Albert Schweitzer - O médico de Lambarené

Albert Schweitzer - O médico de Lambarené

“Dar o exemplo, não é a melhor maneira de influenciar os outros - é a única.”

Formou-se em teologia e filosofia na Universidade de Estrasburgo, onde, em 1901, o nomearam docente. Tornou-se também um dos melhores intérpretes de Bach e uma auto- ridade na construção de órgãos.

Aos trinta anos, gozava de uma posição invejável: trabalhava numa das mais notáveis universidades europeias; tinha uma grande reputação como músico e prestígio como pastor de sua Igreja. Porém, isto não era suficiente para uma alma sempre pronta ao serviço. Dirigiu sua atenção para os africanos das colônias francesas que, numa total orfandade de cuidados e assistência médica, debatiam-se na dura vida da selva onde a lepra disseminava sem piedade a esse povo.

Em 1905 iniciou o curso de medicina, já formado, casou-se e decidiu partir para Lambaréné, no Gabão, onde uma missão necessitava de médicos. Não havendo abrigo em que atuar os primeiros socorros, esses se realizaram ao ar livre. Foi, então que Schweitzer conheceu os ardentes raios do sol, os frequentes e imprevistos aguaceiros. A notícia da chegada do “Grande Doutor” branco difundiu-se de aldeia em aldeia e os enfermos começaram a chegar. Schweitzer contratou um interprete chamado José e juntamente com sua esposa, que era enfermeira dedicada, trabalhavam intensamente.

Para a tarefa de assistência aos doentes, adaptou-se um velho galinheiro da Missão. Algumas estantes de madeira rústicas à maneira de maca constituíram por algum tempo toda a mobília da sala de consulta do médico de Lambarené. A primeira intervenção cirúrgica teve de ser levada a efeito na pequena escola da Missão. Tratava-se de hérnia estrangulada. Sua esposa serviu de anestesista e José de ajudante.

É mister compreender com que ansiedade terá esgrimido pela primeira vez, o bisturi, sozinho, sem colaboração técnica alguma, amparado unicamente por seu saber, sua coragem e pela emocionada colaboração da esposa. Tratava de mais de 40 doentes por dia e paralelamente ao serviço médico, ensinava o Evangelho com uma linguagem apropriada, dando exemplos tirados da natureza sobre a necessidade de agirem em beneficio do próximo.

Schweitzer relata com simplicidade a chegada a terras africanas: “As sublimes impressões sugeridas pela natureza selvagem e grandiosa estão confundidas com sofrimento e angustia. Estende-se sobre mim, com o crepúsculo da primeira tarde passada no Ogoval, as sombras da miséria africana. Tenho mais do que nunca a convicção de que este país necessita de homens que venham, sem demora, em sua ajuda.”

Com o início da I Grande Guerra, os Schweitzer foram levados para a França, como prisioneiros de guerra. Passaram praticamente todo o período da guerra confinados num campo de concentração. Nesse período, Albert escreve obre a decadência das civilizações. Com o final da guerra, retoma seus trabalhos e, ante a visão de um mundo desmoronado, declara: “Começaremos novamente. Devemos dirigir nosso olhar para a humanidade”.

Realiza uma série de conferências, com o único intuito de colher fundos para reconstruir sua obra na África. Torna-se muito conhecido em todos os círculos intelectuais do continente, porém, a fama não o afasta dos seus projetos e sonhos. Após sete anos de permanência na Europa, parte novamente para Lambaréné. Dessa vez acompanhado de médicos e enfermeiras dispostos a ajudá-lo. O hospital é levantado numa área mais propícia, e com o auxílio de uma equipe de profissionais, Schweitzer pode dedicar algumas horas de seu dia a escrever livros, cuja renda contribuía para manter os pavilhões hospitalares.

Foi laureado em 1952 com o Prêmio Nobel da Paz, como humilde homenagem a um “grande homem”. Morreu em 4 de setembro de 1965, em Lambaréné, no Gabão.



fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Albert_Schweitzer

 • Publicado na Revista Usina da cultura - número 13 - Maio 2014

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