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Transgênicos – são bons ou ruins? - por Telmo Focht stars

Transgênicos são organismos que possuem em seu genoma (o conjunto de seu material genético) um ou mais genes provenientes de outra espécie, inseridos por métodos de engenharia genética, que demandam laboratórios e equipamentos caríssimos. Eles têm sua estrutura geneticamente modificada para obter novas características. São também chamados de OGM, ou Organismos Geneticamente Modificados.

Logo no surgimento desta nova tecnologia, nos anos 1980, ela levantou muitos questionamentos. Isto aconteceu pois as promessas eram realmente revolucionárias e as expectativas igualmente grandes.

Como é uma tecnologia nova, que demanda dispendiosas instalações laboratoriais, seus procedimentos e produtos obtidos a partir deles são patenteados, o que impede que outras empresas utilizem seus métodos para obterem o mesmo resultado, a não ser que paguem royalties (que é o direito de patente, para utilizar a criação de outra pessoa ou empresa) por isto.

Mas esta tecnologia é realmente boa para o ser humano, e também para o meio ambiente?

Na minha opinião, ela só é (muito) boa para as empresas que desenvolveram esta tecnologia, e investem verdadeiras fortunas para obter mais lucros e o domínio cada vez maior em um mercado cada vez mais abrangente em termos de alcance e seleto em termos de tecnologia envolvida.

Os organismos geneticamente modificados são produtos resultantes de uma manipulação que nunca ocorreriam na natureza como, por exemplo, arroz com bactéria, ou organismos que produzissem substâncias com propriedades farmacêuticas.

Através de uma divisão de pesquisa mais ou menos nova, produtores de agroquímicos elaboraram sementes resistentes a seus próprios agrotóxicos, ou até mesmo sementes que geram plantas inseticidas. As instituições ganham com isso, mas as pessoas pagam um preço muito elevado: perigo à saúde pública e ao meio ambiente.

As safras biotecnológicas são alimentos modificados geneticamente para resistir a pragas ou doenças, tolerar secas ou suportar a pulverização de defensivos agrícolas (agrotóxicos). Entre os alimentos transgênicos estão: a soja, o milho, o algodão e a canola.

O padrão agrícola apoiado no uso de sementes transgênicas é a direção de um caminho intolerável. O crescimento catastrófico na utilização de agroquímicos consequente da plantação de transgênicos é exemplo de atividade que coloca em perigo o futuro dos solos e da biodiversidade agrícola.

Enquanto diversos países estão diminuindo o consumo de agrotóxicos nas plantações e a produção de alimentos transgênicos, o Brasil está na contramão da tendência mundial de aumentar a qualidade de vida e a saúde da sua população.

Segundo dados divulgados pelo Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (ISAA), O Brasil cultivou 44,2 milhões de hectares (mi/ha) com cultura transgênica, em 2015, um aumento de 5% em relação ao ano anterior. Além do Brasil, o único país que também apresentou crescimento na produção transgênica foi a Argentina, com 24,5 milhões de hectares.

No ranking mundial, ainda estão Índia (11,6 mi/ha), Canadá (11 mi/ha) e China (3,7 mi/ha). Os Estados Unidos ainda é o maior produtor de transgênicos no mundo (70,9 milhões de hectares), que pela primeira vez, reduziu a sua área de plantio em 2,2 milhões de hectares.

O ISAA estima que foram plantados 179,7 milhões de hectares por 28 países em todo o mundo, e oito dos dez maiores países produtores de culturas transgênicas reduziram a sua área de plantio ou a mantiveram inalterada.

A cultura transgênica foi adotada rapidamente em todo mundo e está em uso no Brasil há 17 anos e, em 2015, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou 14 novas plantas transgênicas – um número recorde de produtos aplicáveis à agricultura – para auxiliar os agricultores a obter um rendimento.

A diretora-executiva do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), Adriana Brondani, explica que “a competitividade do agronegócio brasileiro é resultado de uma forte sinergia entre as necessidades do campo, adoção da biotecnologia agrícola e critério científico em avaliações de biossegurança”. E a saúde dos consumidores?

A partir do exposto acima, deixo abaixo duas perguntas para o leitor refletir a respeito.

Se os transgênicos são tão bons assim, por que muitos países da Europa estão preferindo e até aceitando pagar até mais por alimentos não transgênicos?

Por que as rações para nossos animais têm o aviso de que eles contêm transgênicos (aquele triângulo amarelo com a letra “T” maiúscula em seu interior), ou mesmo são feitas a partir de matéria-prima orgânica? Não merecemos, ou mesmo não temos o direito de saber o que estamos ingerindo, como consumidores finais?

Fontes:

https://www.resumoescolar.com.br/biologia/transgenicos/https://www.organicsnewsbrasil.com.br/bem-estar/saude/alimentacao/transgenicos/producao-de-transgenicos-cresce-no-brasil/

Veja também mais informações na internet

https://vestibular.uol.com.br/resumo-das-disciplinas/atualidades/transgenicos-organismos-modificados-tem-defensores-e-opositores.htm
https://www.youtube.com/watch?v=-WxpjH7XiGE – filme “O mundo segundo a Monsanto”

Telmo Focht, biólogo, com doutorado em espécies exóticas invasoras. Também atua na área de licenciamentos ambientais.

Exoplanetas – possíveis lares para a humanidade do futuro? - por Telmo Focht

Mas, afinal, o que é um exoplaneta?

Basicamente, é um planeta orbitando uma estrela fora do Sistema Solar. E este corpo não deve possuir mais que umas poucas dezenas de vezes a massa de Júpiter, o maior planeta do nosso sistema solar, em função de sua gravidade, que seria muito grande para nós. Em maio de 2007, foi encontrado o primeiro exoplaneta em zona habitável, com cerca de 8 massas terrestres.

Já são conhecidas muitas variáveis de nosso planeta que podem ser usadas como referência, tais como intemperismo e composição atmosférica, assim como fatores astrofísicos, como luminosidade da estrela e distância entre o planeta e a estrela. Os especialistas em geofísica podem calcular variáveis importantes, como a temperatura média global do planeta. Os resultados serão absolutamente favoráveis à vida caso as temperaturas permitam a existência de água em estado líquido e permaneçam estáveis em um intervalo de tempo considerável, como alguns bilhões de anos.

Até o momento, já são conhecidos em torno de 3.500 exoplanetas, confirmados entre vários milhares de candidatos que requerem uma análise adicional. E este número só aumenta...

O exoplaneta Proxima b, pode engrossar as fileiras de uma dúzia de outros planetas localizados em "zonas habitáveis", onde "todas as formas de vida são possíveis", estima Jean Schneider, astrofísico do CNRS (Centro Nacional da Pesquisa Científica ou Centre National de Recherche Scientifique, no original francês) em Paris. É mais interessante do que os outros, porque se encontra em torno da estrela mais próxima de nós (Proxima Centauri, que é uma estrela anã vermelha fraca, a apenas 4,24 anos-luz de distância, mas não visível), o que nos dá esperança de chegarmos lá um dia.

Há três técnicas para detectá-los. A mais evidente, é fotografar o exoplaneta. É o método mais promissor, sobre o qual há mais pessoas trabalhando. O segundo método, é aquele utilizado para encontrar o Proxima b. Se o movimento de uma estrela é perturbado significa que há um planeta que o perturba sob o efeito das leis da gravidade. Esta era a técnica mais rentável até 2010. E depois há o telescópio americano Kepler. Ele utiliza um outro método: o do trânsito. Se a órbita do planeta estiver corretamente inclinada no céu em relação a nós, periodicamente o planeta passa em frente a sua estrela. Neste momento, produz um pequeno eclipse, que também chamamos de trânsito. Com este método, Kepler detectou milhares de planetas. Telescópios cada vez mais sensíveis neste recurso poderão descobrir muitos outros exoplanetas ainda.

A temperatura é um critério suficiente para que seja habitável, mas isso não significa que ela seja habitado, que haja realmente organismos biológicos.

Mas a partir daí, todas as formas de vida são possíveis. A gama é extremamente ampla. Nosso planeta já é um exemplo disso, pois já são conhecidos organismos que vivem em condições adversas para a quase totalidade dos outros.

As propriedades da atmosfera podem também desempenhar um papel. Para Proxima b, vamos verificar se a densidade de sua atmosfera é suficiente para proteger o planeta dos fortes raios-X da sua estrela. Ou então devemos pensar em uma forma de vida que se adapte aos raio-X!

Precisamos ser extremamente abertos sobre o que chamamos de vida.

Já na Terra, há uma grande biodiversidade. A vida se adapta a quase todas as circunstâncias. Encontramos organismos biológicos na Antártica, bactérias sobrevivem em usinas nucleares, enquanto em outros planetas, pode haver muitas coisas mais.

Assim, aguardemos pelas próximas descobertas. Ou capítulos, se preferirem.

Fontes:
https://www.infoescola.com/astronomia/exoplanetas/
https://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/afp/2016/08/24/exoplanetas-o-que-sao-e-como-procura-los.htm
http://www.ccvalg.pt/astronomia/noticias/2013/09/13_modelo_raio-massa.htm

Telmo Focht, biólogo, com doutorado em espécies exóticas invasoras. Também atua na área de licenciamentos ambientais.

Hipótese Gaia – nosso planeta como um organismo - por Telmo Focht

Na mitologia grega, Gaia era a deusa da Terra, uma metáfora para “terra viva”. Gaia, Geia ou , para os antigos gregos, é a Mãe-Terra, como elemento primordial e latente de uma imensa potencialidade geradora. Os antigos gregos consideravam que Gaia possuía o segredo dos destinos; eles a consideravam a mãe de todos os seres vivos.

Em 1979, o cientista britânico James Efraim Lovelock fez furor com o lançamento do livro “A Terra é um Ser Vivo – A “Hipótese Gaia”, proposição científica na qual ele definia a Terra como um organismo vivo. Este livro começou a ser escrito em 1975, quando o módulo espacial Viking estava para aterrissar em Marte. Posteriormente, ele publicou artigos juntamente com a bióloga e evolucionista americana Lynn Margulis (1938-). Lovelock é um químico britânico independente, com doutorado em Medicina e Biofísica.

A primeira vez que Lovelock expôs essa teoria foi em 1972, em uma nota na revista Atmospheric Environment, com o título “Gaia vista através da atmosfera”. Utilizou como embasamento a composição química da atmosfera e seu estado de desequilíbrio químico – ver a postagem “Vida fora do Planeta? Conheça a Exobiologia”, aqui na Revista da Cultura).

Na verdade, o nome da teoria foi sugerido pelo escritor britânico William Golding (1911-1993), amigo de Lovelock.

O ponto chave da hipótese Gaia é que esta prevê que o clima e a composição química da Terra são mantidos em equilíbrio. Nosso planeta age como um sistema que se autorregula, ao eliminar seus detritos e combater suas próprias doenças. É estabilizado por mecanismos físicos, químicos, geológicos e biológicos que interagem para manter o que podemos chamar de homeostase, ou equilíbrio dinâmico. Assim, organismos bióticos controlam os organismos abióticos, de forma que a Terra se mantém em equilíbrio e em condições propícias de sustentar a vida, ou seja, os seres vivos são capazes de modificar o ambiente em que vivem, tornando-o mais adequado para sua sobrevivência. Dessa forma, a Terra seria um planeta cuja vida controlaria a manutenção da própria vida através de mecanismos de feedback (retroalimentação, ou, também, o efeito agindo sobre a causa) e de interações diversas.

Como toda ideia nova e revolucionária, ela foi (e continua sendo) desacreditada em alguns meio científicos (veja a postagem “Ecologia Profunda, mudando paradigmas”, aqui no site da Revista da Usina). 

Avançando nesta argumentação, muito utilizada pelos defensores dessa hipótese, é o fato de que a composição da atmosfera hoje parece depender principalmente dos seres vivos. Sem a presença dos seres fotossintetizantes, o teor de gás carbônico (CO2) na atmosfera seria altíssimo, enquanto que nitrogênio (N2) e oxigênio (O2) teriam concentrações muito baixas. Com a presença dos seres fotossintetizantes, a taxa de CO2 diminuiu, aumentando consideravelmente os níveis de N2 e O2 disponível na atmosfera. Essa redução do CO2 favorece o resfriamento do planeta, já que esse gás é o principal responsável pelo efeito estufa, influenciando muito na temperatura do planeta. Segundo esse argumento, a própria vida interferiu na composição da atmosfera, tornando-a mais adequada à sobrevivência dos organismos.

A maioria dos cientistas, quando pensa ou fala sobre a parte viva da Terra, chama-a de biosfera. Para os autores que defendem a Teoria de Gaia, esta é um invólucro esférico fino de matéria que cerca o interior incandescente da Terra.

Gaia é um sistema fisiológico porque parece dotada do objetivo inconsciente de regular o clima e a química em um estado confortável para a vida. Inclui a biosfera e é um sistema fisiológico dinâmico que vem mantendo nosso planeta apto para a vida há mais de 3 bilhões de anos.

De acordo com o que aprendemos na escola (pelo menos eu aprendi assim), que a partir de uma “sopa ou caldo” primordial, onde algumas moléculas com carbono e hidrogênio, submetidas a intensas descargas elétricas, muito comuns em nossa atmosfera de bilhões de anos atrás, teria dado origem a moléculas cada vez mais complexas, até o momento da formação de compostos orgânicos. Este foi o clássico experimento em laboratório dos cientistas Oparin e Miller. Ainda hoje, a opinião de muitos é que apenas depois do surgimento destas condições favoráveis à vida é que ela teria se manifestado. Para Lovelock, entretanto, tanto a vida quanto o seu ambiente físico se retroalimentam, mantendo o equilíbrio entre a vida e seu ambiente físico.

De acordo com ele, em um planeta no qual há vida, haveria uma assinatura na sua atmosfera, que estaria em permanente desequilíbrio químico, onde seres animados colhem nutrientes e lançam dejetos. Este desequilíbrio é mantido exatamente pela presença da vida.

Em sua teoria, Lovelock, defende a ideia de que a Terra é uma espécie de simbiose (uma associação biológica favorável a todas as partes que a compõem) gigante entre todos os seres vivos e o meio mineral, um superorganismo que se conserva no estado mais favorável possível à vida por meio de mecanismos de retroação (o mesmo que retroalimentação).

Mas, assim sendo, o planeta vivo é apenas uma metáfora? "Claro, ele não é vivo como nós ou uma bactéria, e, nesse sentido, é mesmo uma metáfora", admite Lovelock. "Mas acho que a definição de vida dada pelos biólogos é demasiado restritiva. Afinal, falta a Gaia apenas a reprodução!". Para os que acreditam em múltiplas dimensões, a Terra está passando por uma fase de transição, na qual, o planeta está evoluindo (ou gerando) uma nova Terra.

Para encerrar, faço uma observação: é verdade que com nosso avanço tecnológico podemos registrar e transmitir praticamente de forma instantânea fenômenos naturais em qualquer parte do planeta para o mundo todo, mas será que eles estão acontecendo no mesmo ritmo e intensidade que anos atrás? Na minha opinião, não. Eles estão mais frequentes e intensos, como já foi previsto por muitos cientistas quando começaram a chamar nossa atenção sobre as mudanças climáticas.

E você, caro(a) leitor(a), o que acha?

Fontes:
James Lovelock - As Eras de Gaia - Publicações Europa-América, Mira-Sintra - Mem-Martins (Portugal), 1988, 214p
https://pt.wikipedia.org/wiki/Gaia_(mitologia)
http://www.brasilescola.com/biologia/hipotese-gaia.htm
https://www.youtube.com/watch?v=GzhidMRxBuQ

 

Vida fora do planeta? Conheça a Exobiologia - por Telmo Focht

A Exobiologia é a ciência que se propõe a estudar a possibilidade da existência de vida em espaços fora do ambiente terreno, considerando a origem dessas formas de vida até as condições ambientais para sua existência. O termo também é conhecido como Astrobiologia.

O termo Exobiologia foi criado pelo cientista estadunidense Joshua Lederberg, em meados do século XX, durante sua participação em experiências da NASA voltadas à procura de vida no planeta Marte.

Abrindo parênteses, sobre procura de vida no planeta Marte, o condecorado pesquisador inglês James Lovelock (muito conhecido pela divulgação da hipótese Gaia) também participou do programa de exploração planetária da NASA (sigla que em português significa Administração Nacional do Espaço e Aeronáutica). No início da década de 1970, ele foi convidado pela agência para dar sua opinião sobre a chance de existir vida no planeta Marte. De acordo com o pesquisador, a chance seria zero, pois considerando a composição química da atmosfera do planeta, ele está em equilíbrio químico, o que não permite a vida. Esta afirmação frustrou um pouco a expectativa da NASA, mas nem por isso o programa foi abandonado. Segundo Lovelock, a atmosfera terrestre está em constante desequilíbrio (químico) exatamente por causa da existência de vida no planeta que, de acordo com ele, não existe nos demais planetas do sistema solar. Em uma atmosfera em equilíbrio químico o oxigênio está, em sua maior parte, combinado com os elementos e compostos formadores das rochas e o teor de gás carbônico (CO2) atmosférico é bem maior que o encontrado na nossa. Aqui, as plantas absorvem o CO2 da atmosfera via fotossíntese e liberam oxigênio (O2), consumido pelos animais, que liberam CO2, que será novamente absorvido pelas plantas.

Entretanto, isto não significa que sua afirmação seja um decreto, já que de lá para cá, o conhecimento na área avançou muito, o que é bastante animador.

Retornando ao nosso assunto inicial, com o avanço dos recursos disponíveis e utilizados pela Astronomia, como telescópios que empregam sensores de várias frequências eletromagnéticas, está cada vez mais fácil detectar a presença dos elementos básicos que compõem a vida biológica como conhecemos em maior quantidade (carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio – C, H, O e N, respectivamente). Mas isto não descarta a possibilidade de que outras formas do que chamamos de vida venham a ser descobertos, e com base em outros elementos. Desde a criação dos computadores o silício (Si) é um forte candidato a esta possibilidade, pois tem características químicas muito semelhantes ao carbono. Este é o caso de apenas um elemento. Outro grande achado da exobiologia foi a detecção de moléculas orgânicas extraterrestres, que provavelmente teriam chegado à Terra através da queda de meteoritos, fazendo jus à teoria da Panspermia (uma das teorias de origem e evolução da vida, que afirma que a vida é fruto de sementes dispersas no Universo).

Falar de Exobiologia sem mencionar a NASA é impossível. A NASA, criada em 1958, é uma repartição do Governo dos Estados Unidos que realiza trabalhos de exploração espacial. Essa agência é responsável, por exemplo, pela passagem do homem à Lua e por programas de estudos do espaço. Trata-se da principal entidade de pesquisas espaciais de todo o mundo.

A Exobiologia foi muito criticada inicialmente (o que não é nenhuma novidade, pois o ser humano tem muita resistência a aceitar novos conhecimentos, ou mudanças – veja a postagem Ecologia Profunda – mudando paradigmas, exatamente por ter como objeto de estudo a vida extraterrestre, que, no frigir dos ovos, nem poderia ser tido como tal. Mas a maré mudou e, atualmente ela é aceita e envolve a participação de muitos cientistas, de várias áreas do conhecimento, como a química, física, astronomia, entre outras, além da biologia, claro.

Com o passar dos anos, a Exobiologia começou a ganhar a aceitação de parte desses cientistas e hoje estuda e busca a resposta de questões pertinentes relacionadas à vida extraterrestre, como a possibilidade de colonização de ambientes externos à Terra, se existe ou não civilizações nesses espaços, se essas formas de vida dependem do Sol como na Terra, etc.

Um avanço na pesquisa foi conduzido pelo grupo de cientistas que iniciou o programa SETI, - ou Busca por Inteligência ExtraTerrestre, em português - por radiotelescópio. Apesar de funcionar há décadas, ele pode estar com os dias contados pois, assim como ele capta ondas de rádio de vários lugares do universo, nossas transmissões de rádio e tv também podem estar sendo monitoradas por outras civilizações. Porém, com o avanço das tecnologias de comunicação, os satélites em órbita miram suas transmissões na direção da superfície terrestre, além dos sinais transmitidos diretamente por cabo. Assim, os alienígenas curiosos que tentarem procurar por vida inteligente aqui na Terra em breve não vão encontrar absolutamente nada e eles desistirão de nós se persistirem em usar a técnica de captar transmissões de rádio.

Uma outra área de pesquisa que reforçou a possibilidade de existência de vida fora de nosso planeta foi o estudo dos extremófilos, que são seres vivos adaptados a condições extremamente adversas, com extremos calor, frio, vácuo, pressão, acidez, alcalinidade, salinidade, radiação, ou outras condições ambientais (ver as postagens “Organismos Extremófilos” e “Tardígrados – superorganismos”).

Quem mais aborda o assunto de forma não científica é a ficção, seja por estórias em quadrinhos, filmes, internet, e qualquer outra forma de publicação. Como não há qualquer compromisso com o conhecimento, é um terreno livre para a imaginação e criatividade. Observem que nas últimas décadas, filmes com esta abordagem são cada vez mais comuns. Serão um aviso do que podemos encontrar em breve? Ou mesmo recebermos a visita de aliens?

De fato, ainda não existe nenhuma prova concreta de que existe vida em outros planetas(pelo menos não ao alcance de nós, cidadãos comuns), embora os indícios sejam bastante consideráveis. Com isso, os estudos exobiológicos continuam a todo vapor e a pergunta que não quer calar é: estamos realmente sozinhos no universo?

Fontes:
http://www.infoescola.com/biologia/panspermia/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Exobiologia
http://www.cubbrasil.net/index.php?option=com_content&task=view&id=75&Itemid=92
http://biologiageologia.editboard.com/t13-exobiologia-vida-extraterrestre
http://www.exobiologia.ufrgs.br/arquivos/BIO10012_EXOBIOLOGIA_2010I.pdf
http://eternosaprendizes.com/2009/10/24/quer-saber-onde-estao-os-alienigenas-procure-pelos-rastros-de-poluicao-deixados-pelos-ets/

Telmo Focht, biólogo, com doutorado em espécies exóticas invasoras. Também atua na área de licenciamentos ambientais.

A Neblina de São Chico - por Telmo Focht

Na foto, o Lago São Bernardo, em São Francisco de Paula/RS em um dia com muita neblina: Foto de: Cristina Ludwig

O Brasil é conhecido mundialmente por ser um país tropical, com lindas praias, clima ameno e imensas florestas, com destaque para a Amazônia.

Entretanto, nós, moradores de São Chico, que não temos nada disso, parecemos viver em um outro Brasil, não é?

Bem, não podemos mudar nosso clima, mas podemos mudar a forma como interpretamos e nossa maneira de usufruir e de divulgar esta situação. Nossa região serrana é muito conhecida no Brasil, pelo seu charme, e principalmente quando há previsão de neve, a rede hoteleira agradece pelo afluxo de turistas que vem aqui com esta expectativa. Mas mesmo que ela não se confirme, os turistas ficam conhecendo a região e suas atrações. Bem, qualquer operador do turismo sabe disso e, por esta razão, não vou me alongar.

No inverno, principalmente, temos vários dias com neblina que na minha opinião, também tem o seu atrativo.

Foto de: Irene Tozetti

Considero que até existem explicações para estas ocorrências. A área urbana do município fica em uma altitude de aproximadamente 920 metros acima do nível do mar e na borda da encosta do planalto, que é muito perceptível principalmente para quem chega à cidade pela ERS 020, passando por Taquara. Como moro bem na borda deste planalto é fácil ver, quando a neblina chega pelo Vale dos Sinos, trazendo a umidade evaporada vegetação da encosta e que toma conta da cidade. Outro ponto de “entrada” da neblina é pelo bairro Campo do Meio, que fica na extremidade de um vale que vem de Riozinho. Esta neblina se forma a partir do contato do ar com uma temperatura mais alta que, ao chegar aqui em cima, pelo vale ou pela encosta, sofre uma condensação, pois aqui em cima a temperatura é mais baixa. Esta diferença de temperatura também pode causar chuva, já que nesta situação formam-se nuvens. No caso das nuvens, a umidade condensa-se graças às baixas temperaturas que a atmosfera atinge em determinadas altitudes, sendo, por isso, mais frequente.

Foto de: Irene Tozetti

Nós, serranos, temos o privilégio de ter o Lago São Bernardo que nos proporciona belas imagens ao longo do ano. Dê uma olhada nas fotos postadas no #InstaChico, neste site. O mais impressionante, para mim, claro, são as que tem alguma nebulosidade, ou neblina...

Em qualquer ponto da cidade, principalmente os pontos turísticos, na neblina não temos a noção do limite da paisagem, que vai se esmaecendo com a distância, até seu envolvimento total pela neblina. Nos resta aquela sensação de “o que está lá na neblina?”.

Então, na próxima formação de neblina, vamos experimentar esta sensação? Até dá para brincar, pedindo a um amigo, ou parente se afastar até desaparecer e depois ficarmos perguntando onde a pessoa está “escondida”. A criatividade e imaginação são infinitas...

Mas há que se ter muito cuidado nas estradas quando a neblina se forma, pois os risco de acidentes aumentam, seguindo atentamente as normas de trânsito, principalmente reduzindo a velocidade e usando a luz baixa nos veículos.

Fontes: http://mundoestranho.abril.com.br/ambiente/como-se-forma-a-neblina-2/

Telmo Focht, biólogo, com doutorado em espécies exóticas invasoras. Também atua na área de licenciamentos ambientais.

Liquidâmbar– uma árvore embelezando nossas calçadas e nossa cidade - por Telmo Focht

Seu outro nome popular é árvore-do-âmbar. Seu nome científico é Liquidambar styraciflua e sua distribuição original varia dos Estados Unidos à Nicarágua, em suas regiões montanhosas. Está adaptada aos climas mediterrâneo, subtropical, temperado e tropical. Pode atingir até 30 m de altura, e necessita de sol pleno.

É uma árvore muito ornamental, principalmente durante o outono, quando suas folhas iniciam sua fase senescente (morrem) e trocam de cor.

O nome liquidâmbar é proveniente da coloração de sua seiva, que é de cor âmbar (marrom-claro), que é resinosa, e exsuda (transpira) em abundância quando o tronco ou os ramos são feridos.

Uma característica distintiva desta árvore é o aspecto peculiar de seus ramos e galhos. A casca acumula-se sobre estes em placas nas pontas ao invés de lateralmente, o que lhes confere estranhas formas. Suas folhas tem sua borda serrilhada e 5 a 7 pontas.

Durante a primavera e verão as folhas tem a cor verde-escura, mas no outono elas atingem diferentes tonalidades de verde claro, amarelo, laranja e vermelho, muitas vezes de forma simultânea.

A mudança de cor é causada pelo fato de a árvore deixar de produzir clorofila como resposta aos dias mais frios e escuros do outono. A clorofila tem um forte pigmento verde que, apesar de as folhas conterem muitas outras substâncias com pigmentação, é dominante, ao ponto de toda a folha adotar uma coloração verde. No entanto, enquanto a clorofila diminui, estes outros pigmentos como o caroteno (amarelo), e a betacianina (vermelha) permanecem, fazendo a folha mudar de cor.

Na primavera surgem as inflorescências, esféricas, amarelas e de pouca importância ornamental. Elas são seguidas pelos frutos, também globosos, recobertos por espinhos e lenhosos quando maduros.

O liquidâmbar é uma árvore interessante para o paisagismo em grandes áreas, como parques, praças e avenidas nas regiões sul e sudeste do Brasil, com clima subtropical a temperado, pois ela confere um visual com “ares alpinos”, e por isso é cada vez mais utilizada em regiões serranas, com vocação turística, juntamente com carvalhos, álamos, ácers e plátanos. É indicado o plantio em linhas, formando alamedas ou em grupos, para um efeito impactante. Mesmo plantado isolado, o liquidâmbar torna-se o foco de atenção durante o outono, com sua grande variedade de cores. 

As árvores despidas no inverno já acrescentam um efeito mais dramático, e permitem a passagem da luz solar. Os numerosos frutos produzidos podem ser bastante inconvenientes quando caem, pois além da sujeira, os espinhos machucam a quem andar descalço sobre o gramado. Em regiões tropicais pode se tornar perenifólia (com folhas verdes o ano todo), fornecendo sombra farta, mas sem as variações de cores e queda das folhas características das estações frias.

Seu crescimento inicial é lento, mas logo que atinge cerca de três anos torna-se rápido. É muito longeva, vivendo por mais de 400 anos. Sua madeira é de boa qualidade, com densidade e textura média, cor escura e fácil de ser trabalhada.

Ela é largamente explorada em plantios comerciais. Serve para a fabricação de móveis, caixotes, dormentes, extração de celulose e laminação de chapas compensadas. A sua seiva concentrada é uma goma balsâmica e perfumada, utilizada na produção de perfumes, medicamentos e produtos de higiene.

Deve ser cultivado sob sol pleno, preferencialmente em solos areno-argilosos, neutros, úmidos porém drenáveis, para um pleno desenvolvimento de suas raízes. No entanto, o liquidâmbar vegeta também em outros tipos de solo. A necessidade hídrica da planta é alta e é importante irrigar nos primeiros anos após o plantio. Depois de bem estabelecida é capaz de tolerar curtos períodos de estiagem. Resiste ao frio intenso, neves e geadas. Multiplica-se por alporques (a alporquia é uma técnica de multiplicação vegetativa de plantas, utilizada principalmente naquelas em que a estaquia não funciona facilmente) e por sementes. Ao efetuar o transplante das mudas para o local definitivo, abrir covas amplas e fertilizá-las bem com esterco curtido e farinha de ossos.

Entretanto, esta espécie possui características invasivas, tanto por sua intensa produção de sementes aladas (é todo e qualquer tipo de expansão laminar - as alas - que se eleva da superfície de frutos e sementes). A dispersão desses frutos ou sementes se dá pelo vento – dispersão por anemocoria - com ampla dispersão, como pelo crescimento vegetativo a partir de suas raízes adventícias (são aquelas que se originam nas partes aéreas das plantas, a partir de caules e de folhas), tendendo a formar pequenos bosques com o mesmo genótipo. Seu uso deve ser criterioso.

É uma árvore que pode ser confundida com o plátano, mas este pode atingir grandes diâmetros em seu tronco e, por isso, não deve ser empregada para paisagismo em locais com espaço limitado. Outra característica é que, em São Francisco de Paula, suas folhas não adquirem o tom avermelhado do liquidâmbar no outono, apesar de também as perderem, e suas folhas apresentam formato diferente do liquidâmbar.

Por fim, uma curiosidade. Nossa avenida Júlio de Castilhos está entre as 10 mais bonitas do Brasil. Que tal?

Fontes:
http://www.jardineiro.net/plantas/liquidambar-liquidambar-styraciflua.html
https://www.google.com.br/?gws_rd=ssl#q=o+que+%C3%A9+alporquia
http://querosaber.com.pt/ambiente/porque-e-que-as-folhas-das-arvores-ficam-vermelhas
http://diariodabotanica.blogspot.com.br/2013/10/frutos-e-sementes-alados.html
http://blog.mundi.com.br/2013/10/22/as-ruas-mais-bonitas-do-brasil/

Telmo Focht, biólogo, com doutorado em espécies exóticas invasoras. Também atua na área de licenciamentos ambientais.

O pinhão, uma nutritiva e deliciosa semente - por Telmo Focht

Pinhão é a designação genérica da semente de várias espécies de pinaceaes e araucariaceaes, plantas do grupo das Gimnospermas, isto é, cuja semente não se encerra em um fruto. Ele é a semente do famoso pinheiro-brasileiro ou pinheiro-do-paraná (Araucaria angustifolia). É uma espécie onde os sexos são separados, ou seja, cada planta é apenas masculina ou feminina, e os pinhões são produzidos nesta última.

No caso das araucárias (e notadamente da Araucaria angustifolia) a pinha (que é o verdadeiro fruto) atinge proporções razoáveis, constituindo-se de uma esfera compacta com diâmetro entre 15 e 20 centímetros.

Nos meses de abril a junho, no outono do hemisfério sul, as pinhas da araucária se abrem ao sol do meio-dia, possivelmente como reflexo da dilatação havida desde a manhã fria.

Com o estouro estes pinhões espalham-se num raio de aproximadamente cinquenta metros a partir da planta mãe. Mas apesar de engenhosa, esta não é a principal estratégia de disseminação desta notável planta: este pinhão mede entre cinco e oito centímetros, e tem a forma de uma cunha cuja casca recobre a massa compacta e altamente proteica da semente propriamente dita.

É aí que está a engenhosidade - além do ser humano e quase todos os animais que se alimentam desse pinhão, o serelepe (um tipo de esquilo) e a gralha azul, costumam conduzí-los a grandes distâncias e armazená-los, o que fazem enterrando grande quantidade de pinhões no solo os quais, sendo depois esquecidos acabam gerando novas árvores. Outro consumidor é a cotia (um roedor).

Com esta estratégia, a árvore “recompensa” os animais consumidores do pinhão com um alimento nutriente, e estes se encarregam de disseminar suas sementes, sem se alimentar daquelas escondidas e não resgatadas depois. Com isso, a espécie tem condições de aumentar sua população.

Por seu sabor característico, o pinhão é muito apreciado no sul do Brasil, especialmente Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Em Santa Catarina é talvez a comida mais típica do estado, sendo consumido assado ou cozido. Existem até mesmo diversas Festas do Pinhão, que são festivais culinários em várias cidades onde há a ocorrência da araucária.

Em São Francisco de Paula, no Rio Grande do Sul, a tradicional Festa do Pinhão ocorre nos meses de junho ou julho, e reúne desde a culinária até shows musicais. Fique de olho no site da Prefeitura: www.saofranciscodepaula.rs.gov.br.

Embora tenha feito parte obrigatória da dieta dos índios guarani no passado, a coleta de pinhão para o consumo humano não é recomendada e é até coibida em algumas épocas e locais porque os animais silvestres dela necessitam como suplemento proteico para enfrentar o rigoroso inverno. O grande consumo pode prejudicar a perpetuação da espécie. Há até uma legislação de âmbito nacional que proíbe a comercialização do pinhão até o dia 15 de abril, exatamente para permitir a alimentação dos animais e proliferação por estes. A proibição do corte da árvore vai de 1° de abril a 30 de junho, período da produção de suas sementes.

O pinhão é por muitos considerado um fruto, já que é servido como aperitivo e usado em várias sobremesas.

Informações Nutricionais (cada 100 g contém)

Calorias

673

Vitamina C

0,8 mg

Gorduras Totais

68 g

Ferro

5,5 mg

Gorduras Saturadas

4,9 g

Vitamina B6

0,1 mg

Gorduras Poliinsaturadas

34 g

Magnésio

251 mg

Gorduras Monoinsaturadas

19 g

Vitamina A

29 IU

Colesterol

0 g

Cálcio

16 mg

Carboidratos

13 g

Vitamina D

0 IU

Fibra Alimentar

3,7 g

Vitamina B12

0 µg

Açúcar

3,6 g

Sódio

2 mg

Proteínas

14 g

Potássio

597 mg

IU = International Units (ou Unidades Internacionais, em português).

µg = micrograma (1 micrograma = 1 milésimo de 1 miligrama ou 1 milionésimo de 1 grama).

Abaixo seguem apenas algumas receitas com pinhão. Na internet você encontra muitas outras, ou você mesmo(a) pode por sua criatividade em ação!

 

Paçoca de pinhão
Preparo em 90 min
Rendimento 6 porções

Ingredientes
- 1 kg pinhão cozido e já moído
- Bacon em tiras
- Linguicinha calabresa
- 1 cebola picadinha
- 2 dentes de alho picadinhos
- Temperinho verde
- Sal a gosto

Modo de Preparo
- Frita o alho picado até ele ficar doradinho;
- Acrescenta a cebola e frita ela até ela ficar assim crocante;
- Reserve os temperos fritos;
- Corte o bacon em tirinhas e a linguiça em quadradinhos pequenos;
- Frite o bacon e na mesma gordura frite a linguiça;
- Às vezes é necessário colocar um pouco de azeite na panela caso a gordura não seja suficiente;
- Após ambos fritos, adicione a cebola e misture bem;
- Por último acrescente o pinhão moído e o temperinho verde;
- Misture todos os ingredientes.

Pudim de pinhão
Preparo em 20 min
Rendimento 5 porções

Ingredientes
- 2 xícaras de pinhão cru
- 2 1/2 xícaras de açúcar
- 3/4 de xícara de rum
- 1/2 xícara de passas
- 3 xícaras de leite
- 5 ovos
- 1 colher de margarina

Modo de preparo
- Coloque as passas de molho no rum e reserve;
- Moa os pinhões no liquidificador;
- Depois junte os demais ingredientes e bata bem;
- Desligue o liquidificador e acrescente as passas e o rum;
- Caramele uma forma de pudim e despeje a massa;
- Leve ao forno em banho-maria por aproximadamente uma hora. 

Bolo de pinhão
Preparo em 20 min
Rendimento 12 porções

Ingredientes
- 1 xícara (chá) de manteiga em temperatura ambiente
- 1 lata de leite condensado
- 4 gemas
- 1 pitada de sal
- 1 xícara (chá) de pinhão cozido e moído
- 1 xícara (chá) de farinha de trigo
- 1 colher (sopa) de fermento em pó
- 4 claras em neve
- manteiga para untar
- farinha de trigo para polvilhar
- açúcar de confeiteiro para polvilhar

Modo de preparo
- Bata a manteiga em creme, junte o leite condensado em fio e bata até ficar cremoso;
- Junte as gemas, uma a uma, o sal e o pinhão e bata mais um pouco;
- Misture lentamente a farinha peneirada com o fermento e, por último, as claras;
- Asse em fôrma com furo central (19 cm de diâmetro) untada e enfarinhada, em forno médio-alto (200 °C), pré-aquecido, por cerca de 30 minutos;
- Polvilhe o açúcar e sirva morno ou frio.

Fontes:
http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geografia/mata-araucaria.htm
https://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20090617084839AAsVCda
http://www.bonde.com.br/gastronomia/e-tempo-de/saiba-mais-sobre-o-pinhao-o-simbolo-do-parana-112671.html
http://www.bonde.com.br/gastronomia/receitas/com-passas-ao-rum-pinhao-rende-pudim-delicioso--84071.html
http://www.bonde.com.br/gastronomia/receitas/bolo-de-pinhao-83846.html
http://www.tudogostoso.com.br/receita/10542-pacoca-de-pinhao-da-le.html

Telmo Focht, biólogo, com doutorado em espécies exóticas invasoras. Também atua na área de licenciamentos ambientais.

Sucessão ecológica: a vida em movimento - por Telmo Focht

Por sucessão entendemos como a mudança na composição das espécies e estrutura (ou a arquitetura/fisionomia) de uma comunidade vegetal ao longo do tempo. O termo considera mudanças ao longo de períodos maiores do que uma única estação do ano, embora tendências de prazo muito longo, como as devido a mudanças no clima, não sejam consideradas como parte da sucessão. Entretanto, em uma época de mudanças climáticas, talvez a ciência deva reconsiderar esta última afirmação. E por comunidade vegetal devemos entender o conjunto de vegetais existente em um dado local ou região. Nós é que definimos qual escala espacial a ser adotada. Se um metro quadrado até uma floresta inteira, passando por todo este intervalo de área...

A sucessão começa quando uma perturbação - um evento que remove parte ou tudo de uma comunidade – é seguida por uma colonização (o mesmo que chegada) ou o crescimento de plantas em um local alterado. Porém, os termos “sucessão” e “perturbação” podem levar a interpretações errôneas, já que ambos incluem uma ampla variedade de processos e mecanismos.

Nos atendo ao termo sucessão, em geral, o processo de sucessão passa por três estágios: inicial, intermediário e clímax. Mas agora a situação começa a mostrar suas nuances.

Chama-se de comunidade clímax quando, após passados muitos anos, comunidades simples são substituídas por populações mais complexas e, quando uma comunidade se estabiliza e consegue dar início ao processo de reprodução, essa comunidade estará momentaneamente adaptada, atingindo o clímax, ou seja, evoluída para sobreviver.

Três ambientes que considero muito didáticos para se observar uma sucessão são as dunas, desde o ponto em que em as marés altas atingem a praia, em direção ao interior do continente, aqueles locais que foram soterrados por lava, após uma erupção vulcânica, ou mesmo um campo agrícola abandonado. O primeiro caso é facilmente observável em qualquer praia, com a nossa enorme extensão de costa. O segundo já não é possível observar no Brasil, pois não temos vulcões em nosso país.

Particularmente, tenho uma certa predileção pelas dunas, pois ao longo de uma caminhada em direção ao interior podemos observar esta dinâmica. Considero o exemplo mais didático a ser observado e acompanhado. Na sua próxima ida à costa, note que existe uma variação de espécies, cobertura vegetal do solo e tamanho da vegetação, já em uma pequena distância da praia...

No terceiro caso, o de um campo agrícola abandonado, é o mais fácil de ser encontrado, já que pode ocorrer em qualquer local do país. Em seu primeiro ano, muitas espécies colonizam o local, e suas dominantes são, em sua maioria, plantas de vida curta - as anuais ou bianuais (que tem um tempo de vida de dois anos). Em poucos anos, essas espécies tendem a ser substituídas por plantas herbáceas perenes. Com o passar do tempo, começam a surgir arbustos e pequenas árvores, que passam a dominar a área. O tempo para o surgimento de arbustos geralmente é de até cinco anos. Algumas décadas depois, estas espécies arbóreas de pequeno porte e/ou vida curta são substituídas por espécies de maior porte e mais longevas, que passam a dominar o ambiente, e características de um estágio avançado (ou o clímax, que é o ponto final determinístico – considerando que há uma direção a ser seguida - hipotético de uma sequência sucessional) daquele ambiente.

Mas este é o exemplo clássico de uma sucessão, em que existe uma enorme diferença entre o seu início, com poucas espécies, e sua expressão máxima de complexidade, com uma enorme quantidade de interações entre todos os seus seres vivos componentes e o seu meio abiótico (ar, água, solo e temperatura). E as discussões a respeito das causas e da natureza do processo sucessional são parte do debate sobre a natureza das comunidades vegetais. Uma vez atingida a sua fisionomia final, as mudanças prosseguem, mas agora de uma forma muito menos evidente, pois, considerando que sua fisionomia final é de uma floresta, todos os seus organismos vão sendo substituídos ao longo do tempo. Lembre-se que a morte faz parte do processo, para dar lugar a outros seres. Só existe uma constante na Natureza: a mudança.

Até aqui comentamos apenas sobre as mudanças na vegetação. Mas ao longo de toda a mudança que ocorre na vegetação, desde uma vegetação de campo até uma grandiosa floresta, existe uma enorme quantidade de animais, bactérias, e muitos outros organismos unicelulares, assim como outros que não podem ser vistos a olho nu, tanto acima do solo, quanto a fauna em sua superfície e no interior do solo. As interações são em uma quantidade praticamente incontável. Considere que praticamente uma única árvore pode constituir um ecossistema, em razão da quantidade de organismos que pode abrigar e alimentar.

As florestas tropicais são as que melhor exemplificam esta situação. Mas não precisamos ir tão longe para termos contato com tal complexidade e beleza. Temos nossas Matas de Araucária e Atlântica, literalmente em nossos quintais.

Uma visão extrema é que a sucessão é um processo ordenado e previsível. A visão alternativa é que a sucessão é uma série de eventos imprevisíveis que resultam de interações entre os indivíduos e o meio abiótico.

Como um exemplo desta última visão, temos a Tundra, aquele grande campo de gramíneas que fica em sua maior parte no círculo ártico (nos extremos norte canadense e europeu). O seu clímax não vai além daquela fisionomia que estamos acostumados a ver, que é de uma extensa planície com umas poucas espécies herbáceas, frequentemente açoitadas pelo vento. Neste caso, este bioma tem dois fatores determinantes, que são o clima (clímax climático), onde a temperatura é muito baixa, que fica abaixo de zero boa parte do ano e o solo (clímax edáfico), frequentemente congelado. Em ambientes desérticos temos principalmente limitação de água no solo (edáfico).

Nosso planeta parece incansável em apresentar inúmeros ambientes que nos demonstram a grande possibilidade de estabelecimento de novas comunidades vegetais. Em outras palavras, nossa Natureza é pródiga em nos surpreender com sua imensa Sabedoria!!!

Fontes:
Ecologia – Eugene Odum. Editora Guanabara-Koogan. 1988.
Ecologia Vegetal – Jessica Gurevitch, Samuel M. Scheiner e Gordon A. Fox, capítulo 12. Editora Artmed. 592p. 2009.

Telmo Focht, biólogo, com doutorado em espécies exóticas invasoras. Também atua na área de licenciamentos ambientais.

Desenvolvimento – estamos interpretando corretamente? - por Telmo Focht

Na língua portuguesa existem certas definições que podem ter mais de uma interpretação. Entendo que a palavra desenvolvimento seja uma delas. O texto a seguir é uma interpretação minha, e, obviamente posso estar enganado. Na verdade, espero estar!

Segundo o dicionário Aurélio, o prefixo “des” quer dizer “separação”, “transformação”, “ação contrária”, “negação”, “privação”. E existe a expressão Desenvolvimento Econômico, que significa “crescimento, quando acompanhado de alterações produtivas na estrutura produtiva do país ou região”.

Mas as palavras desorganização, desapego, desarranjo, desestímulo, entre tantas outras, têm um significado bastante claro. E uma que não deixa qualquer dúvida, principalmente nos dias de hoje, é ... desconectado!

Retornando à palavra desenvolvimento, desde o período da Revolução Industrial, em meados do século XVIII, com o surgimento da máquina a vapor e todo o progresso tecnológico, com máquinas e equipamentos em todos os setores da indústria / produção, até os dias de hoje, infelizmente estamos testemunhado um afastamento progressivo – ou um “des-envolvimento” – da Natureza. Inicialmente, a indústria tomou a ponta neste papel e, com o progresso tecnológico, a mídia o assumiu, e até tomando para si a responsabilidade de divulgar e propagandear esta ideia. Afinal de contas, os lucros da mídia provém principalmente da propaganda da indústria e do comércio. Obviamente, para manter seus clientes, e seus lucros, a mídia prontamente subverteu o verdadeiro significado da palavra desenvolvimento.

Há um filme muito interessante que trata do assunto de uma forma muito contundente e didática, chamado “Avatar”, lançado no cinema em dezembro de 2009. E sobre ele, vou me deter um pouco nas próximas linhas.

Coincidentemente, ou até propositalmente, o filme foi lançado logo após o fracasso da Conferência do Clima em Copenhagen e no início do Ano da Biodiversidade.

De acordo com o filme, precisamos restabelecer nossa conexão com a Natureza, além de demostrarmos respeito pelo nosso semelhante e qualquer outro ser vivo. Ele propõe uma discussão sobre o futuro de nosso planeta, e expõe a monstruosidade de que somos capazes, ao destruirmos o equilíbrio em um mundo em perfeita harmonia, com uma brutalidade chocante, apenas por ganhos financeiros.

A destruição da árvore-casa dos Na’vi, povo que habita a lua Pandora, pode ser comparada à destruição da Amazônia, Mata Atlântica, e tantos outros exemplos de agressão à Natureza que já protagonizamos e vemos ao redor do mundo.

Na mitologia grega, Pandora recebeu de seu marido, Epimeteu, uma caixa contendo todos os males, com a advertência de não abrí-la. Porém, ela não resistiu à curiosidade e abriu a caixa. Assim como Pandora não cuidou de sua caixa, não estamos cuidando de nosso planeta. Existe até um ditado que diz “cuspir no prato em que comeu”, quando queremos nos referir a alguém que agiu de forma totalmente ingrata ao local, ambiente ou pessoa que a ajudou nos momentos de maior necessidade. E a humanidade está fazendo muito mais – e pior – do que apenas cuspir em seu próprio quintal...

Em Pandora, tudo está em harmonia. Lá existe a árvore da vida, Eywa, que sustenta todas as conexões entre todos os seres vivos, funcionando semelhante a uma teia, como se conectando as sinapses em nossos neurônios de nosso cérebro. Alguém duvida que estejamos todos interligados? Até Darwin, há 150 anos, já dizia isso...

José Lutzemberger também afirmava que “...tudo está relacionado com tudo. Tudo é uma coisa só”, em seu manifesto ecológico “Fim do Futuro”.

De uma forma diferente do filme, onde as conexões são diretas, nossa conexão existe, mas foi perdida com o nosso afastamento da Natureza. E ela ficou cada vez mais evidente a partir do momento em que começamos a nos organizar em cidades, em torno de 9000 anos atrás. E este crescente distanciamento só nos tem trazido uma falsa noção de progresso, com um cada vez maior emprego de tecnologia e dependência dela. Hoje, há muitas pessoas que dizem não conseguir viver sem o celular. E quando ele não existia, em torno de 25 anos atrás? Não havia vida?

O filme mostra que nosso direito a continuar habitando a Terra passa por uma reconexão com ela. Esta foi a experiência do personagem principal, e que lhe permitiu libertar-se da cegueira e da ignorância que seria desencadeada pela ação dos humanos em Pandora... E isto aconteceu a partir de seu contato e convívio com o povo Na’vi, com quem ele aprendeu a importância desta harmonia naquela lua, ao experimentar o respeito a todas as formas de vida.

Isto levanta uma questão. Quem são os selvagens e quem são os civilizados. Quem está em harmonia com a Natureza exuberante de seu planeta ou quem está totalmente “desenvolvido” com seu mundo, sua Natureza e seu equilíbrio, e ainda age de forma a perpetuar este caos?

A própria palavra “desenvolvimento” sugere um afastamento do envolvimento, uma total desconexão com a mãe Natureza, o que só gera desequilíbrio para todos nós.

E assim, uma constatação apresentada pelo filme é que é isto que nos falta: envolvimento.

Esta nossa crescente desconexão com a Natureza, e excessiva preocupação em obter lucros a qualquer custo, só mantém e agravará o problema.

Somos responsáveis por criar, manter e perpetuar um sistema econômico falho, excludente e perverso, que visa sempre e apenas o lucro e crescimento ilimitado.

Mas o que não é divulgado é que vivemos em um espaço finito, onde não é possível um crescimento sem fim. O que existe, desde que busquemos a informação, é uma perspectiva de quantos planetas são necessários para manter nosso atual padrão de consumo, conhecida como pegada ecológica. O que também nada tem de animador.

A financeirização da Natureza (ou colocar uma “etiqueta de preço” em cada animal, vegetal, pedaço de rocha, etc.) tem única e exclusivamente a intenção de dar um valor econômico para que possa ser negociada como uma mercadoria.

Em 2017, na média mundial, precisamos de 1,5 planetas para sustentar nosso padrão de consumo. E, de acordo com o WWF (World Wildlife Fund), em 2050 precisaremos de mais de 2 planetas!!! Mas, se temos apenas um planeta, como estamos conseguindo manter este padrão? Estamos acelerando o processo de esgotamento dos recursos. E os resultados já estão batendo à nossa porta, como alterações climáticas, extinção de espécies em um ritmo muito acima dos registros históricos, erosão e empobrecimento do solo, escassez de água em algumas regiões, entre outras. Por ano, milhões de pessoas precisam se mudar para outras regiões, à procura de água. São os que a ONU já chama de Refugiados do clima.

Já no final dos anos 1970, o Banco Mundial deu um alerta para os possíveis danos ao nosso ambiente se não mudássemos nosso comportamento de consumo.

Mais recentemente, o biólogo estadunidense Jared Diamond, no livro “Colapso”, aborda sobre o destino das civilizações a partir de sua relação com seu ambiente. A maioria teve ou está demostrando um final nada feliz.... Em cada capítulo ele trata de uma civilização, desde os Vikings até a China de hoje. É uma leitura que recomendo!

Concluindo, uma constatação apresentada pelo filme, e de fácil comprovação ao nosso redor, é que precisamos resgatar nosso envolvimento/conexão com a Natureza, pois o nosso afastamento dela não está dando certo... e tem um resultado previsível.

Fontes:
Charles Darwin – A Origem das Espécies
Jared Diamond – Colapso
José Lutzemberger – Fim do Futuro
Peter Russell - O Buraco Branco no Tempo
http://www.administradores.com.br/producao-academica/o-buraco-branco-no-tempo-uma-analise-sobre-o-gerenciamento-de-mudancas/1746/
http://arte.folha.uol.com.br/ambiente/2014/09/15/crise-da-agua/gente-demais.html
http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/especiais/pegada_ecologica/pegada_ecologica_global/

Telmo Focht, biólogo, com doutorado em espécies exóticas invasoras. Também atua na área de licenciamentos ambientais.

PANC (Plantas Alimentícias Não Convencionais) • estas plantas são punk! - por Telmo Focht

Você já ouviu falar nas PANC? Apesar de ter a mesma pronúncia, nada tem a vem com os punks, movimento social jovem mais difundido na década de 1990, que ditava moda e o comportamento de muitos adolescentes em muitos países do ocidente.

Apesar de existir uma imensa quantidade de plantas comestíveis ao redor do planeta, nossa alimentação está baseada em pouquíssimas espécies e suas variedades, cuja produção e comercialização de suas sementes estão principalmente sob o controle de pouquíssimas empresas multinacionais.

No mundo, estima-se que 30.000 espécies vegetais possuem partes comestíveis. Mesmo assim, 90% do alimento mundial atualmente vem de apenas 20 espécies, as mesmas descobertas por nossos antepassados do Neolítico, em diversas regiões onde a agricultura teve início (em torno de 9500 anos atrás) e que foram incorporadas por quase todas as culturas existentes. Além de tão poucas, hoje a maioria destas espécies cultivadas é restrita a poucas cultivares (variedades) e muito da agrobiodiversidade destas cerca de 20 espécies foram extintas, perdidas ou vem sofrendo grande erosão genética.

Soja (principalmente), arroz, milho, trigo, batata e cana-de-acúcar são as mais cultivadas ao redor do mundo. Os feijões tiveram sua origem nas Américas Central e do Sul, mas cultivados em várias partes do mundo. A mandioca está mais “restrita” ao mercado brasileiro.

Mas há poucos anos, muitas outras plantas têm sido “descobertas” como tendo grande potencial nutritivo, podendo até atuar como alternativa ao monopólio destas multinacionais. Estas plantas têm sido divulgadas como as Plantas Alimentícias Não Convencionais, uma vez que podem substituir parte da nossa dieta habitual, e com vantagens nutricionais.

Você conhece a taioba (Xanthosoma sagittifolium)? E o picão branco (Galinsoga parviflora)? Ora-pro-nobis (Pereskia aculeata) ou serralha (Sonchus oleraceus) talvez? Todos esses vegetais parecem “mato”, pertencem à flora brasileira e são saborosos alimentos: as PANC estão na moda há algum tempo e vêm sendo exploradas por chefs famosos como a jurada do MasterChef, Paola Carosella. Essas são apenas alguns nomes que estão se tornando nomes em nossa mesa.

Por ser um país grande e tropical, o Brasil tem uma biodiversidade imensa a ser pesquisada, estima-se em torno de 10.000 espécies nativas com potencial uso alimentício. Ou seja, ainda há muito a se estudar, coletar, cultivar e experimentar.

PANC é um termo que agrupa uma série de espécies vegetais com parte alimentícia ou um produto alimentício não convencional. Segundo Valdely Ferreira Kinupp, biólogo, doutor em Fitotecnia, pesquisador e autor do livro "Plantas alimentícias não convencionais (PANC) no Brasil”. Um dos maiores especialistas sobre o assunto no país, qualquer elemento botânico que tenha potencial alimentício, seja pouco conhecido e não faça parte da matriz agrícola é uma PANC. Nessa leva estão incluídas flores, látex, resinas, óleos, caules, folhas, sementes, rizomas e raízes.

Os arbustos, árvores, verduras, legumes, ervas, frutas que fazem parte desta classificação podem ser nativas de uma região, bem como exóticas a ela. Podem crescer espontaneamente e serem silvestres ou cultivadas e, por fim, se firmar como 'ervas daninhas'. Em comum está o fato de não pertencerem à indústria agrícola que manipula sementes e aplica defensivos agrícolas e nutrientes químicos como o nitrogênio. “As PANC são rústicas, produzem suas próprias sementes e são muito mais resistentes que os cultivares comuns”, explica Valdely.

Entre as variedades, há as adaptadas à seca, as aquáticas, as de mangue e as que toleram areia e solo salino. "Incorporar essas variedades à matriz agrícola brasileira, no mínimo, geraria multidiversidade", completa. Ainda segundo o pesquisador, apenas 0,04% da diversidade botânica do planeta é utilizada e somente 150 espécies fazem parte da economia de larga escala. Todavia, as PANC catalogadas já somam mais de 130 mil tipos que podem gerar emprego, renda e sabores inesperados, além de enfeitarem o jardim.

E para provocar sua curiosidade, separei alguns links, que estão abaixo. Quatro deles são de vídeos de autoria do Valdely. Provavelmente você vai reconhecer alguma planta no seu quintal, pátio da escola, em um terreno baldio perto de casa, ou qualquer outro local próximo...

Valem a pena!

Fontes:
http://coletivocatarse.blogspot.com.br/2010/04/projeto-pancs-soberania-alimentar-e.html

Valdely Ferreira Kinupp. Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil : guia de identificação, aspectos nutricionais e receitas ilustradas

Valdely Ferreira Kinupp e Harri Lorenzi. São Paulo: Instituto Plantarum de Estudos da Flora, 2014.

http://estilo.uol.com.br/casa-e-decoracao/listas/se-empolgou-com-o-masterchef-conheca-melhor-as-panc-e-veja-como-cultivar.htm

Para comprar o livro:
http://www.plantarum.com.br/prod,idloja,25249,idproduto,4689459,livros-em-portugues-plantas-alimenticias-nao-convencionais–panc–no-brasil

Telmo Focht, biólogo, com doutorado em espécies exóticas invasoras. Também atua na área de licenciamentos ambientais.

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