Pais, filhos e tecnologia: Como conviver?

Pais, filhos e tecnologia: Como conviver?

As máquinas evoluíram. As novas demandas do mercado possibilitaram grandes avanços tecnológicos, tornando a vida mais prática e fazendo da tecnologia parte do nosso cotidiano, trazendo benefícios para o trabalho, saúde e entretenimento.  A necessidade de informação ficou cada vez mais evidente. Não conseguimos mais imaginar a vida sem o uso da tecnologia. Logo, fronteiras entre o mundo real e virtual estão cada vez mais indefinidas. 

A tecnologia faz, também, parte da rotina familiar. A atualização da tecnologia e o uso excessivo por parte de TODOS explicam um pouco a realidade atual, que dificulta as relações entre os membros e causa impacto direto no cotidiano. Um estudo realizado em 2015 pela AVG Technologies, empresa especialista em segurança online, revelou que:

  • 54% dos pais confessaram que olham vezes demais para seus celulares;
  • 29% assumem que não estão dando um bom exemplo aos filhos em relação ao uso de dispositivos móveis;
  • 42% das crianças ouvidas sentem que seus pais passam mais tempo no celular do que com elas.

A responsabilidade não é da criança, mas sim do contexto familiar no qual está inserida. Os cuidadores são responsáveis pela superexposição, que acontece quando a tecnologia é oferecida para conversar ou para entreter a criança quando chora, por exemplo. Com o tempo, os pais se incomodam com os excessos, que foram eles mesmos responsáveis pela inserção da criança. Contexto que logo irá se tornar uma guerra real de retiradas, proibições e punições para o uso da tecnologia. 

Uma rotina excessiva tecnológica rompe os laços familiares. A realidade se configura com pais e filhos cada vez mais conectados e afastados. Isso vem causando um efeito nocivo, deixando de existir uma comunicação afetiva, com troca de olhares, contato, atenção saudável. Como consequência, o afastamento é inevitável. Noções de relacionamento precisam ser reavaliadas, dinâmicas familiares, reconstruídas. É importante que os pais façam uma autoavaliação quanto à sua forma de utilização da tecnologia para uso consciente.

Perceber os prejuízos é a primeira lição. Momentos de lazer, família reunida, um instante de brincadeira, uma conversa enquanto veem um filme, situações simples que se a tecnologia estiver presente, pode resultar em distanciamento e inclusive gerar mudança de comportamento na criança, que pode não querer a presença dos pais e até evitar situações de lazer, brincadeiras, desistir de conversar.

Alguns dos questionamentos mais comuns:

Qual é o limite de idade em que posso oferecer a tecnologia? Por quanto tempo é adequado o uso?

Para responder essa pergunta, apresento o que diz a Academia de Pediatria Canadense (CPS) e a Academia Americana de Pediatria (AAP) a respeito do assunto. Em 2015, a recomendação era limitar à criança a exposição a qualquer mídia até os 2 anos de idade. Atualmente, houve uma mudança, alegando que cada família pode e deve escolher a forma de integrar-se com a tecnologia. Porém, recomenda-se apenas 1 hora “de tela” dos 18 meses aos 5 anos, de forma fracionada durante todo o dia e com conteúdos adequados à idade, com foco em benefícios pedagógicos ou para o desenvolvimento da inteligência emocional. Além disso, desencorajar, evitar e até proibir a exposição passiva (por exemplo, a criança está na sala brincando, não diretamente assistindo TV mas a mesma encontra-se ligada, passando muitas vezes conteúdo e informações impróprias para a criança). Evitar também o uso de tecnologias durante as refeições e 1 a 2 horas antes de dormir. Além disso, crianças entre 0 e 10 anos não devem fazer uso de televisão ou computador em seus próprios quartos. Os pais devem estabelecer limites de horário. 

Uso liberado ou uso limitado?

Dar permissão para o acesso não é igual a dar autonomia. Crianças e adolescentes precisam de regras, os limites precisam estar claros. Uma boa estratégia é definir previamente o tempo de uso, com horários previamente estabelecidos (antes mesmo da criança ganhar o próprio tablet, por exemplo). 

Posso fazer checagens ou é invasão de privacidade? Posso bloquear conteúdo?

Você sabia que há inclusive uma lei que fala sobre isso? Trata-se da Lei nº 12.965 de 2014. Em seu artigo 29 nos fala da necessidade de controle e vigilância parental e sobre a educação digital como formas de proteção frente às mudanças tecnológicas. Dessa forma, os pais precisam sim ficar atentos à questão de segurança quanto ao uso. É importante manter um diálogo aberto para instrução e orientação, esclarecer dúvidas, alertar sobre perigos e riscos, verificar a classificação indicativa de conteúdos e faixa etária, explicar o porquê da cautela e das possíveis proibições. Bloqueios de conteúdos impróprios, através de ferramentas específicas, fazem parte da educação e do cuidado que os pais devem ter. 

Quando se configura dependência?

Quando seu filho se torna “refém” da tecnologia, principalmente dos jogos eletrônicos, e quando começa a afetar todos os âmbitos de convivência: familiar, social e educacional. 

É importante lembrar que a tecnologia possui duas faces, o lado bom e o mau. Tirar bom proveito, quando for bem conduzida e administrada, e perceber que o excesso traz sérias consequências. Pais inteligentes usam a tecnologia a seu favor, cientes que ela não substitui  o contato físico, o olhar, o carinho e as palavras “face a face”.

O lado mau da tecnologia é quando surge...

  • Dificuldade de socialização e conexão com outras pessoas da mesma idade;
  • Isolamento e trocas de brincadeiras ao ar livre. Podem gerar problemas à saúde, como inatividade física e falta de vitaminas pela não exposição ao sol, sedentarismo...
  • Problemas em relação ao padrão alimentar (aumento e perda de peso, como não perceber os sinais de saciedade e também de fome);
  • Problemas relacionados ao sono (tecnologias contribuem para a diminuição dos hormônios que ajudam a dormir);
  • Problemas visuais (comprovado aumento dos casos de miopia);
  • Dores nas costas, postura inadequada, dores de cabeça;
  • Problemas auditivos causados pelo uso excessivo de fones de ouvido;
  • Aumento de casos de depressão e ansiedade pelo excesso.

Destacando o lado bom...

  • Pode ser forte aliada na aprendizagem, possibilitando acesso ao mundo da educação e da cultura;
  • Estimula interesses pessoais, servindo de motivação para o crescimento;
  • Pode ser utilizada de forma integrada de projetos pedagógicos, aproximando-se da geração e dos seus interesses;
  • Estreita laços afetivos entre os membros quando o uso em parceria é estimulado através de jogos e aplicativos educativos.

Orientação para os pais:

  • As crianças são vítimas e não vilãs. Não deixem as tecnologias educar seus filhos. Conduzam essa interação. Proibir não é a solução, apenas dosar na medida certa.
  • Os pais precisam colocar regras e horários para os filhos, utilizando o bom senso e coerência.
  • A tecnologia necessita de autodisciplina e autocontrole, comportamentos ainda em formação em crianças e adolescentes. Então, isso é papel dos pais.
  • Lembre-se que vocês não precisam possuir todo o tipo de tecnologia lançada. Tecnologia também está ligada ao consumismo.
  • Dependendo dos conteúdos, os jogos, séries, etc podem acarretar agressividade. 
  • A tecnologia pode gerar comportamentos egoístas e declínio da empatia pela falta de convívio social. Procure sempre dosar com programas que envolvam contato social.
  • Os pais podem escolher programas educativos ou jogos que estimulem a interação, criatividade e cognição. Certifique-se da idade, leia as instruções, assista ou participe desse momento.
  • Preste atenção em como você, pai e mãe, está fazendo o uso da tecnologia. Muitas vezes você aponta e esquece de fazer sua autoavaliação. 

Seria um retrocesso eliminar o avanço tecnológico. Não existem regras inflexíveis ou orientação única. Mas a aplicação de limites e regras ao uso da internet e jogos eletrônicos é imprescindível, com combinações claras e coerentes para todos os membros da família. O grande desafio é conseguir compreender a linha tênue entre o uso normal e abusivo e utilizar a tecnologia de forma organizada e controlada. 

 

 

 

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