Palavras - por Will Nath

Palavras - por Will Nath

É inevitável. Quando vem lá do fundo, com intensidade, com garra, atroz, atropelando tudo, quando damos por conta, já cuspimos. As palavras, jogadas pra fora em forma de avalanche, giram feito bolas de neve ladeira abaixo, destruindo o que vier pela frente. Sequer o mais concreto sobrevive. Para trás, somente um rastro de destruição. As sobras ficam por conta do desconhecido. O que jaz são restos, pedaços, partes irreconhecíveis de vínculos, de pessoas, de amores e desamores.

Afinal, de onde sai esta força repentina capaz de destruir tudo o que construímos ao longo de anos, décadas? Como destruímos paredes gigantes construídas tijolo a tijolo, em apenas minutos, ou mesmo segundos? Palavras. Palavras... Seu poder é estratosférico. Sonoras, carregam em si o alicerce da comunicação. A partir delas, transfiguramos aquilo que sentimos. São a ponte do nosso interior ao interior do outro. E da mesma forma, são também a ruína de qualquer ligação.



Falamos demais, buscando ser ouvidos. Atrolhamos as frases com palavras e palavras, na tentiva falha de sermos mais claros. Solicitamos atenção. Pecamos no estar atento. Palavras, por si só, são só palavras. Não nos ofendemos ao lê-las isoladamente. Seu significado não possui peso quando só. Palavras constroem – ou destroem – quando carregadas. Seu poder está no sentimento, na emoção.

A intimidade construída a partir do vínculo, pode ser arruinada se palavras forem proferidas de forma impensada, imatura, movidas puramente por emoção. Se desferirmos palavras sem controle, estamos alimentando sua voracidade. O autocontrole na construção das relações é passo primordial. Saber o momento de falar. Saber o momento de permanecer em silêncio. Sabedoria necessária para tornar qualquer relação duradoura, saudável, construtiva.

Cuspimos o que pensamos de forma agressiva, por mero capricho do ego. Reconhecer que o que importa é a evolução daqueles que queremos bem é abdicar do capricho de estar certo. É deixar de ser dono da verdade para ser dono de si. E sendo dono si, construir, dia a dia, de forma paciente e concreta, o autocontrole necessário para ajudar aqueles que queremos bem. Escolher bem as palavras pode até ser fácil, pois difícil é controlar as emoções para tornar aquilo que é dito algo que o outro reconheça e internalize.

Will Nath
Bem humorado, não dispensa uma boa cerveja e uma roda de amigos. Tem a escrita como forma de meditação. Mochileiro de alma, viaja pelo mundo e pelo pensamento.

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