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Surpresas - por Marcelo Oliveira

(...) a vida sempre tem suas surpresas é uma dimensão com horizontes infinitos.

Muitas pessoas são calculistas, pensam todos os passos que vão tomar na vida. Cada ano, mês ou dia é calculado, cada passo a ser dado ou que não será. Traçar objetivos e metas são próprios do ser humano. A evolução humana começa no momento que as sociedades começam a se organizar e planejar tudo desde cultivo as guerras. 

Mas como todos sabem planos e metas nem sempre saem como esperado. A vida nos traz surpresas, e isso faz com que a vida tenha um sentindo e que não sejamos apenas máquinas orgânicas. Todos os dias somos desafiados a corrigir nossos rumos, fazer coisas que nunca pensávamos em fazer e superar nossos limites. 

Nunca havia planejado ser pai, em certo momento da jornada estava com dois filhos, não biológicos, mas de coração. E com eles tive que aprender a ser pai sem ser, pensar mais nos outros e menos em mim. Eles foram crescendo e todas as preocupações inerentes também. Pré-adolescência, adolescência e ainda está tudo na metade! É a graça da vida, ser desafiado a ser e fazer o melhor a todo o instante.

Pensei que minha missão como família estava traçada e em rumo, contudo a vida não deixa nunca que possamos nos acomodar em nossa zona de conforto. E mais uma vez ela me presenteou com uma nova missão, um novo filho. Agora biológico. Mesmo sendo um susto para minha esposa, pois já não planejávamos mais filhos, senti que teria a missão de viver a paternidade em sua plenitude: da descoberta, a gestão para o nascimento...

Descobrir que vai ser pai supera qualquer dificuldade que se possa esperar, pois apesar dos desafios que ainda nos aguarda, um filho é, ou sempre deveria ser pelo menos, uma conjugação do amor de uma família. Bom, mas como eu disse a vida sempre tem suas surpresas é uma dimensão com horizontes infinitos. Apenas duas semanas depois de confirmar a gravidez descobrimos que não era um, mas dois, dois bebês. Desafio dobrado, preocupações em dobro, cansaço em dobro: Felicidade em dobro.  

A vida vai te desafiar sempre, e só amor que é colocado a cada desafio é o que determinar as vitórias, os tropeços e consequentemente quanto vai ser feliz ou quanto poderá tornar a vida de alguém melhor ou feliz. Mesmo tendo recebida uma noticia negativa na semana posterior à descoberta dos gêmeos em relação ao meu emprego, a emoção de saber que duas vidas ainda tão pequenas estão a caminho deste mundo, mesmo que tão bagunçando e incerto, não decaiu. Pois se você tem um motivo para desanimar a vida te dá dois para se levantar.

Marcelo Oliveira, mora em São Francisco de Paula e estuda Gestão Ambiental. Ler e escrever são paixões. O tema? O que o mundo lhe apresentar.

A erotização da Infância interessa a quem? - por Sueli Santos

Coisas que fazemos sem nos dar conta

A realização de desejos, uma estratégia de mercado do mundo capitalista, usa a propaganda como instrumento poderoso para induzir a população ao consumo. Esse é o grande vilão da indústria de brinquedos que joga com as fantasias infantis de poder com seus personagens grandiosos, mágicos e imbatíveis. Assim o consumo de bonecos com todo tipo de poder e seus acessórios, tais como máscaras, capas, espadas, barretes como elementos de combate aos monstros e às criaturas do mal, ganham espaço no mundo da fantasia das crianças, dando vazão em suas brincadeiras e potencializando seus supostos super poderes no enfrentamento contra os possíveis inimigos.

É difícil para os pais, quando os filhos pedem para ganhar esses brinquedos, resistirem ao apelo.  Nem há porque resistir ou negar esses pequenos prazeres às crianças. No entanto, é bom lembrar que também podemos conversar sobre isso com as crianças, falar sobre suas fantasias. Observar como brincam, com quem brincam, com quem brigam no seu mundo imaginário.

Brincar é uma excelente forma de elaborar os sentimentos de hostilidade, medo, violência, amor, solidariedade.  Brincando as crianças conseguem por para fora suas fantasias, também evidenciar suas angústias e todo tipo de afetos. Os adultos podem aprender muito observando as crianças, o que está se passando em suas fantasias e quem sabe, contribuir para que convivam melhor com a realidade por vezes ameaçadora no mundo da infância e dos adultos.

Atualmente, há um forte apelo à erotização da infância, principalmente em relação às meninas.  É cada vez mais comum o mercado de bonecas com namorados. Portanto, não basta comprar a boneca, é preciso comprar seu namorado. Esses personagens têm um guarda-roupa para diferentes eventos, o que não só induz a forma como se deve conduzir a fantasia das crianças, criando cenários e cenas, mas também geram mais elementos para desejar consumir.

A fantasia de namorar, tem escapado da brincadeira com as(os) bonecas(os), e extrapolado a barreira de uma situação lúdica para ganhar espaço entre as crianças, como se fossem adolescentes precoces ou adultos em miniatura criando jogos de sedução. Algumas vezes, observa-se que é estimulada a idéia de  meninas e meninos terem namorados, porque brincam juntos na escola e são companheiros de festinhas nos aniversários. 

Gostar de estar e brincar com alguma criança em particular ou algum grupo de crianças, é comum e desejável. Afinal é parte necessária da socialização da criança. Mas confundir esse gostar, essa identificação entre amigos com um interesse erótico, já é um pouco de mais.  O gostar de alguns amigos(as) na infância não tem relação com identificação de gênero, assim como não tem o caráter da sedução do adulto ou do interesse erótico do adulto.

Voltando ao mercado de consumo, no entanto, todas as faixas etárias estão na mira das  indústrias. Criando objetos de desejo para todas as idades, o mundo consumidor, sem filtro, procura seguir a tendência do mercado, como se diz na linguagem econômica, sem entender o que está movendo e provocando esse desejo.  Em outro momento discutiremos outras faixas etárias. 

No presente artigo, tomo como referência a infância. O que nos parece assustador é que os pais, sensibilizados pelas demandas de seus filhos, respondem sem crítica a esses apelos que são criados pelo consumo. Assim, vemos crescer de forma vertiginosa a cosmética de todo tipo de maquilagem para crianças, gel para deixar os cabelos em pé para meninas o que não excluindo os meninos; assim como sapatos com saltinhos, moda que se assemelha ou ‘combina’ com as roupas e complementos da mamãe e do papai. 

Aqui surge uma dúvida: com a idéia de vestir todos iguais se pretende rejuvenescer ou infantilizar os pais? Ou se pretende ‘amadurecer’ as crianças? Qualquer resposta afirmativa seria um equívoco. Adultos e crianças não são iguais. Pais e filhos não são uma só pessoa, como um jogo de espelhos: eu sou você amanhã.

Quando as crianças, em casa, usem as roupas dos pais, isso decorre de uma fantasia de identificação, de parecer com os pais. Isso é importante enquanto modelos identificatórios. No entanto, quando se vai a uma loja e tem uma oferta de roupas e acessórios semelhantes entre adultos e crianças, não há nessa situação a fantasia das crianças como elaboração de identificação com os pais. Há uma armadilha para produzir fantasias de consumo.

O que aí se oferece é uma sugestão de que se pode alterar a realidade e voltar a ser criança, ou adulto em miniatura; ou quem sabe copiar o ‘boneco’ dos pais, posto que apenas a aparência, a imagem está em jogo.  Podemos pensar o mesmo em relação a estimular a foto de crianças se beijando, ou a crianças beijando um dos pais na boca, e/ou fazendo caras e bocas de sedução frente a uma câmera para o álbum de família, ou pior, exibir nas redes sociais.

Talvez aí se exiba a fantasia dos adultos de uma ilusão de precocidade erótica que não é da criança, mas da imaturidade dos adultos que exibem suas próprias fantasias sobre um mundo infantil que é seu.  Expor fotos de crianças em poses eróticas e olhares lânguidos, ensina a criança a se exibir como objeto, violentando a infância. Se esse escrito fizer algum sentido para você, discuta, compartilhe. A infância e também seus filhos, agradecerão.  

Dra. Sueli Souza dos Santos: Psicóloga, Psicanalista, Mestre em Psicologia Social e Doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Masturbação Infantil: como os adultos devem agir? - por Thainá Rocha

Desde os primeiros meses de vida, a criança começa uma jornada pela exploração do próprio corpo, chegando às zonas erógenas entre os 4 e 6 anos de idade. É nessa idade que as crianças começam a perceber as diferenças que existem entre meninos e meninas e a se identificar com a figura do pai ou da mãe. Para a criança, a masturbação é apenas uma manifestação curiosa de exploração biológica do corpo, e, quando percebe que é prazerosa, passa a repetir. Diferente do adulto, em que o prazer está além do físico, para a criança, é apenas uma experiência sensorial. 

Apenas uma experiência sensorial? Sim! É uma forma de exploração corporal como, por exemplo, o bebê faz ao colocar a mão na boca ou quando uma criança coloca uma semente do feijão no ouvido ou até mesmo morde o coleguinha para poder conhecer o corpo do outro. 

Lidar com a masturbação infantil ou atos de interesse nos genitais de outras crianças é uma dificuldade para muitas pessoas, pois, para muitos adultos, a situação ainda é tratada com preconceito e cercada de muitos tabus. Os pais e professores geralmente não sabem lidar com a situação, que deve ser encarada como algo natural – sem repressão. É consenso entre especialistas que bater, xingar e reprimir não é o caminho para tratar a masturbação na infância. 

Portanto, o que o adulto tem que ter clareza é que conhecer o próprio corpo e explorá-lo faz parte do desenvolvimento infantil. Ou seja: ao contrário dos adultos e adolescentes, as crianças não agem com malícia ao praticar a masturbação infantil. É descoberta!

Na prática:

  • A função dos pais é acompanhar e orientar os filhos, sem reprimi-los ou falar que isso é errado.
  • É preciso ajudar os pequenos a entender que o toque nos órgãos sexuais não é para ser praticado na frente das pessoas, sem repreendê-los e sem erotizar a situação.
  • A intervenção a respeito do assunto, quando necessária, deve ser através de uma conversa a sós com a criança. Como a criança irá compreender que é algo íntimo se você fala e chama a atenção a respeito deste assunto com a criança na frente de todo mundo? Incoerente, não acham? A abordagem deve ocorrer em particular, com uma conversa tranquila e natural. Os meninos e meninas precisam entender que o pênis e a vulva são partes do corpo para serem lidados quando eles estiverem sozinhos. Isso também ajuda as crianças a perceberem que o corpo é exclusividade delas.
  • Nunca se deve bater, xingar ou reprimir as crianças para tratar a masturbação infantil, mesmo se o comportamento for insistente. A criança ainda não entende que, moralmente, o comportamento em público não é bem aceito. E é responsabilidade dos pais ter calma e discernimento para ajudá-la a compreender isso.
  • Também devem ficar atentos à intensidade com que acontece. O ato se torna exagerado e motivo para preocupação quando a criança só quer fazer isso e nada mais. Nesses casos, a família deve procurar um atendimento especializado. 
  • Se o ato se dá de forma frequente, os pais também precisam observar em que situação a masturbação acontece: Acontece antes ou depois do quê? Como está o estado emocional da criança? 
  • Para orientar e responder as perguntas das crianças, os pais devem atentar para a fase de desenvolvimento da criança, prestando atenção na faixa etária dela. A dica principal é: responda na medida dos interesses delas. Nem a mais, nem a menos! 

Para crianças:
Segue algumas dicas de livros que abordam temas de maior curiosidade da criança: as diferenças dos corpos de meninos e meninas, como o bebê entra e como o bebê sai. É uma excelente forma de abordar esses temas com as crianças!

'Mamãe, como eu nasci?', de Marcos Ribeiro, aborda o tema da masturbação infantil. Em linguagem descomplicada e com ilustrações que auxiliam o entendimento dos pequenos, explica a diferença entre os corpos masculino e feminino, como acontece a relação sexual, o que é gravidez e até os tipos de parto. 

De Thierry Lenain, o trio 'Ceci quer um bebê', 'Os beijinhos da Ceci' e 'Ceci tem pipi?' aborda, abordam também grandes temas de curiosidade das crianças.

De Babette Cole, ‘Mamãe nunca me contou’ aborda temas que despertam a curiosidade das crianças, mas que as respostas demoram a chegar. Em ‘Mamãe botou um ovo’, os pais são confrontados pelos próprios filhos nas metáforas que usam para explicar de onde vem o bebê: “Nós achamos que vocês não sabem como os bebês são feitos de verdade. Então, vamos fazer uns desenhos pra mostrar como é”. A frase é proferida pelo casal de irmãos que dá uma “aula de sexo” para o pai e a mãe.

Para adolescentes:
Uma sugestão recomendada aos pais de adolescentes é o Manual de Educação em Sexualidade da Unesco: 'Cá entre nós: Guia de Educação Integral em Sexualidade Entre Jovens'.

 Thainá da Rocha Silva, Psicóloga especialista em infância e adolescência. 

Como falar sobre a morte com uma criança? - por Thainá Rocha

Afinal, por que e para que falar de um tema que pode ser tão triste, que nos traz e nos remete a tanto sofrimento? Por ter em si tanta dor, angústia e ansiedade, a morte é um tema bastante negado. 

E, pensando nas crianças, sabemos que muitas vezes esse assunto gera grande ansiedade por parte dos pais, assim como dificuldades em como abordá-lo e carregado de infinitas dúvidas. Como contar? Inventar uma história? Levar ao funeral? Não levar? Infelizmente, esse assunto se faz necessário a todos (sim, isso inclui a criança!).

Muitas vezes, para que a criança não sofra, a impedimos de olhar para a realidade da vida e suas perdas. Os ganhos são valorizados, e as perdas, muitas vezes, negadas. E, ao fazer isso, reforçamos a dificuldade de lidar com várias perdas vivenciadas ao longo da vida: o brinquedo que quebra, o animalzinho de estimação que morre, o amiguinho que se mudou para outra cidade, a morte de alguém...

De fato, é sim preciso ter cuidado em como falar da morte com as crianças. Porém, o adulto, em geral, adota uma atitude de negar a explicação sobre a morte e tenta, muitas vezes, afastá-la magicamente, procurando minimizar o significado que a morte pode ter como força ativa no desenvolvimento cognitivo, emocional e social da criança, o que acaba, na realidade, prejudicando seu desenvolvimento. Não abordar o assunto com a criança pode fazer surgir sintomas (físicos e psíquicos) de diferentes gravidades. A verdade pode ser triste, mas ignorá-la, pode adoecer!

Poupar as crianças da morte ou do conceito de morte achando que são muito pequenas para entender não é o ideal para que cresçam sem medo. Por isso os adultos são fundamentais para explicar que a morte faz parte do ciclo natural da vida.

O que elas são capazes de compreender conforme a idade?

Crianças de 0 a 2 anos: 

  • O conceito de morte não existe;
  • A morte é percebida como ausência e falta.

Crianças de 3 a 5 anos:

  • Compreendem a morte como um fenômeno temporário e reversível. Não entendem como uma ausência sem retorno;
  • Atribuem vida à morte, ou seja, não separam vida/morte. Não distinguem seres animados dos inanimados. Entendem a morte ligada à imobilidade;
  • Apresentam pensamento mágico e egocêntrico. Para elas, tudo é possível;
  • Compreendem a linguagem de modo literal/concreto.

Crianças de 6 a 9 anos:

  • Apresentam uma organização em relação a espaço e tempo;
  • Distinguem melhor os seres animados dos inanimados;
  • Entendem a oposição entre a vida e a morte, compreendendo a morte como um processo definitivo e permanente. Compreendem a irreversibilidade da morte;
  • Há uma diminuição do pensamento mágico, predominando o pensamento concreto;
  • Ainda não são capazes de explicar adequadamente as causas da morte;
  • Conseguem apreender o conceito de morte em sua totalidade (em relação à não funcionalidade, à irreversibilidade e à inevitabilidade da morte).

Crianças de 10 anos até a adolescência:

  • Devido ao pensamento formal, tornam-se mais abstratos. Já compreendem a morte como inevitável, irreversível e universal;
  • As explicações são de ordem natural, fisiológica e teológica.

Sendo assim, é possível perceber que crianças pequenas não conseguem perceber claramente que a morte é definitiva e irreversível, mas entendem que não mais brincará com o seu avô ou sua mãe não a levará mais para a escola, por exemplo. 

Já as mais velhas percebem que a morte é algo natural e precisam de explicações concretas para entender como a pessoa que morreu não vai mais se mexer, abrir os olhos, falar ou comer. 

Não é preciso esperar a ocorrência de uma morte próxima à criança para começar a falar deste assunto. Aproveite pequenas mortes (como a de insetos, plantas, etc) como oportunidades para a criança elaborar representações da morte e compreender o ciclo da vida. Explicar o processo de envelhecimento, principalmente se a criança tiver exemplos como um avô, e o porquê da morte também contribui para o entendimento menos traumatizante. Porém, não devemos enganá-las dizendo: “morremos quando formos velhinhos”. Sabemos que, lamentavelmente não é sempre assim: bebês morrem, crianças, jovens, adultos e idosos. Morremos quando a vida acaba. Tudo o que nasce, um dia morre. 

Outra forma de expor de forma concreta esse acontecimento é através de livros, que podem auxiliar os pais na hora de conversar com as crianças sobre o assunto, contendo palavras simples e de fácil assimilação por parte das crianças.

Algumas dicas de livros:

“Um gato tem 7 vidas” de Luísa Ducla Soares

“Menina Nina – Duas razões para não chorar” de Ziraldo

Começo, meio e fim” de Frei Betto

Algumas dicas práticas:

  • Fale e ouça a criança: O melhor a se fazer é deixar a criança perguntar o que quiser, encorajando-a a expressar o que sente. Responda as perguntas com palavras simples e frases curtas para que a criança possa entender o processo natural da morte. Ouvir com atenção é muito importante, porque os adultos tendem a responder numa questão simples muito mais do que é perguntado. As perguntas das crianças devem ser ouvidas com atenção pelos pais para que eles possam de fato endereçar a resposta à questão solicitada pela criança. As respostas devem ser breves, simples e coerentes com um entorno emocional tranquilo. 
  • Não evite falar sobre o assunto se a criança demonstrar necessidade: O “não dito” é absorvido pela criança que nem sempre compreende o que de fato está ocorrendo. A criança percebe que “algo” é ocultado pelas mudanças de comportamento do entorno familiar. Nesses casos, a criança pode passar a responder apresentando comportamentos desorganizados, agitados e sonhos assustadores sem conteúdo compreensível. Resumindo, orienta-se os pais a não deixarem seus filhos sem respostas uma vez que o silêncio não simplifica a vida da criança e tampouco a dos pais, ao contrário, promove confusão e angústia.
  • E se ela perguntar “O que acontece com os mortos?” Primeiro, elabore seus próprios conceitos e crenças sobre a morte. Depois, é importante explicar que nem todos pensam da mesma forma. Seja honesto! Nem sempre você terá todas as respostas. Não há problema algum em dizer “não sei!”. 
  • E se a pessoa for muito próxima? Se a morte for por doença, a criança deve estar a par de todo o processo. Explique que a pessoa está doente e que é grave, lembre do ciclo da vida da plantinha. Se a morte for inesperada, é preciso ser direto e sincero. Abra espaço para tirar todas as dúvidas que podem estar passando pela cabeça do pequeno. Não é necessário esconder as emoções, mas observe se sua atitude não está “traumatizando” a criança.
  • E se eu inventar uma historinha? Os pais sentem com frequência que devem proteger as crianças mais novas da perda de um ente querido. Porém, devem ir além de uma explicação lúdica e contar a verdade com clareza para melhor elaboração da perda. Evite falar que a pessoa dormiu para sempre ou descansou, a criança leva tudo ao “pé da letra” (como vimos anteriormente, principalmente as mais novas) e pode ficar com medo na hora de dormir ou achar que a pessoa que morreu acordará. A expressão “foi fazer uma longa viagem” ou “foi embora” também pode confundir a criança e levá-la a acreditar que todos aqueles que farão uma viagem podem nunca mais voltar ou até mesmo que a pessoa morta poderá voltar um dia. 
  • Participar ou não do funeral? As crianças não precisam ser expostas à funerais potencialmente traumáticos. Porém, nunca decida pela criança. Pergunte à ela! Grande parte dos especialistas concordam que o funeral só deve ser assistido pela criança se ela quiser. Não faça com que ela se sinta culpada se não desejar ir. O apoio das pessoas de sua confiança é muito importante. Se a decisão for de ir, explique como será e as cenas que ela visualizará ao seu redor, assim como a existência do caixão e de pessoas chorando. Também é importante escolher o período certo: momentos com potencial expressão de desespero ou de grande comoção emocional devem ser evitados. Também é importante que tanto o portador da notícia quanto quem a acompanhe no funeral seja alguém próximo em quem a criança confia.
  • Aceite e acolha as expressões emocionais da criança sem tentar suprimi-las. Considere que a criança pode comunicar a dor da perda por diversos comportamentos e não apenas em palavras. Reações de agressividade, medo, isolamento, perda de sono e apetite podem ocorrer.
  • Ofereça possibilidades: desenhos/pinturas, brincadeiras com personagens, conversas sobre histórias lidas sobre o tema, etc, para manifestação e reconhecimento dos sentimentos que a própria criança vivencia. O entendimento alivia a dor!

Concluindo...

A criança precisa saber da existência da morte, aceitá-la para enfim criar o seu processo de luto. Cada criança mostra o seu luto de diferentes modos e esse processo é fundamental para conseguir passar por esse momento sem criar culpa, medo ou traumas. Se o adulto tem medo da morte e tenta poupar a criança, ela reagirá da mesma forma. Mas se o adulto mostrar com naturalidade o ciclo da vida, a criança lidará de forma mais saudável com esse acontecimento.

Thainá da Rocha Silva, Psicóloga especialista em infância e adolescência.

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