A importância dos objetos preferidos e inseparáveis da criança no desenvolvimento psicológico sadio - por Thainá Rocha

A importância dos objetos preferidos e inseparáveis da criança no desenvolvimento psicológico sadio - por Thainá Rocha

Sabe aquela dificuldade que os pais têm de fazer com que a criança abandone a chupeta? Ou largue aquele travesseirinho ou cobertorzinho que carrega para todos os lados? Ou ainda aquele ursinho já velho e sujinho? 

Hoje o assunto é Objeto Transicional. Se trata de um objeto que auxiliará a criança a experimentar as situações do mundo externo e diferenciar aquilo que faz parte dela (o que é interno) e o que não faz. Como assim? Vamos traduzir!

Um famoso psicanalista e pediatra inglês chamado Donald Winnicott explica que o bebê, no início da vida, tem a “ilusão” de que o seio da mãe é parte de seu próprio corpo. Assim, a mãe deve ir aos poucos estabelecendo uma distância da criança com o seio, onde a criança passará a perceber que o seio pertence à mãe, e não é parte dela (do bebê). 

A partir daí, o objeto transicional (que pertence à criança e não à mãe) entra em ação: além de ser seu é também controlado pela criança, ou seja, ela é quem decide quando quer ficar com ele ou quando quer ficar distante do tal objeto. Para que exista um desenvolvimento do processo de separação- individualização da criança com a mãe, é necessário a existência deste objeto transicional, que funciona como um “acalmador da ansiedade”.  É esse objeto que conforta a criança nas transições de “presença-ausência” do cuidador, como na hora de dormir, nas despedidas, no primeiro dia na creche e em outras tantas situações desconhecidas para a criança. 

Além disso, a criança faz com o objeto eleito o mesmo que faz com os pais ou suas figuras de referência afetiva: ama-os, mas pode odiá-los em alguns momentos. Há algumas experiências em comum entre as crianças e seus vínculos com o objeto transicional, como a dificuldade em se afastar dele (e em outros momentos o objeto é “esquecido” ou deixado de lado por um período), e em determinados momentos o objeto é maltratado e em outros é tratado com afeto. 



Tudo isso é muito natural e é extremamente importante que a criança vivencie estas situações, direcionando o cuidado, o amor, o ódio e à agressão a este objeto e percebendo que ele é capaz de sobreviver a isso, sem ser destruído, ou seja, esta é uma das formas que a criança constrói os sentimentos! Também é este objeto que vai ouvir segredos íntimos, estar ao lado, acompanhar, confortar e consolar, ou seja, servir de apoio, dar segurança. 

Como foi dito inicialmente, este objeto poderá ser um cobertor ou um paninho, um travesseiro, um bichinho de pelúcia ou até mesmo a chupeta. O objeto transicional é escolhido pela criança e é por isso que muitas vezes a tentativa dos pais de substituir tal objeto por outro novo, é frustrada.

Estes objetos também aparecem presentes juntamente com alguns personagens de histórias e desenhos infantis, já repararam?

Para concluir, o mais importante nisso tudo é que o objeto transicional exista e seja permitido sem interrupções. Eles não têm idade para serem deixados de lado. Uma vez que a criança o despreze, ela pode querer tê-lo de volta num momento mais delicado de sua vida, como nas situações de doenças, mudanças na rotina da família ou rupturas. Os pais não devem tentar influenciar na interrupção deste processo. Deve ser realizado até o final, isto é, até que o objeto perca o seu significado para a criança. O tempo que ele durará vai variar de criança para criança, de meio para meio. O que terá real importância será somente que ele seja permitido existir. Se o processo for concluído, se espera que a criança tenha um desenvolvimento psíquico saudável e poderá em sua vida confiar em si mesma e nas pessoas que a rodeiam. 

Thainá da Rocha Silva, Psicóloga especialista em infância e adolescência. 

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