“Se você não parar com isso, vai apanhar...” - por Thainá Rocha

“Se você não parar com isso, vai apanhar...” - por Thainá Rocha

Uma introdução ao tema

O assunto de hoje (e dos nossos próximos bate-papos) buscará refletir a respeito da tão polêmica pergunta (e que divide muitas opiniões): É possível educar sem palmadas?

A Lei n.13010/2014 estabelece o direito da criança e do adolescente a não serem submetidos a castigos físicos ou a tratamento cruel ou degradante. Então a dúvida de muitos pais é: Sem palmadas, como educarei meu filho? Haverá realmente um prejuízo tão grande à criança que leva uma palmada, o qual justifique a criação de uma lei para punir os pais que castigam corporalmente os filhos?

Outra questão que confunde opiniões acerca deste assunto é que, nos tempos atuais, a educação dos filhos não é exatamente um ponto de consenso entre os pais (nem sequer entre muitos especialistas!). Então, os pais nem sempre sabem como agir (e se estão agindo certo) diante da desobediência ou da rebeldia. 

Muitas vezes, um filho é muito desejado, mas muitas vezes também o sonho de ter uma criança para proteger e cuidar se transforma em um pesadelo, quando o cansaço do dia-a-dia e de todas as exigências e desafios vividos acabam por esgotar os pais. Aparece então uma ambiguidade de sentimentos: o amor e a dedicação exclusiva versus os sentimentos de impotência, raiva, cansaço diante das dificuldades inerentes ao ato de educar.

Quando no início de nosso bate-papo falei que este seria o assunto de hoje e também das nossas próximas conversas é porque este é um tema que nos exige pensar em diversas questões para que se possa responder a pergunta que lancei. 

O primeiro de tudo é que a educação é um processo longo, árduo e demorado, que dura mais ou menos vinte anos, no mínimo, até que a criança se torne adulta. Enquanto isso, os pais precisam estar presentes, firmes, fortes, incansáveis e conscientes para que se desenvolva plenamente e para que se transforme em uma pessoa de bem. “Fácil” né?

Então, levaremos um tempo para pensar sobre todas as questões e no que elas implicam, e outro ponto “simples” que justifica demandar um tempo maior para este assunto ser discutido é que: NÃO HÁ RECEITAS PRONTAS PARA EDUCAR UMA CRIANÇA. Já ouvi de muitos pais: “Posso dar uma palmadinha de vez em quando?” “Meu filho está se comportando assim, o que eu faço então?”. Minha vontade é de responder: “É complexo”. E é! Repito: NÃO HÁ RECEITAS PRONTAS. As repostas para essas dúvidas e inquietações exigem que pensemos antes em muitas outros fatos. Se eu dissesse “Faça tal coisa que esse comportamento vai parar” até poderia amenizar o determinado comportamento por certo tempo, mas dificilmente o resolveria de fato se não pensarmos em alguns pontos anteriores e estreitamente relacionados ao sucesso nessa grande missão de educar. Simplesmente NÃO EXISTE MÁGICA quando o assunto é educação dos filhos. Cada pessoa é ÚNICA. CADA FAMÍLIA SE ORGANIZA DE MODO DIFERENTE. É INCONSEBÍVEL UMA RECEITA MÁGICA QUE RESOVA OS PROBLEMAS DE TODO E QUALQUER PAI.

A minha proposta é então, outra. Vocês não encontrarão aqui receitas nem modelos. O meu objetivo é ajudar os pais a pensarem sobre algumas questões importantíssimas para a educação dos filhos, sendo a temática “palmadas” uma delas.  O foco aqui serão OS PAIS!

Em resumo, o que vou discutir com vocês a partir de hoje e nas nossas próximas “conversas” será a respeito do compromisso que os pais assumem com seus filhos, que são para eles um projeto pessoal e duradouro. Após, discutiremos alguns assuntos básicos a respeito da educação das crianças e dos adolescentes. Posteriormente, trarei assuntos para os quais os pais muitas vezes não dão tanta atenção, mas que podem fazer toda a diferença no dia-a-dia na relação com os filhos. E por último, quem me acompanha sabe que adoro dicas de livros, vou lançar um roteiro de alguns que acredito que possam ser uteis para quem quiser continuar estudando e aprendendo um pouco mais sobre o desenvolvimento e a orientação da educação das crianças e adolescentes.

Agora que vocês já entenderam o que eu quis dizer com “É complexo”, iniciemos as nossas conversas então...



O Projeto de ser pai/mãe

Todo o projeto bem sucedido conta com um planejamento, por mais simples que seja. Se a tarefa simples de fazer um bolo necessita ser planejada, obviamente não é possível educar um filho sem planejamento também. As crianças não vem com prazo de validade, controle remoto ou manual de instruções. “Os pais quando adotam ou geram uma criança assumem com ela e com toda a sociedade o duplo compromisso de ajudá-la a crescer e se desenvolver, mas também de auxiliá-la a transformar o mundo.” (Arent, Hanna. 1954). Duplo compromisso?

Sim! Que tipo de pessoa devolverei à sociedade? Que tipo de pessoa quero formar? O que eu não posso deixar de ensinar para o meu filho? Em que os adultos hoje investem o seu esforço e sua admiração? Ou o que desejam para si mesmos e, portanto, também para os seus filhos? Já pensaram nisso antes?

Ao decidir o tipo de pessoa que deseja que o seu filho se torne, os pais estão fazendo uma lista de valores ou, se poderia chamar, de virtudes, que entendem como as mais importantes. Você, pai ou mãe, é capaz de escrever a lista de qualidades que gostaria que seu filho tivesse?

O pai, a mãe, até mesmo a avó ou o tio, a madrasta, a professora, ou seja, o adulto da relação, precisa, para educar, ter bem claros quais valores são mais importantes para si mesmos. Dificilmente alguém ensina para uma criança algo que não acredita ou não vivencia.

Já que todo o projeto bem-sucedido conta com um planejamento, o primeiro passo é ter bem definidos os valores que deseja ensinar aos filhos. Um dos grandes problemas enfrentados atualmente é o fato de que os pais e demais educadores não sabem exatamente o que é certo e errado nem para si mesmos.

Resumindo, para educar é essencial saber o que se está fazendo. Os pais devem decidir o que querem ensinar aos seus filhos. Segue um tema de casa, para refletir:

Quais são os seus objetivos ao educar?

Que tipo de pessoa tu queres formar?

Seguimos na próxima. Até lá!

LEIA TAMBÉM: “Se você não parar com isso, vai apanhar...” • Parte II - por Thainá Rocha
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LEIA TAMBÉM: “Se você não parar com isso, vai apanhar...” • Parte V - por Thainá Rocha
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Thainá da Rocha Silva, Psicóloga especialista em infância e adolescência.

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