Como encarar a chegada de um irmãozinho? - por Thainá Rocha

Como encarar a chegada de um irmãozinho? - por Thainá Rocha

Assim como a primeira, a segunda gestação também provoca vários sentimentos ambivalentes nos pais: a alegria por estar novamente aguardando a chegada de um bebê e o medo de não saber dividir seu tempo e sua atenção com o filho mais velho. A criança também experimenta diferentes sentimentos, sendo que estes podem oscilar rapidamente (como de “muito empolgado” para “muito enciumado”), mas o mais importante: todos esses sentimentos devem ser tratados como naturais. Dificilmente uma criança não experimenta ciúmes com a chegada do irmão: muitas vezes o que varia neste caso é a intensidade, que dependerá das características individuais de cada criança, mas também de como cada família lida com a situação. É papel dos adultos ajudar os irmãos mais velhos a entenderem a novidade e a expressarem seus sentimentos.

Assim, a gravidez gera profundas transformações em toda dinâmica familiar, valendo ressaltar que o irmão primogênito vivencia também inúmeras dúvidas a respeito do que está acontecendo em sua vida, por vezes teme perder o seu lugar e o amor dos pais. Por causa desses medos é muito comum que adotem atitudes mais regressivas, como voltar a usar fraldas, chupeta, chorar por qualquer motivo, solicitar o colo dos pais, fazer mais “birras”, entre outros comportamentos. Crianças pequenas não sabem demonstrar seu sentimento de forma clara, usam esses comportamentos como sinal de que precisam de amparo e ajuda para elaborar essas transformações.



É importante, portanto, que os pais adotem uma postura de compreensão, diálogo, paciência e muito carinho. Este é o caminho para ajudar a criança mais velha a lidar de uma forma mais equilibrada com a gestação e o nascimento do irmãozinho.

Vamos às dicas práticas?

  • O primeiro passo, evidentemente, é contar ao filho mais velho que a mãe está grávida. Sabemos que as crianças, desde muito cedo, começam a perceber que “algo” está acontecendo. Elas podem captar conversas sérias ou animadas entre os adultos, ver sua mãe sentindo-se mal ou tensa e preocupada, notar outras mudanças na casa, etc;
  • Uma boa estratégia é descrever a nova rotina, explicando que o novo bebê vai demandar muitos cuidados por parte do pai e da mãe, e que ele sendo mais velho, poderá ajudar quando quiser. Porém, é importante não criar “obrigações” cedo demais para o irmão mais velho, mas valorizar o fato de ser maior e capaz de ajudar;
  • Pode-se, por exemplo, ajudar na compra do enxoval, na decoração do quarto, acompanhar a mãe em exames médicos, solicitar sua ajuda sempre que possível (valorizando suas potencialidades). Isso fará com que ele não se sinta deixado em segundo plano;
  • Apesar de todo esse envolvimento, vale lembrar que crianças muito pequenas não tem a mesma noção de tempo que os adultos possuem, ou seja, elas não conseguem compreender quanto tempo falta para a chegada do irmãozinho. Como a noção de tempo delas não é bem estruturada, o tempo usual de uma gestação pode ser vivido com muita ansiedade. Além disso, não conseguem compreender como uma pessoa de verdade está crescendo dentro da barriga da mãe. Essas expectativas muitas vezes contribuem para uma desorganização emocional das crianças. Criar alguma atividade lúdica com o uso de um “cronograma” (ou calendário) pode se tornar uma excelente ajuda nesse momento, afim de que a criança possa visualizar a evolução da gestação e o crescimento do bebê, e, concomitantemente, preparar-se para a chegada do novo membro da família; 
  • Oportunizar momentos em que a criança possa tocar a barriga da mãe, conversar e cantar para o mano, entre outras ideias que surgirem da criatividade da família;
  • Se a criança apresentar maiores dificuldades para entender o desenvolvimento do bebê, mostre fotos e vídeos dela enquanto pequena (nascimento, mamando, usando fraldas, brincando), de tal modo poderá ir compreendendo que também cresceu para estar com o tamanho e a idade que possui;
  • Outra dica valiosa é ler algumas historinhas ou assistir filmes que tratem do tema nascimento e/ou relacionamento entre irmãos; 
  • Após o nascimento do bebê, é importante conservar alguma rotina com o mais velho, continuando a dar atenção e manter os momentos e programações que compartilhavam anteriormente ao nascimento do irmão. 

 Thainá da Rocha Silva, Psicóloga especialista em infância e adolescência. 

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