O olhar da Psicologia e as relações sociais - por Melissa de Sousa Barbosa

O olhar da Psicologia e as relações sociais - por Melissa de Sousa Barbosa

Na atualidade são muitas as demandas direcionadas aos sujeitos, dentre as quais: trabalhar, estudar, ter um bom convívio com familiares e amigos, estar conectado, cuidar da saúde, estar em boa forma física, manter-se atualizado, enfim, as exigências da sociedade fazem com que estejamos constantemente em busca.

Sendo assim, a Psicologia pode contribuir muito para as relações que construímos, nos diferentes segmentos de nossas vidas. Uma vez que estar em terapia, ou ainda, buscar uma consultoria para a empresa ou a escola em que trabalhamos pode alavancar mudanças importantes para situações inconscientes que dificultam com que possamos atingir nossos objetivos. Em outras palavras, certos conflitos emocionais sem o devido tratamento podem desencadear processos de adoecimento.

No entanto, cabe destacar que a Psicologia ainda é uma ciência recente que precisa de mais espaços para circular e ampliar consciências e perspectivas. Propostas estas muito especiais, em virtude da velocidade da informação e da complexidade das relações que pautam nossa sociedade.

Cada vez mais os modelos que circulam na mídia e no imaginário social estão atravessados por modelos que preconizam a produção, o sucesso e a adaptação aos modelos de eficiência veiculados. Aspectos estes que geram muito sofrimento nos sujeitos que se percebem diferentes destes padrões.

A grande contribuição do olhar do psicólogo está na possibilidade de nos auxiliar a refletir sobre a nossa singularidade, bem como, a respeito dos vínculos que estabelecemos e das influências inconscientes que atuam nestas relações. A capacidade de tolerar frustrações, por exemplo, é algo que precisa ser trabalhado, tanto em relação as nossas questões, como no que diz respeito às questões dos outros, uma vez que com a velocidade dos acontecimentos da modernidade desejamos soluções mágicas e instantâneas. Contudo, cabe salientar que muito mais significativas são as respostas que elaboramos através das reflexões e das percepções que o tempo e o investimento possibilitam.

Nesse sentido, aproximo os conhecimentos adquiridos pela Psicologia das questões trazidas pela Educação, pois nascemos precariamente inscritos, ou seja, necessitamos de um outro que nos inscreva como sujeito psíquico como propõe Alfredo Jerusalinsky (2007). Nesta perspectiva, como profissional que estuda as questões da infância e da adolescência, bem como as questões do humano, percebo o quanto é rica esta proximidade da Psicologia e da Educação, uma vez que a aprendizagem é algo necessário ao desenvolvimento e estruturação da personalidade. Como nos traz Claudio João Paulo Saltini (2002), as nossas inscrições ocorrem através das experiências afetivas, pulsões e desejos (mundo interno) em ligação com a cultura, com a natureza, com as regras preestabelecidas e a ética social (mundo externo). Em virtude do exposto, as primeiras relações que estabelecemos revelam a importância de como aprendemos a transitar nos espaços.

Enfim, as articulações entre inteligência e afetividade vão dando borda ao sujeito, levando em conta o seu contexto, por isso é fundamental o olhar do psicólogo às relações que vão sendo construídas e por essa razão a educação merece um enfoque de destaque, pois as possibilidades de abertura às aprendizagens farão toda a diferença nos processos de constituição de cada sujeito.


Os sujeitos, em seus processos de desenvolvimento, estão perpassados pela cultura, pela aprendizagem e pelo desejo. Por essa razão, a psicologia pode agregar saúde aos que buscam conhecer suas próprias questões. Existem diferentes perspectivas de atuação do profissional desta área, tais como a clínica individual ou grupal, assessorias as empresas, entre outras áreas de trabalho. Buscar ajuda de um profissional é algo que pode ser muito significativo, pois abre espaço para pensar e planejar, aspectos estes um tanto embotadas na contemporaneidade.


Melissa de Sousa Barbosa, Psicóloga Especialista em problemas do desenvolvimento na infância e adolescência - Abordagem Interdisciplinar


• Publicado na Revista Usina da Cultura - número 24 - Maio de 2015 - http://usinadacultura.com/index.php/usina-da-cultura/ler-online-revista-usina-da-cultura/2015/edicao-maio-2015.html

O que achou, foi útil para você? Então conta pra nós!

Artigos que podem te interessar

view_module reorder

Visual com Arte - por Marco A. de Araújo Liesenfeld

Autor: Marco A. de Araújo Liesenfeld Técnica: Lápis de cor e Ecoline (aquarela líquida)  {loadmodule mod_custom,Banner adsense middle article}

Rincão Poético: Jeito Orestes Leite de ser - por José Luis do Nascimento

  No ano de 1964, lá no Bairro do Rincão nascia uma instituição que se dedicaria ao ensino, acolhendo meninas e...

Da arte à natureza, em busca das esponjas de água doce - por Prof. Dr. Rodrigo Cambará Printes

A artista plástica norte americana Hope Ginsburg, está expondo a obra “Sobre resistir à separação dos continentes: Esponjas de água doce do Rio...

A meu ver x Ao meu ver - por Aline Aguiar

A expressão “Ao meu ver” não existe. A forma correta é: A meu ver. A meu ver ele conseguirá a aprovação...

YANGOS na cerimônia do Grammy Latino

Banda gaúcha viaja para a 18ª Entrega Anual do Latin GRAMMY® que acontece no dia 16 de novembro em Las Vegas/EUA. YANGOS...

Luta Greco-Romana - por Amanda Pessôa

Uma das modalidades mais antigas dos Jogos Olímpicos, a Luta Greco-Romana estreou em 1896, em Atenas.  Em um embate de...

Os oito maiores benefícios do Tai Chi Chuan - por Celina Valderez

Em toda a China, milhares de homens, mulheres e crianças de todas as idades se juntam nos parques das cidades...

Fotografia - Dica de Enquadramento e Composição - A Regra dos Terços - por Silvio Kronbauer

Quer saber como obter um melhor enquadramento em suas fotografias? Saiba como funciona a Regra dos Terços! Algumas pessoas que curtem fotografar...

Rincão Poético: Eu não tenho preconceito - por Luana Oliveira Barcelos

Foto: Cordéis alunos 3º ano C, EEEF Antônio Fco da Costa Lisboa Eu não tenho preconceito Quem tem eu não sei...

Ela nos adotou - por Franco Vasconcellos

Eu achei que fazia grande coisa quando achei um novo lar para Dorotéia. Ela é uma cadela de porte médio...

Patrocinadores da cultura