uma espécie de simbiose (uma associação biológica favorável a todas as partes que a compõem) gigante entre todos os seres vivos e o meio mineral, um superorganismo que se conserva no estado mais favorável possível à vida por meio de mecanismos de retroação (o mesmo que retroalimentação).

Mas, assim sendo, o planeta vivo é apenas uma metáfora? "Claro, ele não é vivo como nós ou uma bactéria, e, nesse sentido, é mesmo uma metáfora", admite Lovelock. "Mas acho que a definição de vida dada pelos biólogos é demasiado restritiva. Afinal, falta a Gaia apenas a reprodução!". Para os que acreditam em múltiplas dimensões, a Terra está passando por uma fase de transição, na qual, o planeta está evoluindo (ou gerando) uma nova Terra.

Para encerrar, faço uma observação: é verdade que com nosso avanço tecnológico podemos registrar e transmitir praticamente de forma instantânea fenômenos naturais em qualquer parte do planeta para o mundo todo, mas será que eles estão acontecendo no mesmo ritmo e intensidade que anos atrás? Na minha opinião, não. Eles estão mais frequentes e intensos, como já foi previsto por muitos cientistas quando começaram a chamar nossa atenção sobre as mudanças climáticas.

E você, caro(a) leitor(a), o que acha?

Fontes:
James Lovelock - As Eras de Gaia - Publicações Europa-América, Mira-Sintra - Mem-Martins (Portugal), 1988, 214p
https://pt.wikipedia.org/wiki/Gaia_(mitologia)
http://www.brasilescola.com/biologia/hipotese-gaia.htm
https://www.youtube.com/watch?v=GzhidMRxBuQ

 

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