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Para continuar estudando... - por Thainá Rocha

Costuma-se comentar por aí que filho deveria vir com manual de instruções, não é mesmo? O fato é que eles não vêm. Mas não se desespere! Existe, sim, esperança!

O objetivo aqui é indicar alguns livros que podem ajudar você a continuar estudando sobre o universo do seu filho, para a compreensão de características do desenvolvimento das crianças e dos adolescentes e para a reflexão sobre as consequências dos nossos atos junto a eles.

  • Pais liberados, filhos liberados (Faber, A; Mazlish,E.);
  • Como falar para seu filho ouvir e como ouvir para seu filho falar (Faber, A; Mazlish,E);
  • Entre pais e filhos (Ginot, H.)
  • Como educar meu filho (Sayão, R.)
  • Somos pais! E agora? (Albisetti, V.)
  • Como ser bons pais e criar ótimos filhos (Davidson, A; Davidson, R.)
  • Quando é necessário dizer não: a dinâmica das emoções na relação pais e filhos (Mantovani, M.)
  • Os adolescentes. Nem adultos, nem crianças: seres à procura de uma identidade própria (Palmonari, A.)
  • Separação saudável, filhos estáveis (Acevedo, A.)
  • Dicas para pais de primeira viagem (Brett, S.)
  • Crianças francesas não fazem manha (Drukerman, P.)
  • Mamãe conta tudo (Fiorillo, F.)
  • Soluções para disciplina sem choro (Pantley, E.)
  • Limites sem trauma (Zagury, T.)

 

Boa leitura!

Thainá da Rocha Silva, Psicóloga especialista em infância e adolescência.

Se você não parar com isso vai apanhar... • Parte VII • Conclusão - por Thainá Rocha

Sobre os Castigos Físicos

Os castigos físicos são o principal exemplo de castigos para fazer sofrer. Segundo uma pesquisa realizada em 2009, 69% dos entrevistados afirmaram que existe situações em que é justo bater nas crianças para que percebam o erro cometido.
A agressão física não é a melhor atitude para resolver nenhum tipo de conflito. Por quê? Por que fere um princípio: o da integridade física e psicológica. Atualmente, no Brasil, a Lei n.13.010/2014 estabelece o direito da criança e do adolescente de serem educados e cuidados sem o uso de castigos físicos ou tratamento cruel ou degradante como formas de correção, disciplina, educação ou qualquer outro pretexto.
Pais ou responsáveis que utilizam os castigos corporais moderados ou severos são pessoas que apresentam um ou mais dos seguintes fatores:

• Aprovam castigos corporais;
• Viveram a experiência dos castigos corporais quando criança;
• Apresentam sentimento de raiva em relação a conflitos com as crianças;
• Interpretam o comportamento da criança como um desafio à sua própria pessoa.
• Vivenciam tensões conjugais ou de outros tipos, como profissionais ou financeiras.

As consequências do uso delas podem ser físicas (marcas avermelhadas na pele, dor física leve, queimaduras, fraturas, até a morte) e/ou emocionais:

• Sentimentos de raiva e de medo quanto ao agressor;
• Quadros de problemas escolares;
• Dificuldade para confiar nos outros;
• Autoritarismo;
• Delinquência (roubo, uso de drogas, etc.)
• Violência doméstica.

Talvez você esteja pensando que a violência e o espancamento seja realmente um ato agressivo e que pode desencadear todos os problemas mencionados. Mas e quanto a palmada, há diferença?

Palmadas

A palmada também não tem nenhuma relação com o comportamento que desejamos corrigir, já que não leva a criança a se responsabilizar pelo erro cometido, nem desencadeia a tomada de consciência da regra quebrada. O conseguimos com ela então?
Eis a fala de alguns pais:
“Partimos para a palmada quando já falamos muitas vezes e a criança não ouviu”
“Quando a situação está no limite e não aguentamos mais”
“Tem o objetivo de dar um susto na criança”
“É para a criança perceber quem é que manda”
“A palmada não deve ser forte, mas precisa doer na criança para ela sentir que não estamos gostando do que ela está fazendo”

Bem, parece ser na verdade uma medida de emergência e uma estratégia que eles utilizam em duas situações: ou quando julgam já ter esgotado todos os recursos, como diálogos, explicações, ameaças, barganhas, e nada tenha funcionado; ou quando realmente a criança ou adolescente apresentou um comportamento tão inadequado que necessita de uma intervenção mais radical. Segundo esses pais, a palmada tem um objetivo disciplinador. Por isso que a maioria deles não acredita ou compreende que está violentando ou agredindo o próprio filho, mas educando-o.

Você já sentiu uma culpa terrível depois de ter dado aquela palmada na sua filha respondona? Por outro lado, você se autojustifica pensando que também apanhou bastante quando criança e não percebe que isso lhe tenha causado algum dano considerável?
A palmada tem um efeito colateral seríssimo, que é o fato de poder interferir no desenvolvimento da consciência da criança, pois a surra alivia a culpa com muita facilidade. Como assim?

Eis a fórmula:
A criança age errado. Leva uma palmada. Pronto! Já “pagou” pelo seu “erro”.
O contrário disso também pode acontecer. A palmada, o beliscão, o puxão de orelha podem gerar na criança o sentimento de que é muito má ou desobediente, e, por isso, merece esse tipo de tratamento. Existem ainda muitos adultos que guardam esse sentimento: “Eu apanhei dos meus pais e por isso me tornei um homem do bem” ou “aprendi a respeitar meus pais porque eles sabiam colocar limites e nos corrigiam na hora certa, sem ter medo de nos bater quando merecíamos”.

O que nos ensinou a ser pessoas de bem foi a palmada? Não estaríamos aqui confundindo agressão com educação? Por que será então que para algumas crianças as palmadas não são o ponto final? E se seu filho continuar desobedecendo mesmo depois da palmada? Partimos, assim, para quê, no caso? Que modelos oferecemos aos nosso filhos na hora que resolvemos um conflito com palmadas?

Exemplo de caso:
Dois irmãos, de 3 e 5 anos, se agrediam em uma briga por causa de um brinquedo. A mãe tentou separa-los, mas eles estavam furiosos um com o outro e não ouviam seus apelos. Então, ela tirou o chinelo e deu uma chinelada em cada um para que parassem com aquilo. Bem, essa mãe tentava ensinar que irmãos não deviam se agredir, mas a atitude que tomou foi exatamente aquela que estava reprovando nos filhos. A mensagem que as crianças receberem foi: “Só os mais fortes podem bater”. Ou ainda: “Isso mesmo! Quando temos um problema, o caminho mais curto para resolve-lo é tirar o chinelo”.
Você ficaria irritado e indignado caso uma professora batesse no seu filho para corrigi-lo e educa-lo? Por que você pode bater no seu filho e ela não? A justificativa para não bater nas pessoas e nas crianças não seria a mesma para vocês dois?

Outra questão: não há quem possa achar certo ou normal um filho bater em um pai. Nunca se deve permitir que os filhos batam nos pais. Situações inaceitáveis de pais e mães que não impedem a agressão das crianças que chutam, mordem, batem e xingam os adultos são constrangedoras e nos deixam indignados, não é mesmo? Então, por que não ficamos indignados quando vemos um pai batendo em um filho?
Como você se sentiria se o seu chefe, irritado porque o relatório que você entregou não ficou como ele esperava, lhe desse umas palmadas?

Então... é possível educar em palmadas? Os próprios pais responderam.
Você, como pai ou mãe, deve disciplinar, educar e impor limites aos filhos, sim. Isso é essencial para o crescimento, desenvolvimento e para a saúde psicológica deles. Infelizmente, o castigo físico pode resolver os problemas naquele momento imediato, mas a longo prazo, trata-se de uma estratégia que não educa e ainda pode trazer consequências muito sérias à formação da personalidade.

Fiquei muito feliz com a repercussão dos textos que escrevi sobre o tema. Uma mãe me relatou que jamais havia pensado em quais regras estava trabalhando com o filho e como ensina-lo a agir de outra maneira. O resultado é que hoje afirma conseguir se controlar muito mais para conversar e orientar seu filho. Outra mãe me falou que achava inconveniente essas dicas de especialistas tentando ensinar os pais a educarem os seus filhos. Porém, colocou em prática algumas questões aqui abordadas e tem se impressionado com o progresso e proximidade alcançados junto aos filhos de 6 e 10 anos. E também o quanto a escrita desse material foi produtiva para orientar professoras com relação ao trabalho de disciplina nas salas de aula. E você, por que não tenta também e constata por si só essa possibilidade?
Depois você me conta como foi?

Espero que os textos dessa temática tenham sido suficientes para lhes convencer de que é possível educar sem palmadas. Seres humanos não precisam delas, nem de quaisquer tipos de castigos físicos. Seres humanos precisam de oportunidades de aprender a ser humanos.

“Se você não parar com isso vai apanhar...” • Parte III - por Thainá Rocha

REGRAS

Quando a criança nasce, já começamos a ensiná-la algumas regras, como por exemplo, na amamentação. Algumas mães conseguem organizar uma rotina para seus bebês desde os primeiros meses. Com carinho, respeito e atenção, estabelecem limites, já ensinando-lhes concretamente algumas delas.

Os seres humanos desde o nascimento estão inseridos em um mundo com regras, sendo extremamente necessárias para uma convivência harmoniosa. As crianças devem aprender, ao se relacionar com os adultos, o conhecimento das regras que organizam a convivência do grupo ou da família na qual estão inseridas. É quando as crianças podem começar a aprender sobre elas e também sobre como as aprendem.

As crianças nascem sem nenhum conhecimento sobre o certo e o errado. Os bebês estão descobrindo o mundo através de suas ações, percepções e sensações. O começo de tudo acontece no sentimento de obrigação que a criança desenvolve em relação aos mais velhos, especialmente aos pais e professores. Esse sentimento, que a leva a obedecer, é a soma de outros dois sentimentos, segundo Jean Piaget, biólogo e psicólogo que se empenhou a estudar o desenvolvimento infantil. O primeiro é o de afeto pelos adultos, o amor. O segundo, o respeito.

Há pais que têm medo de perder o amor dos filhos e acreditam que não podem negar nada a eles. Acreditam muitas vezes que se os corrigirem, eles não gostarão mais deles.  Ainda há pais que não suportam ver os filhos contrariados ou chorando e, para evitar isso, acabam cedendo a todas as vontades e birras. E há ainda outra “categoria” de pais: os vencidos pelo cansaço. É um dos mais comuns, devido às exigências da vida que causam o estresse, a falta de tempo, e por aí vai, fazendo com que os pais “se rendam” aos filhos. É aí que a fórmula de Jean Piaget (equilíbrio entre amor e respeito) vai por água abaixo...

Mas então, como as crianças aprendem regras?

A resposta é essa: a partir do sentimento (em equilíbrio) de respeito e amor/afeto que a criança sente pelo adulto, é que se inicia um processo de imitação das regras recebidas e a utilização individual desses exemplos. Ou seja, a criança necessita que os pais ensinem-lhe as regras. E aqui cabe uma diferenciação muito importante: os pais podem ensinar os filhos a obedecer a eles próprios ou a obedecer às regras de forma geral.

Como assim? Isso não é muito fácil de se perceber no dia-a-dia, mas faz uma diferença muito grande quando o objetivo é educar e não simplesmente ser obedecido naquela hora, no momento em que a situação que a criança necessita ser corrigida acontece.

Um exemplo:

Um menino de quatro anos sobe em cima da mesa. O pai o ameaça dizendo “Desça daí agora, senão você vai apanhar”. O menino, com medo de apanhar, desce rapidamente da mesa.

O menino obedeceu por medo de apanhar. Mas o pai não explicou a ele para que servem as mesas, nem o orientou sobre quais lugares pode brincar ou não, não fez com que a criança tivesse tomada de consciência e o conhecimento do perigo.

Essa criança aprendeu a obedecer o pai (por medo de apanhar), e não a obedecer uma regra. Está aí a grande diferença! Saberia essa criança que não se pode subir nas mesas em nenhuma situação e em qualquer lugar que estiver, até quando o pai não está por perto para ameaçar? Aprendeu esta regra? Provavelmente não. Esse é um exemplo claro onde não há o equilíbrio de amor/afeto e respeito. O pai se utilizou do “temor” do filho em relação a ele, e isso não é respeito nem autoridade. Muitos pais confundem respeito e autoridade com “temor”.

É importante lembrar que a educação é um processo, que possibilita que a criança aprenda sobre as regras e faze-la entender sua necessidade e também convencê-la de que aquela é a melhor maneira de agir. Outra questão é que a criança testa, sim, a regra. Quando os pais ensinam a obedecer regras, a criança testa a validade desse limite. Quando os pais ensinam a obedecer a eles mesmos, a criança testa a sua autoridade.

As crianças devem pensar sobre as regras. Devemos colocar limites sim, mas ensinar a compreende-los, ajudá-los a aprender quais regras são importantes e por que são importantes.

Assim, uma regra é legitimada pela criança, ou seja, ela deixa de testar a regra, quando, depois de tanto fazê-lo, observa que é importante mesmo, pois seus pais não abrem mão dela.

O papel dos pais, então, é esse: ser fonte e modelo de boas regras. A regra necessita ser reapresentada e explicada para a criança tantas vezes forem necessárias, e ser seguida pelos próprios pais.

No próximo texto, refletiremos sobre quais regras são importantes serem ensinadas e sobre as regras negociáveis e as inegociáveis. Enquanto isso, deixo algumas reflexões:

  • Tenho cumprido o meu papel como pai ou adulto da relação?
  • Eu ensino o meu filho a obedecer regras ou a me obedecer? Eu quero que ele seja, quando adulto, uma pessoa obediente ou autônoma?

LEIA TAMBÉM: “Se você não parar com isso, vai apanhar...” - por Thainá Rocha
LEIA TAMBÉM: “Se você não parar com isso, vai apanhar...” • Parte II - por Thainá Rocha
LEIA TAMBÉM: “Se você não parar com isso, vai apanhar...” • Parte IV - por Thainá Rocha
LEIA TAMBÉM: “Se você não parar com isso, vai apanhar...” • Parte V - por Thainá Rocha
LEIA TAMBÉM: “Se você não parar com isso, vai apanhar...” • Parte VI - por Thainá Rocha
LEIA TAMBÉM: “Se você não parar com isso, vai apanhar...” • Parte VII - por Thainá Rocha

Thainá da Rocha Silva, Psicóloga especialista em infância e adolescência.

“Se você não parar com isso, vai apanhar...” - por Thainá Rocha

Uma introdução ao tema

O assunto de hoje (e dos nossos próximos bate-papos) buscará refletir a respeito da tão polêmica pergunta (e que divide muitas opiniões): É possível educar sem palmadas?

A Lei n.13010/2014 estabelece o direito da criança e do adolescente a não serem submetidos a castigos físicos ou a tratamento cruel ou degradante. Então a dúvida de muitos pais é: Sem palmadas, como educarei meu filho? Haverá realmente um prejuízo tão grande à criança que leva uma palmada, o qual justifique a criação de uma lei para punir os pais que castigam corporalmente os filhos?

Outra questão que confunde opiniões acerca deste assunto é que, nos tempos atuais, a educação dos filhos não é exatamente um ponto de consenso entre os pais (nem sequer entre muitos especialistas!). Então, os pais nem sempre sabem como agir (e se estão agindo certo) diante da desobediência ou da rebeldia. 

Muitas vezes, um filho é muito desejado, mas muitas vezes também o sonho de ter uma criança para proteger e cuidar se transforma em um pesadelo, quando o cansaço do dia-a-dia e de todas as exigências e desafios vividos acabam por esgotar os pais. Aparece então uma ambiguidade de sentimentos: o amor e a dedicação exclusiva versus os sentimentos de impotência, raiva, cansaço diante das dificuldades inerentes ao ato de educar.

Quando no início de nosso bate-papo falei que este seria o assunto de hoje e também das nossas próximas conversas é porque este é um tema que nos exige pensar em diversas questões para que se possa responder a pergunta que lancei. 

O primeiro de tudo é que a educação é um processo longo, árduo e demorado, que dura mais ou menos vinte anos, no mínimo, até que a criança se torne adulta. Enquanto isso, os pais precisam estar presentes, firmes, fortes, incansáveis e conscientes para que se desenvolva plenamente e para que se transforme em uma pessoa de bem. “Fácil” né?

Então, levaremos um tempo para pensar sobre todas as questões e no que elas implicam, e outro ponto “simples” que justifica demandar um tempo maior para este assunto ser discutido é que: NÃO HÁ RECEITAS PRONTAS PARA EDUCAR UMA CRIANÇA. Já ouvi de muitos pais: “Posso dar uma palmadinha de vez em quando?” “Meu filho está se comportando assim, o que eu faço então?”. Minha vontade é de responder: “É complexo”. E é! Repito: NÃO HÁ RECEITAS PRONTAS. As repostas para essas dúvidas e inquietações exigem que pensemos antes em muitas outros fatos. Se eu dissesse “Faça tal coisa que esse comportamento vai parar” até poderia amenizar o determinado comportamento por certo tempo, mas dificilmente o resolveria de fato se não pensarmos em alguns pontos anteriores e estreitamente relacionados ao sucesso nessa grande missão de educar. Simplesmente NÃO EXISTE MÁGICA quando o assunto é educação dos filhos. Cada pessoa é ÚNICA. CADA FAMÍLIA SE ORGANIZA DE MODO DIFERENTE. É INCONSEBÍVEL UMA RECEITA MÁGICA QUE RESOVA OS PROBLEMAS DE TODO E QUALQUER PAI.

A minha proposta é então, outra. Vocês não encontrarão aqui receitas nem modelos. O meu objetivo é ajudar os pais a pensarem sobre algumas questões importantíssimas para a educação dos filhos, sendo a temática “palmadas” uma delas.  O foco aqui serão OS PAIS!

Em resumo, o que vou discutir com vocês a partir de hoje e nas nossas próximas “conversas” será a respeito do compromisso que os pais assumem com seus filhos, que são para eles um projeto pessoal e duradouro. Após, discutiremos alguns assuntos básicos a respeito da educação das crianças e dos adolescentes. Posteriormente, trarei assuntos para os quais os pais muitas vezes não dão tanta atenção, mas que podem fazer toda a diferença no dia-a-dia na relação com os filhos. E por último, quem me acompanha sabe que adoro dicas de livros, vou lançar um roteiro de alguns que acredito que possam ser uteis para quem quiser continuar estudando e aprendendo um pouco mais sobre o desenvolvimento e a orientação da educação das crianças e adolescentes.

Agora que vocês já entenderam o que eu quis dizer com “É complexo”, iniciemos as nossas conversas então...



O Projeto de ser pai/mãe

Todo o projeto bem sucedido conta com um planejamento, por mais simples que seja. Se a tarefa simples de fazer um bolo necessita ser planejada, obviamente não é possível educar um filho sem planejamento também. As crianças não vem com prazo de validade, controle remoto ou manual de instruções. “Os pais quando adotam ou geram uma criança assumem com ela e com toda a sociedade o duplo compromisso de ajudá-la a crescer e se desenvolver, mas também de auxiliá-la a transformar o mundo.” (Arent, Hanna. 1954). Duplo compromisso?

Sim! Que tipo de pessoa devolverei à sociedade? Que tipo de pessoa quero formar? O que eu não posso deixar de ensinar para o meu filho? Em que os adultos hoje investem o seu esforço e sua admiração? Ou o que desejam para si mesmos e, portanto, também para os seus filhos? Já pensaram nisso antes?

Ao decidir o tipo de pessoa que deseja que o seu filho se torne, os pais estão fazendo uma lista de valores ou, se poderia chamar, de virtudes, que entendem como as mais importantes. Você, pai ou mãe, é capaz de escrever a lista de qualidades que gostaria que seu filho tivesse?

O pai, a mãe, até mesmo a avó ou o tio, a madrasta, a professora, ou seja, o adulto da relação, precisa, para educar, ter bem claros quais valores são mais importantes para si mesmos. Dificilmente alguém ensina para uma criança algo que não acredita ou não vivencia.

Já que todo o projeto bem-sucedido conta com um planejamento, o primeiro passo é ter bem definidos os valores que deseja ensinar aos filhos. Um dos grandes problemas enfrentados atualmente é o fato de que os pais e demais educadores não sabem exatamente o que é certo e errado nem para si mesmos.

Resumindo, para educar é essencial saber o que se está fazendo. Os pais devem decidir o que querem ensinar aos seus filhos. Segue um tema de casa, para refletir:

Quais são os seus objetivos ao educar?

Que tipo de pessoa tu queres formar?

Seguimos na próxima. Até lá!

LEIA TAMBÉM: “Se você não parar com isso, vai apanhar...” • Parte II - por Thainá Rocha
LEIA TAMBÉM: “Se você não parar com isso, vai apanhar...” • Parte III - por Thainá Rocha
LEIA TAMBÉM: “Se você não parar com isso, vai apanhar...” • Parte IV - por Thainá Rocha
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LEIA TAMBÉM: “Se você não parar com isso, vai apanhar...” • Parte VI - por Thainá Rocha
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Thainá da Rocha Silva, Psicóloga especialista em infância e adolescência.

Volta às aulas: cuidado com as expectativas! - por Sueli Santos

Todos os anos é a mesma coisa. O início das aulas traz muitas expectativas para pais e crianças, cada um a seu modo. Seria bom que fosse um momento de crescimento para ambos. Os pais felizes por seu filhos estarem crescendo, indo para um mundo de novas relações com a vida. As crianças felizes de poder conviver com outras crianças e aprender muitas coisas novas, mesmo que não saibam muito bem o que será.

Os primeiros dias de escola, de crianças muito pequenas, são cheios de insegurança. Elas não sabem bem o que vão encontrar. Os que estão indo pela primeira vez, além do desconhecido, ficarão longe de casa por algum tempo, longe do que lhe é familiar. Para aqueles que já passaram por essa experiência, sempre há a curiosidade para saber quem será a nova professora ou professor, se seus colegas serão os mesmos, que outras coisas terão que aprender no novo ano.

Por vezes, os pais também ficam inseguros pela separação dos filhos que começaram a ter experiências novas, longe de seu olhar protetor. Nos pais de crianças maiores, surge a expectativa de que seus filhos vençam os novos desafios da aprendizagem, que tenham progresso e que se comportem bem. 

Para as crianças, é importante entender que a escola é um lugar onde vão encontrar outras crianças, seus colegas; que vão brincar, compartilhar e ouvir histórias, aprender muitas coisas importantes para seu conhecimento, aprender sobre o mundo que as rodeia.

Mas nem sempre a entrada na escola e o convívio das crianças com o mundo do conhecimento, da troca de experiências com professores e colegas é entendido como algo leve, que traz prazer, como um mundo de aventuras. 

Algumas  vezes, buscando proteger os filhos e estimular que tenham uma boa experiência na escola, as crianças recebem recomendações do tipo: cuidado, vocês  têm que se comportar direito, ficar caladas e obedecer as ordens da professora; não fazer bagunça, ser boazinhas e não brigar com os colegas.

Mas afinal, o que significa: se comportar direito? Ficar calado e obedecer? Não fazer bagunça? Ou ser bonzinho e não brigar com os colegas? Não responder para a professora? Isso pode ter muitas interpretações por parte das crianças. Essas recomendações dos pais, podem estar ligadas à forma como eles entendem o que deva ser o comportamento de seu filho fora de casa, ou que seja isso que a escola espera das crianças.



Atenção: 

Uma coisa importante de se entender é que as crianças pequenas estão dentro do mundo da linguagem, mas nem sempre entendem o sentido do que os adultos falam. 

Criança com medo, calada, assustada, não aprende com leveza, com curiosidade, com alegria. O medo do que é novidade, daquilo que é diferente, não é um bom amigo da aprendizagem. 

O receio de fazer feio, de errar, de não saber a resposta certa, pode inibir a criança a se arriscar, a mostrar suas dificuldades.

Dicas para pais e professores:

As vezes, crianças muito quietas, que nunca perguntam nada ou que têm vergonha de falar, que são muito críticas de si mesmas, que sempre acham que o que fazem é feio, são crianças  entendem que estão proibidas emocionalmente de errar e por isso não se permitem não saber, não se permitem mostrar suas dificuldades. Então ficam caladas, encolhidas, lentas, sem criatividade, sem alegria ou aparentam desinteresse por qualquer estímulo.

Isso pode ser confundido com dificuldade de aprendizagem, ou alguma deficiência de inteligência. É preciso prestar atenção no que realmente está impedindo a criança de mostrar suas potencialidades e capacidades.

Portanto, entrar na escola, ou retornar às aulas, deve ser uma experiência de prazer, de alegria, de entusiasmo pelo novo. A escola deve ser vista como um lugar agradável, de descobertas, de conhecimento de novas pessoas, de compartilhar brincadeiras. Ou seja, de aprender com as novas experiências.

Assim as crianças vão aprender a compartilhar suas descobertas com os colegas, vão aprender a esperar sua hora de falar, vão ter curiosidade de perguntar o que não entendem, terão vontade de mostrar o que sabem.  E principalmente, é preciso respeitar que cada crianças tem seu tempo para entender tudo isso.

Não compare as crianças umas com as outras, como esse todos tivessem que aprender da mesma forma ou no mesmo jeito. Cada uma é única e essa é a riqueza da convivência da experiência de crescimento na escola, na família, na vida. Respeite as diferenças.

Dra. Sueli Souza dos Santos: Psicóloga, Psicanalista, Mestre em Psicologia Social e Doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul

 

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