Desejo - por Will Nath

Desejo - por Will Nath

Há alguma expressão que simplesmente lhe incomode? Como quando você diz algo mas não sente que está sendo claro? Por vezes, sempre que ofereço algo, penso em mudar a interrogação: Quer? Por outra que não possua tamanha profundidade. Algo que não seja do âmago de cada um. Afinal, quem poderia responder com clareza uma pergunta que poucos de fato sabem? Ou ainda, teria eu intimidade com o outro a ponto de ser respondido com sinceridade? Quem compartilharia uma informação dessas com um desconhecido?

Querer implica em algo deveras profundo: Desejo.
- Quer isto?
- Desejas aquilo?
- E aquele outro?
Cada vez mais o mundo nos cobra sabedoria.

Mas há maneira mais leve de lidar com esta ruptura que temos vivido? Teríamos nós a incubência de modificar a cultura da segurança, do sucesso, do acerto? Seríamos nós os desbravadores de tomadas de decisão sem culpas posteriores?

Enquanto o cerco fecha, tendo cada vez mais ofertas, cores, sabores, formas, modelos, maneiras, escolhas para ser feitas, maior é a carga de uma possível falha. Cada vez mais a segurança e o sucesso, motivadores de gerações passadas, têm ficado para trás. Carreiras de sucesso já não são ambição. Testes vocacionais tem sido deixados para trás.



As ofertas de um mundo conectado, onde a informação é compartilhada quase instantaneamente, são inúmeras. As possibilidades também. E em meio a esse turbilhão de informações aprendemos a errar. Aprendemos que somos passivos de erro. Aprendemos que bolo de microondas é mais rápido de ser feito do que bolo de forno, mas que nenhum deles está certo ou errado. Um não exclui o outro. Aprendemos que temos um mundo de possibilidades a descobrir, onde o certo e o errado tem sucumbido cada vez mais. Pouco a pouco vamos fugindo do binarismo cultural, que separava bem-sucedidos de mal-sucedidos. A cada dia o mundo tem se tornado uma odisseia ainda mais excitante, onde o sucesso é relativo e os seres complexos.

Oferecer um doce, uma cerveja, um abraço, pode ser algo simples, mas para que de fato seja precisamos buscar uma forma mais clara de comunicação. Mudar a interrogação pode ser um bom começo. Afinal, já não escolhemos para ter sucesso, para acertar, para sermos bem-sucedidos. Escolhemos para aprender. Para seguir aprendendo. O que talvez seja o ponto alto da essência humana: expandir os horizontes da consciência. E em meio a tantas escolhas podemos fazer uma bem simples: deixar de se frustrar com os erros e ter a humildade de aprender com cada um deles. Aceita?

Will Nath
Bem humorado, não dispensa uma boa cerveja e uma roda de amigos. Tem a escrita como forma de meditação. Mochileiro de alma, viaja pelo mundo e pelo pensamento.

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