Um culto ao fogo em meio à natureza
Foto: Cecilia Sanchez / Texto: Karine Klein

Um culto ao fogo em meio à natureza

Parador Hampel reuniu cultura e gastronomia em projeto que movimentou São Chico no domingo

Mais que um evento gastronômico, uma verdadeira experiência sensorial é o que o Parador Hampel vem proporcionando a seus convidados com o projeto “A Ferro e Fogo”. Com início em 2015, para uma aula do Prazeres da Mesa, em São Paulo, o projeto foi criado pelo chef Marcos Livi, que trouxe a atração para São Chico no carnaval de 2017. Ontem, 04, mais uma edição movimentou o Parador, levando sensações e emoções através dos cinco sentidos.

Ao som do bumbo leguero, do violão e de uma das vozes mais queridas do Rio Grande do Sul, Ernesto Fagundes e seu irmão Paulinho trouxeram grandes sucessos da família, em clima descontraído, que nem a chuva foi capaz de dissipar. “Estamos aqui hoje com uma sonoridade mais roots, música da terra mesmo, que combina muito com o ambiente aqui. O coração do tambor, junto com uma harmonia refinada, eu acho que é por aí que a gente faz uma trilha ao vivo para esse encontro, recebendo as pessoas, o chimarrão, acho que isso tudo combina muito”, disse Ernesto Fagundes, que entre uma música e outra esbanjava simpatia em interação com os presentes.

Com uma sonoridade de raíz, Ernesto Fagundes e seu irmão Paulinho deram a trilha do A Ferro e Fogo.

“Eu acredito muito é nesta integração da cultura e gastronomia com a música, com o turismo. O gaúcho não conhece o Rio Grande do Sul ainda, a gente tem um potencial maravilhoso para exportar para o mundo e para receber gente do mundo inteiro. Por isso quero dar os parabéns ao Livi e a todos os organizadores deste A Ferro e Fogo”, disse o músico.

O protagonista do dia, claro, foi o cardápio. Um típico churrasco campeiro assado em fogo de chão. Uma variedade de carnes como costelão bovino, leitão, cordeiro patagônico, linguiças e salsichões. Além de legumes e frutas assados, acompanhados por delícias servidas no restaurante Ana Terra, como arroz carreteiro, feijão campeiro, aipim e polenta frita, batata doce, saladas, moranga caramelada, e claro, sobremesas típicas como pudim e ambrosia, foram o deleite de quem participou da edição. Em torno de 150 pessoas estiveram presentes no evento, para o qual foram preparados 230 quilos de carnes.

Tempo e paciência, os segredos do assado de Sebastião Nogueira.

O responsável pelo churrasco foi ninguém menos que o mestre assador bageense, Sebastião Nogueira, conhecido por suas habilidades em desossar e preparar a carne. Para o evento, o assador conta que começou a acender o fogo às 3h e pôs as primeiras costelas às 4h30min. Na hora do almoço, o cheiro era irresistível. “Eu uso uma técnica muito simples, que é o churrasco campeiro, que hoje está um pouco esquecido, na verdade, não é muito comum de se fazer, porém não tem segredo, o importante é o tempo de fogo e a salmoura”, conta. “Além de comer, as pessoas vêm para se alimentar com os olhos”, afirma.

Para o casal de Porto Alegre, Bruna Guimarães e Flávio Vegini, que foram ao Hampel exclusivamente para participar do A Ferro e Fogo a convite de uma amiga que fez um encontro no local, a experiência valeu a pena. “Muito lindos, tanto o local como o evento, queremos vir com mais calma para poder aproveitar também as instalações do Hotel. Adoramos esse clima de aproximar as pessoas e integrar, voltaremos, sem dúvida”, disseram.

Flávio Vegini e Bruna Guimarães, de Porto Alegre, compareceram e se encantaram com o evento.

O chef Marcos Livi, além de idealizador do projeto e proprietário do Parador Hampel, é um conhecedor da arte de fazer churrasco, e contou um pouco sobre essa história milenar. “Quando falamos em churrasco pensamos nos gaúchos, porém a cultura do churrasco é algo que começou muito antes de nós. Nos apropriamos dela e pegamos a tradição das ‘espetadas’ que vieram das ilhas portuguesas, da cultura moura. Pela influência espanhola, na fronteira se assa o churrasco deitado, e acabou que se espalhou essa forma de assar. Os índios no Rio Grande do Sul gostavam da carne mal passada, sabiam o que era bom, mas os jesuítas lhes obrigavam a assar bem as carnes”, explicou.

"O fogo nos une", é com esta certeza que o chef Marcos Livi recebe os visitantes para o A Ferro e Fogo todos os domingos. 

Livi reforça também que o evento, apesar de ter protagonismo no churrasco, é um culto ao fogo. “Acredito que o fogo seja o símbolo maior do Rio Grande. O fogo nos une. Uma fogueira, uma lareira, um fogo de chão. Um casal olhando para o fogo diz tudo sem dizer nenhuma palavra”, divaga. E deixa a proposta do evento como convite para visitantes, hóspedes ou não. “Venha, sente, ande. Passe o domingo com a gente, apreciando a cultura do fogo”.

Reunindo talentos da gastronomia e da cultura brasileira, em suas diversas manifestações, para uma confraternização ao redor do fogo, e em meio à natureza, cercado por 21 hectares de área nativa, o projeto A Ferro e Fogo acontece todos os domingos, começando pela manhã.

Com a casa cheia o Parador Hampel brindou mais uma edição do projeto que enaltece a cultura e a gastronomia daqui.

Para os próximos meses novas atrações já estão programadas, como os chefs Alexandre Reolon, Zi Saldanha, Márcio Ávila, Romulo Morente, os Ogros Marcelo Neves e Guto Senra, além do músico Alemão Ronaldo. Para participar do almoço é necessário garantir reserva pelos telefones (54) 3244-3655 e (54) 3244-1363 ou através do site www.paradorhampel.com.

 

História, natureza, tradições. O Parador Hampel é isso e muito mais, basta se dispor a apreciar.

Serviço
A Ferro e Fogo - todos os domingos. R$ 80,00
Parador Hampel - Rua Boca da Serra nº 445, São Francisco de Paula - RS
Telefones: (54) 3244-3655 / (54) 3244-1363
Mais informações: www.paradorhampel.com

 Fotos e vídeos: Cecilia Sanchez/ Texto: Karine Klein

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