Transgênicos – são bons ou ruins? - por Telmo Focht

Transgênicos – são bons ou ruins? - por Telmo Focht

Transgênicos são organismos que possuem em seu genoma (o conjunto de seu material genético) um ou mais genes provenientes de outra espécie, inseridos por métodos de engenharia genética, que demandam laboratórios e equipamentos caríssimos. Eles têm sua estrutura geneticamente modificada para obter novas características. São também chamados de OGM, ou Organismos Geneticamente Modificados.

Logo no surgimento desta nova tecnologia, nos anos 1980, ela levantou muitos questionamentos. Isto aconteceu pois as promessas eram realmente revolucionárias e as expectativas igualmente grandes.

Como é uma tecnologia nova, que demanda dispendiosas instalações laboratoriais, seus procedimentos e produtos obtidos a partir deles são patenteados, o que impede que outras empresas utilizem seus métodos para obterem o mesmo resultado, a não ser que paguem royalties (que é o direito de patente, para utilizar a criação de outra pessoa ou empresa) por isto.

Mas esta tecnologia é realmente boa para o ser humano, e também para o meio ambiente?

Na minha opinião, ela só é (muito) boa para as empresas que desenvolveram esta tecnologia, e investem verdadeiras fortunas para obter mais lucros e o domínio cada vez maior em um mercado cada vez mais abrangente em termos de alcance e seleto em termos de tecnologia envolvida.

Os organismos geneticamente modificados são produtos resultantes de uma manipulação que nunca ocorreriam na natureza como, por exemplo, arroz com bactéria, ou organismos que produzissem substâncias com propriedades farmacêuticas.

Através de uma divisão de pesquisa mais ou menos nova, produtores de agroquímicos elaboraram sementes resistentes a seus próprios agrotóxicos, ou até mesmo sementes que geram plantas inseticidas. As instituições ganham com isso, mas as pessoas pagam um preço muito elevado: perigo à saúde pública e ao meio ambiente.

As safras biotecnológicas são alimentos modificados geneticamente para resistir a pragas ou doenças, tolerar secas ou suportar a pulverização de defensivos agrícolas (agrotóxicos). Entre os alimentos transgênicos estão: a soja, o milho, o algodão e a canola.

O padrão agrícola apoiado no uso de sementes transgênicas é a direção de um caminho intolerável. O crescimento catastrófico na utilização de agroquímicos consequente da plantação de transgênicos é exemplo de atividade que coloca em perigo o futuro dos solos e da biodiversidade agrícola.

Enquanto diversos países estão diminuindo o consumo de agrotóxicos nas plantações e a produção de alimentos transgênicos, o Brasil está na contramão da tendência mundial de aumentar a qualidade de vida e a saúde da sua população.

Segundo dados divulgados pelo Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (ISAA), O Brasil cultivou 44,2 milhões de hectares (mi/ha) com cultura transgênica, em 2015, um aumento de 5% em relação ao ano anterior. Além do Brasil, o único país que também apresentou crescimento na produção transgênica foi a Argentina, com 24,5 milhões de hectares.

No ranking mundial, ainda estão Índia (11,6 mi/ha), Canadá (11 mi/ha) e China (3,7 mi/ha). Os Estados Unidos ainda é o maior produtor de transgênicos no mundo (70,9 milhões de hectares), que pela primeira vez, reduziu a sua área de plantio em 2,2 milhões de hectares.

O ISAA estima que foram plantados 179,7 milhões de hectares por 28 países em todo o mundo, e oito dos dez maiores países produtores de culturas transgênicas reduziram a sua área de plantio ou a mantiveram inalterada.

A cultura transgênica foi adotada rapidamente em todo mundo e está em uso no Brasil há 17 anos e, em 2015, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou 14 novas plantas transgênicas – um número recorde de produtos aplicáveis à agricultura – para auxiliar os agricultores a obter um rendimento.

A diretora-executiva do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), Adriana Brondani, explica que “a competitividade do agronegócio brasileiro é resultado de uma forte sinergia entre as necessidades do campo, adoção da biotecnologia agrícola e critério científico em avaliações de biossegurança”. E a saúde dos consumidores?

A partir do exposto acima, deixo abaixo duas perguntas para o leitor refletir a respeito.

Se os transgênicos são tão bons assim, por que muitos países da Europa estão preferindo e até aceitando pagar até mais por alimentos não transgênicos?

Por que as rações para nossos animais têm o aviso de que eles contêm transgênicos (aquele triângulo amarelo com a letra “T” maiúscula em seu interior), ou mesmo são feitas a partir de matéria-prima orgânica? Não merecemos, ou mesmo não temos o direito de saber o que estamos ingerindo, como consumidores finais?

Fontes:

https://www.resumoescolar.com.br/biologia/transgenicos/https://www.organicsnewsbrasil.com.br/bem-estar/saude/alimentacao/transgenicos/producao-de-transgenicos-cresce-no-brasil/

Veja também mais informações na internet

https://vestibular.uol.com.br/resumo-das-disciplinas/atualidades/transgenicos-organismos-modificados-tem-defensores-e-opositores.htm
https://www.youtube.com/watch?v=-WxpjH7XiGE – filme “O mundo segundo a Monsanto”

Telmo Focht, biólogo, com doutorado em espécies exóticas invasoras. Também atua na área de licenciamentos ambientais.

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