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A importância dos objetos preferidos e inseparáveis da criança no desenvolvimento psicológico sadio - por Thainá Rocha

Sabe aquela dificuldade que os pais têm de fazer com que a criança abandone a chupeta? Ou largue aquele travesseirinho ou cobertorzinho que carrega para todos os lados? Ou ainda aquele ursinho já velho e sujinho? 

Hoje o assunto é Objeto Transicional. Se trata de um objeto que auxiliará a criança a experimentar as situações do mundo externo e diferenciar aquilo que faz parte dela (o que é interno) e o que não faz. Como assim? Vamos traduzir!

Um famoso psicanalista e pediatra inglês chamado Donald Winnicott explica que o bebê, no início da vida, tem a “ilusão” de que o seio da mãe é parte de seu próprio corpo. Assim, a mãe deve ir aos poucos estabelecendo uma distância da criança com o seio, onde a criança passará a perceber que o seio pertence à mãe, e não é parte dela (do bebê). 

A partir daí, o objeto transicional (que pertence à criança e não à mãe) entra em ação: além de ser seu é também controlado pela criança, ou seja, ela é quem decide quando quer ficar com ele ou quando quer ficar distante do tal objeto. Para que exista um desenvolvimento do processo de separação- individualização da criança com a mãe, é necessário a existência deste objeto transicional, que funciona como um “acalmador da ansiedade”.  É esse objeto que conforta a criança nas transições de “presença-ausência” do cuidador, como na hora de dormir, nas despedidas, no primeiro dia na creche e em outras tantas situações desconhecidas para a criança. 

Além disso, a criança faz com o objeto eleito o mesmo que faz com os pais ou suas figuras de referência afetiva: ama-os, mas pode odiá-los em alguns momentos. Há algumas experiências em comum entre as crianças e seus vínculos com o objeto transicional, como a dificuldade em se afastar dele (e em outros momentos o objeto é “esquecido” ou deixado de lado por um período), e em determinados momentos o objeto é maltratado e em outros é tratado com afeto. 

Tudo isso é muito natural e é extremamente importante que a criança vivencie estas situações, direcionando o cuidado, o amor, o ódio e à agressão a este objeto e percebendo que ele é capaz de sobreviver a isso, sem ser destruído, ou seja, esta é uma das formas que a criança constrói os sentimentos! Também é este objeto que vai ouvir segredos íntimos, estar ao lado, acompanhar, confortar e consolar, ou seja, servir de apoio, dar segurança. 

Como foi dito inicialmente, este objeto poderá ser um cobertor ou um paninho, um travesseiro, um bichinho de pelúcia ou até mesmo a chupeta. O objeto transicional é escolhido pela criança e é por isso que muitas vezes a tentativa dos pais de substituir tal objeto por outro novo, é frustrada.

Estes objetos também aparecem presentes juntamente com alguns personagens de histórias e desenhos infantis, já repararam?

Para concluir, o mais importante nisso tudo é que o objeto transicional exista e seja permitido sem interrupções. Eles não têm idade para serem deixados de lado. Uma vez que a criança o despreze, ela pode querer tê-lo de volta num momento mais delicado de sua vida, como nas situações de doenças, mudanças na rotina da família ou rupturas. Os pais não devem tentar influenciar na interrupção deste processo. Deve ser realizado até o final, isto é, até que o objeto perca o seu significado para a criança. O tempo que ele durará vai variar de criança para criança, de meio para meio. O que terá real importância será somente que ele seja permitido existir. Se o processo for concluído, se espera que a criança tenha um desenvolvimento psíquico saudável e poderá em sua vida confiar em si mesma e nas pessoas que a rodeiam. 

Thainá da Rocha Silva, Psicóloga especialista em infância e adolescência. 

Como encarar a chegada de um irmãozinho? - por Thainá Rocha

Assim como a primeira, a segunda gestação também provoca vários sentimentos ambivalentes nos pais: a alegria por estar novamente aguardando a chegada de um bebê e o medo de não saber dividir seu tempo e sua atenção com o filho mais velho. A criança também experimenta diferentes sentimentos, sendo que estes podem oscilar rapidamente (como de “muito empolgado” para “muito enciumado”), mas o mais importante: todos esses sentimentos devem ser tratados como naturais. Dificilmente uma criança não experimenta ciúmes com a chegada do irmão: muitas vezes o que varia neste caso é a intensidade, que dependerá das características individuais de cada criança, mas também de como cada família lida com a situação. É papel dos adultos ajudar os irmãos mais velhos a entenderem a novidade e a expressarem seus sentimentos.

Assim, a gravidez gera profundas transformações em toda dinâmica familiar, valendo ressaltar que o irmão primogênito vivencia também inúmeras dúvidas a respeito do que está acontecendo em sua vida, por vezes teme perder o seu lugar e o amor dos pais. Por causa desses medos é muito comum que adotem atitudes mais regressivas, como voltar a usar fraldas, chupeta, chorar por qualquer motivo, solicitar o colo dos pais, fazer mais “birras”, entre outros comportamentos. Crianças pequenas não sabem demonstrar seu sentimento de forma clara, usam esses comportamentos como sinal de que precisam de amparo e ajuda para elaborar essas transformações.

É importante, portanto, que os pais adotem uma postura de compreensão, diálogo, paciência e muito carinho. Este é o caminho para ajudar a criança mais velha a lidar de uma forma mais equilibrada com a gestação e o nascimento do irmãozinho.

Vamos às dicas práticas?

  • O primeiro passo, evidentemente, é contar ao filho mais velho que a mãe está grávida. Sabemos que as crianças, desde muito cedo, começam a perceber que “algo” está acontecendo. Elas podem captar conversas sérias ou animadas entre os adultos, ver sua mãe sentindo-se mal ou tensa e preocupada, notar outras mudanças na casa, etc;
  • Uma boa estratégia é descrever a nova rotina, explicando que o novo bebê vai demandar muitos cuidados por parte do pai e da mãe, e que ele sendo mais velho, poderá ajudar quando quiser. Porém, é importante não criar “obrigações” cedo demais para o irmão mais velho, mas valorizar o fato de ser maior e capaz de ajudar;
  • Pode-se, por exemplo, ajudar na compra do enxoval, na decoração do quarto, acompanhar a mãe em exames médicos, solicitar sua ajuda sempre que possível (valorizando suas potencialidades). Isso fará com que ele não se sinta deixado em segundo plano;
  • Apesar de todo esse envolvimento, vale lembrar que crianças muito pequenas não tem a mesma noção de tempo que os adultos possuem, ou seja, elas não conseguem compreender quanto tempo falta para a chegada do irmãozinho. Como a noção de tempo delas não é bem estruturada, o tempo usual de uma gestação pode ser vivido com muita ansiedade. Além disso, não conseguem compreender como uma pessoa de verdade está crescendo dentro da barriga da mãe. Essas expectativas muitas vezes contribuem para uma desorganização emocional das crianças. Criar alguma atividade lúdica com o uso de um “cronograma” (ou calendário) pode se tornar uma excelente ajuda nesse momento, afim de que a criança possa visualizar a evolução da gestação e o crescimento do bebê, e, concomitantemente, preparar-se para a chegada do novo membro da família; 
  • Oportunizar momentos em que a criança possa tocar a barriga da mãe, conversar e cantar para o mano, entre outras ideias que surgirem da criatividade da família;
  • Se a criança apresentar maiores dificuldades para entender o desenvolvimento do bebê, mostre fotos e vídeos dela enquanto pequena (nascimento, mamando, usando fraldas, brincando), de tal modo poderá ir compreendendo que também cresceu para estar com o tamanho e a idade que possui;
  • Outra dica valiosa é ler algumas historinhas ou assistir filmes que tratem do tema nascimento e/ou relacionamento entre irmãos; 
  • Após o nascimento do bebê, é importante conservar alguma rotina com o mais velho, continuando a dar atenção e manter os momentos e programações que compartilhavam anteriormente ao nascimento do irmão. 

 Thainá da Rocha Silva, Psicóloga especialista em infância e adolescência. 

Masturbação Infantil: como os adultos devem agir? - por Thainá Rocha

Desde os primeiros meses de vida, a criança começa uma jornada pela exploração do próprio corpo, chegando às zonas erógenas entre os 4 e 6 anos de idade. É nessa idade que as crianças começam a perceber as diferenças que existem entre meninos e meninas e a se identificar com a figura do pai ou da mãe. Para a criança, a masturbação é apenas uma manifestação curiosa de exploração biológica do corpo, e, quando percebe que é prazerosa, passa a repetir. Diferente do adulto, em que o prazer está além do físico, para a criança, é apenas uma experiência sensorial. 

Apenas uma experiência sensorial? Sim! É uma forma de exploração corporal como, por exemplo, o bebê faz ao colocar a mão na boca ou quando uma criança coloca uma semente do feijão no ouvido ou até mesmo morde o coleguinha para poder conhecer o corpo do outro. 

Lidar com a masturbação infantil ou atos de interesse nos genitais de outras crianças é uma dificuldade para muitas pessoas, pois, para muitos adultos, a situação ainda é tratada com preconceito e cercada de muitos tabus. Os pais e professores geralmente não sabem lidar com a situação, que deve ser encarada como algo natural – sem repressão. É consenso entre especialistas que bater, xingar e reprimir não é o caminho para tratar a masturbação na infância. 

Portanto, o que o adulto tem que ter clareza é que conhecer o próprio corpo e explorá-lo faz parte do desenvolvimento infantil. Ou seja: ao contrário dos adultos e adolescentes, as crianças não agem com malícia ao praticar a masturbação infantil. É descoberta!

Na prática:

  • A função dos pais é acompanhar e orientar os filhos, sem reprimi-los ou falar que isso é errado.
  • É preciso ajudar os pequenos a entender que o toque nos órgãos sexuais não é para ser praticado na frente das pessoas, sem repreendê-los e sem erotizar a situação.
  • A intervenção a respeito do assunto, quando necessária, deve ser através de uma conversa a sós com a criança. Como a criança irá compreender que é algo íntimo se você fala e chama a atenção a respeito deste assunto com a criança na frente de todo mundo? Incoerente, não acham? A abordagem deve ocorrer em particular, com uma conversa tranquila e natural. Os meninos e meninas precisam entender que o pênis e a vulva são partes do corpo para serem lidados quando eles estiverem sozinhos. Isso também ajuda as crianças a perceberem que o corpo é exclusividade delas.
  • Nunca se deve bater, xingar ou reprimir as crianças para tratar a masturbação infantil, mesmo se o comportamento for insistente. A criança ainda não entende que, moralmente, o comportamento em público não é bem aceito. E é responsabilidade dos pais ter calma e discernimento para ajudá-la a compreender isso.
  • Também devem ficar atentos à intensidade com que acontece. O ato se torna exagerado e motivo para preocupação quando a criança só quer fazer isso e nada mais. Nesses casos, a família deve procurar um atendimento especializado. 
  • Se o ato se dá de forma frequente, os pais também precisam observar em que situação a masturbação acontece: Acontece antes ou depois do quê? Como está o estado emocional da criança? 
  • Para orientar e responder as perguntas das crianças, os pais devem atentar para a fase de desenvolvimento da criança, prestando atenção na faixa etária dela. A dica principal é: responda na medida dos interesses delas. Nem a mais, nem a menos! 

Para crianças:
Segue algumas dicas de livros que abordam temas de maior curiosidade da criança: as diferenças dos corpos de meninos e meninas, como o bebê entra e como o bebê sai. É uma excelente forma de abordar esses temas com as crianças!

'Mamãe, como eu nasci?', de Marcos Ribeiro, aborda o tema da masturbação infantil. Em linguagem descomplicada e com ilustrações que auxiliam o entendimento dos pequenos, explica a diferença entre os corpos masculino e feminino, como acontece a relação sexual, o que é gravidez e até os tipos de parto. 

De Thierry Lenain, o trio 'Ceci quer um bebê', 'Os beijinhos da Ceci' e 'Ceci tem pipi?' aborda, abordam também grandes temas de curiosidade das crianças.

De Babette Cole, ‘Mamãe nunca me contou’ aborda temas que despertam a curiosidade das crianças, mas que as respostas demoram a chegar. Em ‘Mamãe botou um ovo’, os pais são confrontados pelos próprios filhos nas metáforas que usam para explicar de onde vem o bebê: “Nós achamos que vocês não sabem como os bebês são feitos de verdade. Então, vamos fazer uns desenhos pra mostrar como é”. A frase é proferida pelo casal de irmãos que dá uma “aula de sexo” para o pai e a mãe.

Para adolescentes:
Uma sugestão recomendada aos pais de adolescentes é o Manual de Educação em Sexualidade da Unesco: 'Cá entre nós: Guia de Educação Integral em Sexualidade Entre Jovens'.

 Thainá da Rocha Silva, Psicóloga especialista em infância e adolescência. 

Psicoterapia Infantil: Dúvidas Frequentes - por Thainá Rocha

Durante a infância, as crianças se deparam com um novo mundo a ser explorado e descoberto. Nesta fase da vida, elas vivenciam transformações e experiências até então desconhecidas, como alterações fisiológicas, corporais, mentais, comportamentais e emocionais. Somado a isso, uma gama de situações externas: Separação dos pais, nascimento de um irmãozinho, dormir sozinho no próprio quarto, perdas, passar algumas horas longe dos pais, tirar a fralda, enfrentar medos, enfim... as possibilidades de situações que podem ocorrer são variadas!

Somado a isso, a lista de afazeres e obrigações é extensa: tirar notas boas na escola, praticar esportes, falar um segundo idioma, dominar a informática. O resultado disso tudo? Muitas vezes uma pressão desmedida e insuportável para algumas crianças.

Conseguir corresponder às expectativas dos pais, professores, colegas e familiares torna-se então um pesadelo para muitos, que não conseguem expressar os sentimentos e frustrações por palavras. É neste contexto que entra a psicoterapia infantil.

Mas afinal, o que é a psicoterapia infantil?
A psicoterapia infantil tem por objetivo melhorar a qualidade de vida da criança, proporcionando uma infância feliz e saudável. A psicoterapia ajuda a identificar os seus medos, receios e insatisfações, através de um trabalho com as dificuldades pessoais do pequeno paciente.

A psicoterapia infantil também é destinada aos pais ou responsáveis, que precisam de uma orientação de como agir e lidar com acontecimentos que envolvem as crianças. Além disso, são frequentemente chamados para passar orientações, informar sobre a vida diária, narrar questões do desenvolvimento geral da criança e contar da evolução do tratamento.  O objetivo permanece sendo o bem-estar familiar, a prevenção e solução de problemas e este momento com os pais é fundamental para que a terapia repercuta para além do consultório.

Como é possível descobrir que a criança precisa de tratamento?
Ao contrário do adulto, que consegue compreender o que está acontecendo e o motivo de determinadas ações, as crianças utilizam outros métodos de comunicação para demonstrar sua angústia. Ter um comportamento totalmente diferente do que a criança até então demonstrava, se tornar agressiva e/ou agitada, criar hábitos estranhos, apresentar dificuldade de relacionamento com outras crianças da mesma idade, são, por exemplo, demonstrativos de que algo está errado.

Outras possibilidades são a falta de concentração, dificuldades de aprendizagem, distúrbios físicos, adoecer com frequência, choro e/ou tristeza sem motivo aparente e compulsão por comida ou jogos/internet também são sinais de que a criança precisa de ajuda especializada.

Cada criança irá sinalizar que algo está errado de uma forma diferente, é preciso estar atento aos sinais que ela dá. 

Como funciona a psicoterapia infantil?
Para entender e identificar os problemas das crianças, os psicólogos infantis adotam alternativas lúdicas, conhecida como Ludoterapia. Algumas atividades da Ludoterapia são brincadeiras, desenhos e jogos, sendo elas desenvolvidas e conforme a idade da criança. Este método possibilita conhecer profundamente a criança, incluindo suas aflições, comportamentos e sentimentos. A participação dos pais neste processo é muito importante, pois somente assim eles terão conhecimento sobre as dificuldades do filho.

A psicoterapia trabalhará diretamente com os conflitos internos e externos que provocavam a perturbação (sintoma) promovendo assim o alívio dos mesmos. Além de ajudar no desenvolvimento das crianças e dos adolescentes, a psicoterapia ajuda a criança a se redescobrir, orientando-a trilhar um caminho próprio e independente, sem importar com julgamentos ou rótulos.

A partir de que idade é recomendada?
Muitos pais adiam a visita a um psicólogo por acharem que seus filhos são novos demais para terapia, mas a verdade é que não existe idade certa para começar. O que acontece, muitas vezes, e que acaba gerando uma ideia distorcida sobre essa questão, é que alguns psicólogos preferem atender a partir de determinada idade. Mas não quer dizer que porque um profissional opta por atender a partir da idade “tal” (por estar melhor preparado para atender a partir daquela faixa etária) que o tratamento não possa iniciar mais cedo com outro profissional que trabalha com faixas etárias menores. Por isso é sempre importante informar-se sobre a área de atuação de cada terapeuta, pois dentro da psicologia existem uma infinidade de especializações e o ideal é procurar um profissional que melhor se adapte à sua necessidade. 

Então uma criança bem pequena pode fazer psicoterapia?
Sim! Obviamente, com objetivos diferentes de uma criança com idade maior. Lembrando: o plano terapêutico sempre será construído conforme a idade e estágio de desenvolvimento da criança e suas necessidades. Uma criança bem pequena poderá se beneficiar de um atendimento na presença da mãe, por exemplo, trabalhando o vínculo mãe-bebê. Isso irá proporcionar à criança o autoconhecimento e o conhecimento do mundo ao seu redor e à mãe a entender o comportamento da criança e estar segura para agir, assim facilitando o estabelecimento de vínculos futuros. Ou seja, o psicólogo não precisa somente entrar em cena quando já há um comportamento problema fixado, podendo também realizar um trabalho preventivo desde cedo. É também dentro deste olhar de tratamento preventivo que se pode perceber comportamentos e questões do desenvolvimento da criança pequena que estão de acordo (ou não) para o esperado para aquela faixa etária, já podendo ser realizado o trabalho de minimização de sintomas e intervenção desde o momento em que foram percebidas. 

Conclusão...
A psicoterapia infantil é uma ótima alternativa para garantir uma vida equilibrada, eliminando ou, pelo menos, amenizando dificuldades e sintomas que surgem ao longo do desenvolvimento na infância e adolescência, o que resulta em adultos mais seguros, tranquilos e satisfeitos.

 Thainá da Rocha Silva, Psicóloga especialista em infância e adolescência.

Quando ficar longe é preciso... Aprendendo a se despedir (e a tolerar!) - por Thainá Rocha

Sim... tempos modernos! Tem se tornado cada vez mais comum que um dos pais tenha uma vida profissional em que precise estar ausente. O fato de ter que permanecer longe de um filho, especialmente se for pequeno, pode gerar muito sofrimento, tanto para o adulto quanto para a criança. Portanto, é necessária a colaboração de toda família para que esta ausência não seja traumatizante.

Crianças pequenas, especialmente as que têm até seis anos de idade, apresentam comumente medo do abandono dos pais ou de sua perda. Então, é extremamente recomendado que ela sempre seja reforçada em saber que os pais irão voltar e quanto tempo ficarão longe. Mesmo que ela não tenha a noção de tempo bem organizada ainda, este tipo de orientação diminui sua angústia e constrói um vínculo de confiança com seus pais. Da mesma forma, é importante que o pai que for ficar longe demonstre que confia nos cuidadores substitutos, sejam os avós, uma babá ou outro familiar. Toda criança sente quando estamos inseguros e isto pode gerar angústia.

Algumas dicas práticas de como abordar a situação com a criança:

  • Explique o que é saudade e que é natural sentirmos falta de alguém que gostamos quando estamos longe;
  • Demonstre confiança no cuidador que ficará com a criança, explique que você sabe que ele ficará bem cuidado e que você só está indo viajar porque existe essa confiança;
  • Utilize algum recurso visual e concreto, que tenha a função de calendário, para que a criança possa acompanhar a passagem do tempo. Muitas vezes, principalmente quando se trata de crianças pequenas, elas não tem a noção de temporalidade e isto precisa ser construído através da orientação dos adultos e amadurecimento cognitivo. Por isso, tornar este processo visual, concreto e divertido auxilia a angústia de estar temporariamente separados de um dos pais;
  • Procure não aliviar sua culpa trazendo grandes presentes, mas é recomendado sim trazer algo significativo de sua viagem;
  • Deixe fotos suas para que a criança possa sentir-se acompanhada por você.

Estas dicas auxiliam bastante, porém o mais importante é sentir que a decisão de viajar é benéfica para os dois lados. Transparecer insegurança, sem sombra de dúvidas, é bastante prejudicial. Preparar a criança é essencial, mas esteja preparado você também!

É importante lembrar que, a respeito de estar longe, não necessariamente seja o caso que envolva uma viagem. Muitas vezes ficar algumas horas na casa da avó, os primeiros dias na nova escola, uma noite na casa de um coleguinha ou de um familiar, enfim, geram ansiedade na criança (e nos pais também, muitas vezes ainda mais do que na criança!) e parte do mesmo princípio fundamental já citado anteriormente: NÃO DEMONSTRAR INSEGURANÇA.

Na cabecinha da criança, a mensagem enviada vai mais ou menos assim: “se minha mãe está sentindo medo de me deixar aqui, isso pode ser perigoso para mim!”

É aí que entra também a famosa “Ansiedade de Separação”, e a origem dela começa mais cedo do que se imagina. 

Ela acontece por que, inicialmente, o bebê não tem a percepção de que ele e a mãe são seres distintos. É uma simbiose completa. Em torno dos seis meses (mas pode estar presente até em torno dos dois anos de idade), o bebê começa a moldar o que depois se transformará em independência. Mas nesta fase, ele ainda não se dá conta da constância dos objetos, ou seja, tudo aquilo que “some” pode nunca mais voltar. Por isso a choradeira quando você (e as pessoas mais significativas para o bebê) sai.

Sim, trata-se de uma fase normal do desenvolvimento e que demonstra que o seu filho está percebendo o mundo à sua volta. Agora que você já sabe de tudo isso, o que fazer de forma prática?

  • Não caia na tentação de sair escondido ou “de fininho”, despeça-se da criança com tranquilidade, dando “tchau” e dizendo que irá retornar;
  • Os chamados “objetos transicionais” ajudam a aumentar a segurança do pequeno. Pode ser um paninho, brinquedo, fraldinha… Qualquer objeto que lhe traga segurança;
  • Despeça-se, mas não prolongue este momento, certamente a criança irá parar de chorar alguns minutos depois quando estiver com outra pessoa em quem confia;
  • O “treino” para esse momento já pode começar quando seu filho ainda for um bebê: A famosa brincadeira de esconde-esconde e “achou!” são ótimos exercícios para que o bebê entenda a constância de sua presença e dos objetos;
  • Nunca é demais lembrar: procure controlar a própria ansiedade. Quanto mais tranquilo o adulto estiver, maior segurança passará para a criança. 

Para concluir, acredite que este momento irá passar. Muitas vezes, esta situação transforma-se em grande angústia e sofrimento (na criança e nos pais). Nesses casos, apoie-se e busque ajuda profissional.

Thainá da Rocha Silva, Psicóloga especialista em infância e adolescência.

Como falar sobre a morte com uma criança? - por Thainá Rocha

Afinal, por que e para que falar de um tema que pode ser tão triste, que nos traz e nos remete a tanto sofrimento? Por ter em si tanta dor, angústia e ansiedade, a morte é um tema bastante negado. 

E, pensando nas crianças, sabemos que muitas vezes esse assunto gera grande ansiedade por parte dos pais, assim como dificuldades em como abordá-lo e carregado de infinitas dúvidas. Como contar? Inventar uma história? Levar ao funeral? Não levar? Infelizmente, esse assunto se faz necessário a todos (sim, isso inclui a criança!).

Muitas vezes, para que a criança não sofra, a impedimos de olhar para a realidade da vida e suas perdas. Os ganhos são valorizados, e as perdas, muitas vezes, negadas. E, ao fazer isso, reforçamos a dificuldade de lidar com várias perdas vivenciadas ao longo da vida: o brinquedo que quebra, o animalzinho de estimação que morre, o amiguinho que se mudou para outra cidade, a morte de alguém...

De fato, é sim preciso ter cuidado em como falar da morte com as crianças. Porém, o adulto, em geral, adota uma atitude de negar a explicação sobre a morte e tenta, muitas vezes, afastá-la magicamente, procurando minimizar o significado que a morte pode ter como força ativa no desenvolvimento cognitivo, emocional e social da criança, o que acaba, na realidade, prejudicando seu desenvolvimento. Não abordar o assunto com a criança pode fazer surgir sintomas (físicos e psíquicos) de diferentes gravidades. A verdade pode ser triste, mas ignorá-la, pode adoecer!

Poupar as crianças da morte ou do conceito de morte achando que são muito pequenas para entender não é o ideal para que cresçam sem medo. Por isso os adultos são fundamentais para explicar que a morte faz parte do ciclo natural da vida.

O que elas são capazes de compreender conforme a idade?

Crianças de 0 a 2 anos: 

  • O conceito de morte não existe;
  • A morte é percebida como ausência e falta.

Crianças de 3 a 5 anos:

  • Compreendem a morte como um fenômeno temporário e reversível. Não entendem como uma ausência sem retorno;
  • Atribuem vida à morte, ou seja, não separam vida/morte. Não distinguem seres animados dos inanimados. Entendem a morte ligada à imobilidade;
  • Apresentam pensamento mágico e egocêntrico. Para elas, tudo é possível;
  • Compreendem a linguagem de modo literal/concreto.

Crianças de 6 a 9 anos:

  • Apresentam uma organização em relação a espaço e tempo;
  • Distinguem melhor os seres animados dos inanimados;
  • Entendem a oposição entre a vida e a morte, compreendendo a morte como um processo definitivo e permanente. Compreendem a irreversibilidade da morte;
  • Há uma diminuição do pensamento mágico, predominando o pensamento concreto;
  • Ainda não são capazes de explicar adequadamente as causas da morte;
  • Conseguem apreender o conceito de morte em sua totalidade (em relação à não funcionalidade, à irreversibilidade e à inevitabilidade da morte).

Crianças de 10 anos até a adolescência:

  • Devido ao pensamento formal, tornam-se mais abstratos. Já compreendem a morte como inevitável, irreversível e universal;
  • As explicações são de ordem natural, fisiológica e teológica.

Sendo assim, é possível perceber que crianças pequenas não conseguem perceber claramente que a morte é definitiva e irreversível, mas entendem que não mais brincará com o seu avô ou sua mãe não a levará mais para a escola, por exemplo. 

Já as mais velhas percebem que a morte é algo natural e precisam de explicações concretas para entender como a pessoa que morreu não vai mais se mexer, abrir os olhos, falar ou comer. 

Não é preciso esperar a ocorrência de uma morte próxima à criança para começar a falar deste assunto. Aproveite pequenas mortes (como a de insetos, plantas, etc) como oportunidades para a criança elaborar representações da morte e compreender o ciclo da vida. Explicar o processo de envelhecimento, principalmente se a criança tiver exemplos como um avô, e o porquê da morte também contribui para o entendimento menos traumatizante. Porém, não devemos enganá-las dizendo: “morremos quando formos velhinhos”. Sabemos que, lamentavelmente não é sempre assim: bebês morrem, crianças, jovens, adultos e idosos. Morremos quando a vida acaba. Tudo o que nasce, um dia morre. 

Outra forma de expor de forma concreta esse acontecimento é através de livros, que podem auxiliar os pais na hora de conversar com as crianças sobre o assunto, contendo palavras simples e de fácil assimilação por parte das crianças.

Algumas dicas de livros:

“Um gato tem 7 vidas” de Luísa Ducla Soares

“Menina Nina – Duas razões para não chorar” de Ziraldo

Começo, meio e fim” de Frei Betto

Algumas dicas práticas:

  • Fale e ouça a criança: O melhor a se fazer é deixar a criança perguntar o que quiser, encorajando-a a expressar o que sente. Responda as perguntas com palavras simples e frases curtas para que a criança possa entender o processo natural da morte. Ouvir com atenção é muito importante, porque os adultos tendem a responder numa questão simples muito mais do que é perguntado. As perguntas das crianças devem ser ouvidas com atenção pelos pais para que eles possam de fato endereçar a resposta à questão solicitada pela criança. As respostas devem ser breves, simples e coerentes com um entorno emocional tranquilo. 
  • Não evite falar sobre o assunto se a criança demonstrar necessidade: O “não dito” é absorvido pela criança que nem sempre compreende o que de fato está ocorrendo. A criança percebe que “algo” é ocultado pelas mudanças de comportamento do entorno familiar. Nesses casos, a criança pode passar a responder apresentando comportamentos desorganizados, agitados e sonhos assustadores sem conteúdo compreensível. Resumindo, orienta-se os pais a não deixarem seus filhos sem respostas uma vez que o silêncio não simplifica a vida da criança e tampouco a dos pais, ao contrário, promove confusão e angústia.
  • E se ela perguntar “O que acontece com os mortos?” Primeiro, elabore seus próprios conceitos e crenças sobre a morte. Depois, é importante explicar que nem todos pensam da mesma forma. Seja honesto! Nem sempre você terá todas as respostas. Não há problema algum em dizer “não sei!”. 
  • E se a pessoa for muito próxima? Se a morte for por doença, a criança deve estar a par de todo o processo. Explique que a pessoa está doente e que é grave, lembre do ciclo da vida da plantinha. Se a morte for inesperada, é preciso ser direto e sincero. Abra espaço para tirar todas as dúvidas que podem estar passando pela cabeça do pequeno. Não é necessário esconder as emoções, mas observe se sua atitude não está “traumatizando” a criança.
  • E se eu inventar uma historinha? Os pais sentem com frequência que devem proteger as crianças mais novas da perda de um ente querido. Porém, devem ir além de uma explicação lúdica e contar a verdade com clareza para melhor elaboração da perda. Evite falar que a pessoa dormiu para sempre ou descansou, a criança leva tudo ao “pé da letra” (como vimos anteriormente, principalmente as mais novas) e pode ficar com medo na hora de dormir ou achar que a pessoa que morreu acordará. A expressão “foi fazer uma longa viagem” ou “foi embora” também pode confundir a criança e levá-la a acreditar que todos aqueles que farão uma viagem podem nunca mais voltar ou até mesmo que a pessoa morta poderá voltar um dia. 
  • Participar ou não do funeral? As crianças não precisam ser expostas à funerais potencialmente traumáticos. Porém, nunca decida pela criança. Pergunte à ela! Grande parte dos especialistas concordam que o funeral só deve ser assistido pela criança se ela quiser. Não faça com que ela se sinta culpada se não desejar ir. O apoio das pessoas de sua confiança é muito importante. Se a decisão for de ir, explique como será e as cenas que ela visualizará ao seu redor, assim como a existência do caixão e de pessoas chorando. Também é importante escolher o período certo: momentos com potencial expressão de desespero ou de grande comoção emocional devem ser evitados. Também é importante que tanto o portador da notícia quanto quem a acompanhe no funeral seja alguém próximo em quem a criança confia.
  • Aceite e acolha as expressões emocionais da criança sem tentar suprimi-las. Considere que a criança pode comunicar a dor da perda por diversos comportamentos e não apenas em palavras. Reações de agressividade, medo, isolamento, perda de sono e apetite podem ocorrer.
  • Ofereça possibilidades: desenhos/pinturas, brincadeiras com personagens, conversas sobre histórias lidas sobre o tema, etc, para manifestação e reconhecimento dos sentimentos que a própria criança vivencia. O entendimento alivia a dor!

Concluindo...

A criança precisa saber da existência da morte, aceitá-la para enfim criar o seu processo de luto. Cada criança mostra o seu luto de diferentes modos e esse processo é fundamental para conseguir passar por esse momento sem criar culpa, medo ou traumas. Se o adulto tem medo da morte e tenta poupar a criança, ela reagirá da mesma forma. Mas se o adulto mostrar com naturalidade o ciclo da vida, a criança lidará de forma mais saudável com esse acontecimento.

Thainá da Rocha Silva, Psicóloga especialista em infância e adolescência.

Trabalhando a Timidez na Escola - por Thainá Rocha

"A ajuda do professor é fundamental para que essas crianças aprendam a lidar com a timidez."

No post anterior, escrevi a respeito da timidez, sobre a importância de sabermos identificar até que ponto se trata apenas de um traço da personalidade da criança e quando se torna um problema real, trazendo sofrimento e a prejudicando em diversas áreas.

Hoje sigo falando da timidez, enfatizando o contexto escolar. A escola é, muitas vezes, o primeiro contato “fora lar” que a criança encontra e não é à toa que muitos problemas emocionais e psicológicos sejam percebidos nela, onde a criança tem possibilidade de se expressar e se mostrar em um ambiente novo e diferente de casa. 

A timidez pode ser um desses problemas em que sua gravidade muitas vezes é melhor detectada no ambiente escolar, e é mais comum do que se imagina!

Enquanto muitas crianças brincam e se divertem na hora do recreio, outras ficam isoladas num cantinho. Na sala de aula quase não falam e participam pouco das atividades. Se esses comportamentos se dão de forma exagerada e frequente, a timidez pode atrapalhar (e muito!) a vida da criança, pois faz com que eles não se exponham e não tirem suas dúvidas com medo de falar besteira, por exemplo. A ajuda do professor é fundamental para que essas crianças aprendam a lidar com a timidez. Além disso, é comum a criança tímida ser esquecida pelo professor e pela turma, pois diferentemente da hiperativa, ela não atrapalha.

A criança tímida:

  • É insegura e tem baixa autoestima;
    Fica isolada do resto da turma;
    Não tem amigos (ou tem poucos);
    Não participa das atividades;
    Não interage com os colegas;
    Não se expõe;
    Observa mais do que fala.

Quando se sente exposto, o tímido geralmente:

  • Fica com a mão gelada;
    Sua;
    Sente frio na barriga;
    Sente dor e sofre;
    Fica com os batimentos cardíacos acelerados;
    Fica angustiado;
    Gagueja.

O que o professor deve fazer:

  • Ter paciência;
    Criar vínculo com os alunos; 
    Observar o comportamento dos alunos para saber suas limitações;
    Convidar a criança tímida a participar das atividades, mas não insistir se perceber que ela está sofrendo. É importante que ela sinta que faz parte do grupo;
    Promover a integração da criança no grupo;
    Elevar a autoestima do aluno com frases de incentivo e elogios;
    Propor atividades em dupla. Assim, os parceiros têm oportunidade de conversar e criar vínculos. Nesse ponto, o professor deve tomar muito cuidado, pois pode acontecer de as crianças mais tímidas não serem escolhidas e, assim, se sentirem rejeitadas; 
    Conduzir as atividades de forma que a turma não perceba que algumas crianças têm dificuldade para participar e se expressar;
    Conversar com a turma sobre as diferenças. Explique que cada pessoa é de um jeito e que não é preciso falar o tempo todo para ser legal;

O que o professor NÃO deve fazer:

  • Insistir para que uma criança fale ou participe de uma atividade;
    Expor o aluno, por exemplo, pedindo para ler em voz alta ou escrever/desenhar no quadro.

Dica de atividade de interação

Com esta brincadeira, sugerida no site “Revista Guia Infantil”, o professor consegue observar quais crianças são tímidas e quais são mais extrovertidas, além de falar sobre sentimentos! Realize esporadicamente e anote em um caderno o comportamento dos alunos. Assim, é possível acompanhar a evolução deles.

Materiais e Instruções:

  • TNT
    Cola
    Caneta hidrocor preta
    Sacolas de supermercado
    Tinta guache ou acrílica
    Tesoura
    Fita
    Pincel

Cole as duas partes do TNT, deixando uma das laterais sem colar para formar uma almofada. Com a caneta, desenhe num lado da almofada uma expressão feliz e do outro, uma expressão triste. Pinte as carinhas. Pela abertura, encha a almofada de sacolas plásticas.  Cole a lateral que ficou aberta e faça o acabamento com a fita.

 

 

A brincadeira:

  • Sente em círculo com os alunos, no chão. 
  • Jogue a almofada em direção a um aluno, que deverá pegá-la. 
  • Diga ao aluno que estiver com a almofada: “O que eu sinto quando... (invente uma situação, por exemplo, minha mãe briga comigo)”. A criança deverá completar a frase. Se ela não conseguir, ajude-a ou peça que desenhe como ela se sente.

Dicas de livros infantis:

 

Thainá da Rocha Silva, Psicóloga especialista em infância e adolescência.

Qual a melhor forma de falar sobre o divórcio para o seu filho? - por Thainá Rocha

O divórcio é uma decisão entre dois adultos, mas se há uma criança na relação é extremamente importante tomar alguns cuidados. Assim, é possível minimizar o impacto que este momento proporciona sobre a vida dos lhos. 

Conversar a respeito desta situação com a criança, muitas vezes, não é uma tarefa simples, mas precisa ser feita. 

Seguem algumas dicas: 

• Quanto mais nova a criança, menos ela consegue sustentar a atenção, então é importante explicar as coisas de uma forma rápida e objetiva. 

• É importante ver até que ponto ela vai entender tudo o que é falado: os pais não precisam contar detalhes de áreas que a criança ainda não tem maturidade para entender. 

• É importante que a criança veja o pai e a mãe, mas ela vai acabar vendo menos um do que o outro, então é fundamental que ela seja avisada disso nessa conversa. 

• Conte de uma forma clara e simples como as coisas serão daqui para frente na convivência com cada um dos pais e o mais importante: cumpra esse tratado feito com a criança. 

• Os adultos precisam deixar claro para os lhos que a sepa- ração é uma responsabilidade deles e não da criança, porque boa parte desses pequenos se sentem culpados pela decisão dos pais. Essa é uma a rmação que precisa ser feita não só na primeira conversa, mas em todo o processo de divórcio. 

Thainá da Rocha Silva Psicóloga especialista em infância e adolescência.

O medo na infância - por Thainá Rocha

Quando pequenos sentimos vários medos, alguns tão intensos que muitos os carregam ainda na vida adulta.  É importante saber que os medos são importantes para o desenvolvimento das crianças. Na dose certa, o medo é nosso aliado para a vida toda, porque nos alerta de algum risco que estamos correndo. Na infância, esse sentimento é uma resposta emocional frente a uma situação inédita e a incapacidade de dominá-la.

Os medos aumentam diante do novo, como a mudança de casa, escola, separação dos pais, morte ou quando a criança fica muito exposta a informações perturbadoras. 

Medos mais comuns por faixa etária:

Até os 6 meses: ruídos fortes ou gerado pela sensação da perda de segurança.
7 aos 11 meses: de pessoas estranhas.
1 ano: ficar longe dos pais, temendo que desapareçam. Esse medo se intensifica nos próximos três anos.
2 anos: de barulhos altos, de médico, de criaturas imaginárias.
3-4 anos: máscaras ou rosto coberto (palhaço, pessoas fantasiadas), escuro, monstros, insetos e de ficar sozinho.
5 anos: se machucar, de ladrão, de cachorro e de se perder dos pais.
6-7 anos: aqui a criança já possui um senso de realidade mais claro, porém ainda possui uma imaginação criativa, apresentando medo de bruxas, fantasmas, tempestades, de dormir sozinho ou que algo ruim aconteça aos seus pais.

Expressar os medos e falar sobre seus sentimentos é importantíssimo para que possam se desenvolver e criar relações seguras que servirão de base para estar no mundo de forma autoconfiante. 

Referência: LATTA, Nigel. Por dentro da cabeça do seu filho. Ed. Fundamento, 2009.

Thainá da Rocha Silva Psicóloga especialista em infância e adolescência.

Choro para ir à escola? - por Thainá Rocha

Pergunte a seu filho como ele se sente. Você pode dizer que irão trabalhar juntos para ajudá-lo. As crianças, muitas vezes, sabem do que precisam!

Tente identificar como estão as relações de seu filho e seu rendimento na escola. Essas situações costumam estar relacionadas com o medo/ansiedade.

Crianças muito cobradas podem ficar ansiosas. Acompanhe notas e tarefas, mas seja flexível. Nem mesmo os adultos conseguem sempre “nota 10”!

Perceba se houve alguma mudança importante na rotina de seu filho ou da família. As crianças são muito sensíveis e percebem quando algo não vai bem na vida familiar.

Seu filho pode estar tendo fantasias de que será esquecido ou com medo dos pais morrerem ou abandoná-los. Conte a ele o que estará fazendo e cuide para não se atrasar ao pegá-lo.


Estabeleça uma rotina: faça com que o preparo para ir à escola seja previsível para diminuir a ansiedade.

Peça para seu filho escolher um pequeno objeto para levar à escola: serve como um confortador, para que ele olhe quando sentir saudades ou medo. Só vocês saberão desse objeto, como uma forma de cumplicidade.

Converse sobre a coragem: Coragem é fazer alguma coisa mesmo quando se tem medo. Veja filmes (como o Rei Leão) ou conte historinhas que falam sobre o assunto. Ele vai se sentir melhor sabendo que não é o único a ter medo e se sentirá mais forte para enfrentá-lo.
 
Entendendo o que está acontecendo você logo deve perceber uma redução da ansiedade. Se isso não acontecer, procure ajuda profissional.

Thainá da Rocha Silva Psicóloga especialista em infância e adolescência.

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