Psicoterapia Infantil: Dúvidas Frequentes - por Thainá Rocha

Psicoterapia Infantil: Dúvidas Frequentes - por Thainá Rocha

Durante a infância, as crianças se deparam com um novo mundo a ser explorado e descoberto. Nesta fase da vida, elas vivenciam transformações e experiências até então desconhecidas, como alterações fisiológicas, corporais, mentais, comportamentais e emocionais. Somado a isso, uma gama de situações externas: Separação dos pais, nascimento de um irmãozinho, dormir sozinho no próprio quarto, perdas, passar algumas horas longe dos pais, tirar a fralda, enfrentar medos, enfim... as possibilidades de situações que podem ocorrer são variadas!

Somado a isso, a lista de afazeres e obrigações é extensa: tirar notas boas na escola, praticar esportes, falar um segundo idioma, dominar a informática. O resultado disso tudo? Muitas vezes uma pressão desmedida e insuportável para algumas crianças.

Conseguir corresponder às expectativas dos pais, professores, colegas e familiares torna-se então um pesadelo para muitos, que não conseguem expressar os sentimentos e frustrações por palavras. É neste contexto que entra a psicoterapia infantil.



Mas afinal, o que é a psicoterapia infantil?
A psicoterapia infantil tem por objetivo melhorar a qualidade de vida da criança, proporcionando uma infância feliz e saudável. A psicoterapia ajuda a identificar os seus medos, receios e insatisfações, através de um trabalho com as dificuldades pessoais do pequeno paciente.

A psicoterapia infantil também é destinada aos pais ou responsáveis, que precisam de uma orientação de como agir e lidar com acontecimentos que envolvem as crianças. Além disso, são frequentemente chamados para passar orientações, informar sobre a vida diária, narrar questões do desenvolvimento geral da criança e contar da evolução do tratamento.  O objetivo permanece sendo o bem-estar familiar, a prevenção e solução de problemas e este momento com os pais é fundamental para que a terapia repercuta para além do consultório.

Como é possível descobrir que a criança precisa de tratamento?
Ao contrário do adulto, que consegue compreender o que está acontecendo e o motivo de determinadas ações, as crianças utilizam outros métodos de comunicação para demonstrar sua angústia. Ter um comportamento totalmente diferente do que a criança até então demonstrava, se tornar agressiva e/ou agitada, criar hábitos estranhos, apresentar dificuldade de relacionamento com outras crianças da mesma idade, são, por exemplo, demonstrativos de que algo está errado.

Outras possibilidades são a falta de concentração, dificuldades de aprendizagem, distúrbios físicos, adoecer com frequência, choro e/ou tristeza sem motivo aparente e compulsão por comida ou jogos/internet também são sinais de que a criança precisa de ajuda especializada.

Cada criança irá sinalizar que algo está errado de uma forma diferente, é preciso estar atento aos sinais que ela dá. 

Como funciona a psicoterapia infantil?
Para entender e identificar os problemas das crianças, os psicólogos infantis adotam alternativas lúdicas, conhecida como Ludoterapia. Algumas atividades da Ludoterapia são brincadeiras, desenhos e jogos, sendo elas desenvolvidas e conforme a idade da criança. Este método possibilita conhecer profundamente a criança, incluindo suas aflições, comportamentos e sentimentos. A participação dos pais neste processo é muito importante, pois somente assim eles terão conhecimento sobre as dificuldades do filho.

A psicoterapia trabalhará diretamente com os conflitos internos e externos que provocavam a perturbação (sintoma) promovendo assim o alívio dos mesmos. Além de ajudar no desenvolvimento das crianças e dos adolescentes, a psicoterapia ajuda a criança a se redescobrir, orientando-a trilhar um caminho próprio e independente, sem importar com julgamentos ou rótulos.

A partir de que idade é recomendada?
Muitos pais adiam a visita a um psicólogo por acharem que seus filhos são novos demais para terapia, mas a verdade é que não existe idade certa para começar. O que acontece, muitas vezes, e que acaba gerando uma ideia distorcida sobre essa questão, é que alguns psicólogos preferem atender a partir de determinada idade. Mas não quer dizer que porque um profissional opta por atender a partir da idade “tal” (por estar melhor preparado para atender a partir daquela faixa etária) que o tratamento não possa iniciar mais cedo com outro profissional que trabalha com faixas etárias menores. Por isso é sempre importante informar-se sobre a área de atuação de cada terapeuta, pois dentro da psicologia existem uma infinidade de especializações e o ideal é procurar um profissional que melhor se adapte à sua necessidade. 

Então uma criança bem pequena pode fazer psicoterapia?
Sim! Obviamente, com objetivos diferentes de uma criança com idade maior. Lembrando: o plano terapêutico sempre será construído conforme a idade e estágio de desenvolvimento da criança e suas necessidades. Uma criança bem pequena poderá se beneficiar de um atendimento na presença da mãe, por exemplo, trabalhando o vínculo mãe-bebê. Isso irá proporcionar à criança o autoconhecimento e o conhecimento do mundo ao seu redor e à mãe a entender o comportamento da criança e estar segura para agir, assim facilitando o estabelecimento de vínculos futuros. Ou seja, o psicólogo não precisa somente entrar em cena quando já há um comportamento problema fixado, podendo também realizar um trabalho preventivo desde cedo. É também dentro deste olhar de tratamento preventivo que se pode perceber comportamentos e questões do desenvolvimento da criança pequena que estão de acordo (ou não) para o esperado para aquela faixa etária, já podendo ser realizado o trabalho de minimização de sintomas e intervenção desde o momento em que foram percebidas. 

Conclusão...
A psicoterapia infantil é uma ótima alternativa para garantir uma vida equilibrada, eliminando ou, pelo menos, amenizando dificuldades e sintomas que surgem ao longo do desenvolvimento na infância e adolescência, o que resulta em adultos mais seguros, tranquilos e satisfeitos.

 Thainá da Rocha Silva, Psicóloga especialista em infância e adolescência.

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