Displaying items by tag: Will Nath - Revista Usina

Cinza - por Will Nath

Os olhos tristes acompanham a chuva lenta. O céu se torna rubro. As olheiras profundas entregam o semblante cansado de quem escolheu o sono como fuga. As horas dormidas superam as despertas. Encontra no céu cinza um pingo de complacência. Vê naquelas nuvens carregadas sua realidade. São também cinzas as nuvens que escondem os raios do seu próprio sol.
Compreende o vento como prenúncio de temporal. Chora em silêncio as gotas que caem. Desfere, calado, sua tristeza ruidosa. Se aconchega nas gélidas lágrimas nebulosas que não despeja. A nuvem sobre seu coração abrange o mundo. O seu mundo inteiro.

Will Nath
Bem humorado, não dispensa uma boa cerveja e uma roda de amigos. Tem a escrita como forma de meditação. Mochileiro de alma, viaja pelo mundo e pelo pensamento.

Lembrança de campo - por Will Nath

A estepe verde de pequenas coxilhas, formando suaves elevações, contrastava o azul do céu. Salpicadas sobre o pasto, árvores se uniam em pequenas ilhas nativas. Frutas mesclavam sabor à mistura. Guabijú, uvaia, guabiroba. Pitangueira. Léguas e léguas separavam montanhas harmoniosamente. Caminhava.

O suor escorria pelo nariz vermelho. O sol forte esquentava. A temperatura era boa, calor na medida. De montanha a montanha, seguia demarcando a caminhada. Demarcava com a paisagem, a levava na lembrança.

Quadro a quadro, cada dia uma lembrança era adicionada. Com o passar das noites, a memória pregou uma de suas peças favoritas, tirou a data de cada paisagem. Por semelhança, se mesclavam. O número de montanhas, de paisagens, de lembranças já era incerto. Suas formas também. Os desenhos eram a cada dia modificados. Ora uma só imagem. Ora várias. Mas sempre, sempre distintas. Se confundiam no reflexo contorcido da mente.

Quanto mais as semelhanças se mesclavam a uma única imagem, mais era possível prestar atenção nos verdadeiros detalhes de cada dia. O todo continuava sendo sempre o mesmo, porém agora, o que buscava ver e reconhecer, eram as singularidades de cada dia.

O que importava eram os detalhes. Não mais o todo, mas o peculiar. O aprofundar-se. Ir pra dentro. Aquilo que era sempre o mesmo, já o sabia. Buscava o novo, o diferente, o interessante. O desabitado, inóspito. Buscava o ermo das coisas. O âmago do que pode ser.

Will Nath
Bem humorado, não dispensa uma boa cerveja e uma roda de amigos. Tem a escrita como forma de meditação. Mochileiro de alma, viaja pelo mundo e pelo pensamento.

Arranha céu - por Will Nath

Caminhando pela cidade, contabilizo os inúmeros prédios que vão ganhando forma. Construções gigantescas. Blocos cinzas de cimento com longas hastes de aço nuas que se erguem em direção ao céu. Levarão tempo para ser concluídos.

Homens trabalham, dia após dia, levantando parede a parede um colosso que supera os vinte andares. Como poderia obra tão imensa ser concebida sem planejamento, trabalho diário e dedicação?
Planejar e construir, quase um slogan de vida. Afinal, de quantas conquistas abrimos mão ao longo do tempo por falta de paciência e dedicação? Tamanhas obras embargadas em nossas vidas. Ora por falta de orçamento. Ora pela dedicação diária que tanto se esvai. Ora pelo planejamento equivocado. Ora pelos infortúnios que somos desafiados dia a dia.

Em um mundo líquido e instantâneo, tal qual conhecemos, perdemos qualquer viés disciplinatório que antes fora comum às gerações. A instantaneidade que permeia o mundo a nossa volta nos cobra o prazer imediato. É necessário saciar qualquer vontade agora - se não for para ser agora, pois que não seja. Independentemente do que. Independentemente pelo que.

Planejar não significa abdicar do agora ou mesmo da chamada liberdade. Planejamento pressupõe saber o que se quer. Pressupõe saber como a construção será quando finalizada. Um mapa é a melhor ferramenta para chegarmos a algum lugar. Uma planta é a melhor ferramenta para construirmos aquilo de grandioso e duradouro que queremos para nossas vidas.

Rabisque, calcule, esboce. Coloque as ideias no papel. Trace um plano para alcançar aquilo que deseja. A motivação, por vezes, está em saber qual momento de nossas próprias construções nos encontramos.

Will Nath
Bem humorado, não dispensa uma boa cerveja e uma roda de amigos. Tem a escrita como forma de meditação. Mochileiro de alma, viaja pelo mundo e pelo pensamento.

Palavras - por Will Nath

É inevitável. Quando vem lá do fundo, com intensidade, com garra, atroz, atropelando tudo, quando damos por conta, já cuspimos. As palavras, jogadas pra fora em forma de avalanche, giram feito bolas de neve ladeira abaixo, destruindo o que vier pela frente. Sequer o mais concreto sobrevive. Para trás, somente um rastro de destruição. As sobras ficam por conta do desconhecido. O que jaz são restos, pedaços, partes irreconhecíveis de vínculos, de pessoas, de amores e desamores.

Afinal, de onde sai esta força repentina capaz de destruir tudo o que construímos ao longo de anos, décadas? Como destruímos paredes gigantes construídas tijolo a tijolo, em apenas minutos, ou mesmo segundos? Palavras. Palavras... Seu poder é estratosférico. Sonoras, carregam em si o alicerce da comunicação. A partir delas, transfiguramos aquilo que sentimos. São a ponte do nosso interior ao interior do outro. E da mesma forma, são também a ruína de qualquer ligação.

Falamos demais, buscando ser ouvidos. Atrolhamos as frases com palavras e palavras, na tentiva falha de sermos mais claros. Solicitamos atenção. Pecamos no estar atento. Palavras, por si só, são só palavras. Não nos ofendemos ao lê-las isoladamente. Seu significado não possui peso quando só. Palavras constroem – ou destroem – quando carregadas. Seu poder está no sentimento, na emoção.

A intimidade construída a partir do vínculo, pode ser arruinada se palavras forem proferidas de forma impensada, imatura, movidas puramente por emoção. Se desferirmos palavras sem controle, estamos alimentando sua voracidade. O autocontrole na construção das relações é passo primordial. Saber o momento de falar. Saber o momento de permanecer em silêncio. Sabedoria necessária para tornar qualquer relação duradoura, saudável, construtiva.

Cuspimos o que pensamos de forma agressiva, por mero capricho do ego. Reconhecer que o que importa é a evolução daqueles que queremos bem é abdicar do capricho de estar certo. É deixar de ser dono da verdade para ser dono de si. E sendo dono si, construir, dia a dia, de forma paciente e concreta, o autocontrole necessário para ajudar aqueles que queremos bem. Escolher bem as palavras pode até ser fácil, pois difícil é controlar as emoções para tornar aquilo que é dito algo que o outro reconheça e internalize.

Will Nath
Bem humorado, não dispensa uma boa cerveja e uma roda de amigos. Tem a escrita como forma de meditação. Mochileiro de alma, viaja pelo mundo e pelo pensamento.

Três Coroas sedia o maior evento de ecoturismo e turismo de aventura do país - por Will Nath

Entre os dias 6 e 10 de novembro, ocorreu na cidade de Três Coroas, o 13º Abeta Summit - Encontro Brasileiro de Ecoturismo e Turismo de Aventura. Durante os dias do evento, os inscritos e convidados puderam participar de palestras, fóruns e debates relacionados ao tema. Organizado pela ABETA – Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura, é o maior e mais importante evento do setor no país, reunindo empresários, gestores públicos, dirigentes de entidades, acadêmicos, guias e colaboradores.

As edições anteriores do evento ocorreram no estado de São Paulo e, segundo os organizadores, a escolha da cidade de Três Coroas como sede da 13º edição do evento foi devido ao associativismo do setor na cidade, tendo como tema “#tamojunto! A força da cooperação!”. “Quando nós começamos a organização do evento um dos primeiros gritos de guerra – e eu vou tentar caprichar no meu sotaque gaudério – dizia assim: Vamos fazer o melhor Abeta Summit da história!” brinca Luiz Del Vigna, vice-presidente da ABETA.

O evento contou com o apoio e organização das empresas de ecoturismo da cidade, recepcionando os convidados e inscritos. “O pessoal do Rio Grande do Sul fez um trabalho extraordinário de organização. Essa organização se reflete na qualidade do evento e a qualidade do evento reflete no resto do Brasil. Vocês estão de parabéns, estamos muito felizes.” completa, Luiz.  A próxima edição do evento ocorre no Território Mantiqueira nos dias 1 a 5 de outubro de 2017, abrangendo os estados de SP e MG.

Will Nath
Bem humorado, não dispensa uma boa cerveja e uma roda de amigos. Tem a escrita como forma de meditação. Mochileiro de alma, viaja pelo mundo e pelo pensamento.

Cidade grande - por Will Nath

Os túneis da estação organizam a gadaria. Direita pra quem vai. Esquerda pra quem vem. No trem, cabeças de gado espremidas. O olhar cansado, revela a dura lida de quem puxou o arado o dia inteiro. Seguem, em silêncio, rumo a suas casas, estrebarias que são. Rulminam o amargo pasto da existência.

À luz da estrela Dalva madrugam, já não tem forças para levantar os olhos e admirar seu furor. O arado os chama. Boi que não serve pra lida, não recebe comida e desfalece feito própria esperança, na cerca farpada que limita a liberdade.

Disseram-lhes que o pasto é bueno, que a grama é verde e a sanga que corta o campo traz água limpa pra garganta. Os enganaram. Fecharam os abatedouros, prometeram: boi aqui não será morto! Travestiram a morte. O boi não morre mais pela faca amolada. Morre pelo dissabor de viver. Vaga entre os vagões com o olhar vazio de quem perdeu a própria alma.

Will Nath
Bem humorado, não dispensa uma boa cerveja e uma roda de amigos. Tem a escrita como forma de meditação. Mochileiro de alma, viaja pelo mundo e pelo pensamento.

Platonismos de primavera - por Will Nath

Solta o freio de mão, acelera, apaga, buzina. Deixa o carro correr pra trás ladeira abaixo, bate chave, arranca, sai patinando na estrada de saibro.
- O que é que eu fiz, amigo? - Em menos de 5 segundos ela havia feito mais manobras que pilotos de rally em provas inteiras. O carro andou. Continuamos.

Para pra foto aqui, admirar coisa ali, ver o caminho, conversar. Assim seguiu a folga da semana, como um típico sábado de sol. Leve. Com brisa gostosa, temperatura agradável e algumas nuvens figurando no céu, o carro seguia rodando pela estrada de terra no interior da cidade. O contato com a natureza tranquiliza, acalma, sossega, ao mesmo tempo que alegra, fascina e liberta. Mas claro que, em se tratando de dois alemães criados em meio ao verde, estar na natureza só é de fato estar na natureza quando se está lambuzado de fruta direto do pé.

E tem coisa melhor? Quem não trepou em goiabeira quando piá, perdeu uma festa! Voltar pra casa cheirando a bergamota então? Não dá pra esconder, parece que o cheiro toma conta do corpo todo - a gente meio que transpira bergamota nessa hora. Pois estávamos dispostos ao lambuzo. Bem dispostos, aliás. Porém, com o fim da estação as bergamotas poderiam nem chegar. Já havia passado do tempo e o fim da metade fria do ano levava embora as chances de provar aquele doce azedo dos gomos de bergamotas, dessas de beira de estrada, de roça, de fundo de quintal.

Após falsas esperanças e árvores sem fruta, encontramos uma bergamoteira que seguia a dura resistência. Claro que os frutos restantes resistiam por uma razão: estavam bem protegidos. Teríamos que provar quão digno éramos de tê-los. Puxa galho de um lado, puxa galho do outro. Olha. Analisa. Cuidado com o banhado, e a cerca, e os espinhos. Que ginástica! Pegar bergamotas em fim de temporada deveria se tornar prova olímpica. Exige técnica.

Com algumas bergamotas, a estrada parecia ainda mais leve. Paisagem pós paisagem íamos redescobrindo uma região linda por natureza. Montanhas cobertas de verde formavam o vale a cada nova curva, enquanto saboreávamos os gomos daquela fruta que carregava um quê de vitória, de conquista, de objetivo alcançado. Mas a ambição está no ego do ser – e nós seres somos. No primeiro pé de laranjas disponível lá estávamos nós, pendurados querendo mais. Não eram bergamotas. Não tinham o sabor – ou glamour – das bergamotas. Mas eram frutas. Frutas direto do pé.

Tentamos ser o mais breve - e humildes - possível. Com aroma cítrico nas mãos, seguimos pelo caminho devaneando sobre aqueles furtos em série. Como eram gostosos - os frutos! Não obstante, a odisseia frutífera de um 20 de setembro atípico não havia chegado ao fim... Pois no meio do caminho uma ameixeira havia, havia uma ameixeira no meio do caminho. À beira, na verdade, e estava carregada. Seus frutos, deliciosamente maduros, estavam a mão e novamente saímos com elas cheias. Tinha até para as mães. Bergamota, laranja, ameixa. O que mais poderia aparecer nesse dia tão doce?
- Uma amoreira! - Ai, aquela amoreira.

Ainda lembro dela. Linda. Linda e carregada. Só a vimos porque algum pássaro fez barulho até chamar nossa atenção, como que dizendo: - Ei! Aqui! Aqui tem mais frutas e estão gostosas – pois deviam estar mesmo. Deviam. Esse pé estava a uma valeta de distância, do outro lado da cerca e mantinha os seus frutos além do nosso alcance. Ah, aquelas amoras. Ainda lembro delas. Tão roxas. Deviam estar gostosas. Deviam mesmo. Deviam.

Will Nath
Bem humorado, não dispensa uma boa cerveja e uma roda de amigos. Tem a escrita como forma de meditação. Mochileiro de alma, viaja pelo mundo e pelo pensamento.

Cores e estações - por Will Nath

Ao longe, ecoa o som de uma máquina de cortar gramas qualquer. Ainda é inverno, mas os ares são de primavera. Algumas árvores têm florescido outras seguem secas. Um contraste duro, que visto de longe forma uma beleza ímpar. Cores neutras bailam com tons vermelhos e exalam verde por entre seus pares. Amarelos e rosas ainda tímidos. Tamanha mescla de tons tão distintos e únicos, só pode ser fruto da natureza. Mesma mãe que nos criou. Que traz nela a prova de nossas semelhanças. Temos todos estações, carregamos todos todas as cores. Florescemos sentimentos. Secamos lembranças.

Intrínseco em nosso ser, vivências e experiências seguem no mesmo ritmo. Dentro de cada um as cores dançam, sempre em mudança, sempre em transformação. Ora brilham cores de um verão escaldante; ora o cinza de troncos despidos de qualquer nuance de vida. Ora somos frios como inverno; ora a esperança da primavera vindoura. Cremos saber o tempo exato de cada estação, mas contamos dias, meses e anos, buscamos ao abstrato perfeito da natureza uma forma racional de prever seus verões. Fracassamos. As estações desmerecem calendários. Possuem o seu próprio ciclo, seu próprio equilíbrio.

Plantas florescem e secam como lembranças. Suas cores são intensidades, desde vívidas e quentes a neutras, imóveis, incolores. Invernos tornam plantas pouco vívidas. Cada esforço, cada energia é usada para sobreviver. Temos todos invernos. Frios, incolores, desses que necessitamos de toda energia disponível para o simples ato da sobrevivência. Nesta estação, nossa história adquiri um filtro cinza. Nossos sentimentos parecem ser frios. Cada lembrança que temos nos parece escura, tão gélida quanto a frigidez da própria estação.

A natureza distoa do calendário. Cada dia se faz necessário olhar, sentir, contemplar o que há a nossa volta para então definir com clareza qual a estação em que tudo está. Qual estação em que nós mesmos estamos. Filhos da mãe natureza, somos seu espelho. Possuímos sua forma, sua vida, sua força. Assim como ela, que transgride qualquer ciclo, qualquer rótulo, que dia a dia se adapta, se transforma, nós também podemos nos adaptar, nos reconstruir, reinventar. Nós somos quem ditamos as estações que queremos ser. Que queremos estar. Que queremos viver.

Will Nath
Bem humorado, não dispensa uma boa cerveja e uma roda de amigos. Tem a escrita como forma de meditação. Mochileiro de alma, viaja pelo mundo e pelo pensamento.

Desejo - por Will Nath

Há alguma expressão que simplesmente lhe incomode? Como quando você diz algo mas não sente que está sendo claro? Por vezes, sempre que ofereço algo, penso em mudar a interrogação: Quer? Por outra que não possua tamanha profundidade. Algo que não seja do âmago de cada um. Afinal, quem poderia responder com clareza uma pergunta que poucos de fato sabem? Ou ainda, teria eu intimidade com o outro a ponto de ser respondido com sinceridade? Quem compartilharia uma informação dessas com um desconhecido?

Querer implica em algo deveras profundo: Desejo.
- Quer isto?
- Desejas aquilo?
- E aquele outro?
Cada vez mais o mundo nos cobra sabedoria.

Mas há maneira mais leve de lidar com esta ruptura que temos vivido? Teríamos nós a incubência de modificar a cultura da segurança, do sucesso, do acerto? Seríamos nós os desbravadores de tomadas de decisão sem culpas posteriores?

Enquanto o cerco fecha, tendo cada vez mais ofertas, cores, sabores, formas, modelos, maneiras, escolhas para ser feitas, maior é a carga de uma possível falha. Cada vez mais a segurança e o sucesso, motivadores de gerações passadas, têm ficado para trás. Carreiras de sucesso já não são ambição. Testes vocacionais tem sido deixados para trás.

As ofertas de um mundo conectado, onde a informação é compartilhada quase instantaneamente, são inúmeras. As possibilidades também. E em meio a esse turbilhão de informações aprendemos a errar. Aprendemos que somos passivos de erro. Aprendemos que bolo de microondas é mais rápido de ser feito do que bolo de forno, mas que nenhum deles está certo ou errado. Um não exclui o outro. Aprendemos que temos um mundo de possibilidades a descobrir, onde o certo e o errado tem sucumbido cada vez mais. Pouco a pouco vamos fugindo do binarismo cultural, que separava bem-sucedidos de mal-sucedidos. A cada dia o mundo tem se tornado uma odisseia ainda mais excitante, onde o sucesso é relativo e os seres complexos.

Oferecer um doce, uma cerveja, um abraço, pode ser algo simples, mas para que de fato seja precisamos buscar uma forma mais clara de comunicação. Mudar a interrogação pode ser um bom começo. Afinal, já não escolhemos para ter sucesso, para acertar, para sermos bem-sucedidos. Escolhemos para aprender. Para seguir aprendendo. O que talvez seja o ponto alto da essência humana: expandir os horizontes da consciência. E em meio a tantas escolhas podemos fazer uma bem simples: deixar de se frustrar com os erros e ter a humildade de aprender com cada um deles. Aceita?

Will Nath
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Noite - por Will Nath

Lá fora é noite, fria e chuvosa. Ao longo da linha do horizonte, inúmeras luzes iluminam a cidade. No centro da vista, uma grande araucária no terreno vizinho, forma uma silhueta cheia de enlevo na sombra da noite. O silêncio inunda o quarto, e latidos distantes podem ser ouvidos. Vez que outra, algum vizinho, provavelmente já deitado, põe-se a tossir. Na calmaria de uma madrugada de segunda-feira, aprochego alma e sentimento, e as mostro que a calma, a tranquilidade e a paz são virtudes da rotina.

Sequências de dias ensolarados, de calor, paixão, euforia, por mais excitantes também caem no monótono, no sem sentido. Se tornam tediosos, repetitivos e sem perceber, nos afastam do nosso próprio interior. Externamos tanta energia, que pouco sobra para o exercício da reflexão. Não demandamos tempo para as dúvidas. Ficamos a par de nós mesmos, acumulando angústias sem sequer as enxergar.

Noites de frio e de chuva, trazem um silêncio inquietante. Neste cenário, ausente de qualquer rumor externo, só nos sobra ouvir a própria alma. Tão passível se identificar com este entorno. Frio e chuva interior também são necessários, tanto quanto ao ambiente externo. Do contrário, a longo prazo, sem darmos conta, nos tornaríamos terra árida, seca, sem vida.

Alguns cães ainda podem ser ouvidos. Os vizinhos agora seguem em silêncio. A chuva foi leve, rápida, já parou de cair. É tarde e a noite parece se tornar ainda mais serena, mais calma. Aproveito desta paz para embalar meu sono, aquietar minhas angústia e acalmar a alma que tive o prazer de ouvir.

Will Nath
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