O azul da casa azul - por Rosana Martins

O azul da casa azul - por Rosana Martins

Fotos: Rosana Martins

Frida Kahlo é a mais famosa pintora latino-americana do século XX e importante figura da arte mexicana. Ela conheceu Pablo Picasso e André Breton, era amiga do revolucionário russo Leon Trotsky e do poeta Pablo Neruda, entre otros. Diego Rivera, seu esposo, e o mais famoso muralista mexicano, a considerava única em seu gênero e uma artista inigualável.

Quase parada obrigatória para quem visita a Cidade do México, a Casa Azul é um dos museus mais visitados do país. Filas imensas se formam na porta da casa onde os pintores Frida Kahlo e Diego Rivera viveram. Localizado no bairro de Coyacán, a Casa Azul chama de longe a atenção dos visitantes pela sua cor, azul.

Não é um azul qualquer, a tonalidade da cor reluz. As paredes externas do museu vibram de tal forma, como se aquele azul comunicasse algo. E comunica. Esse tom específico e dificílimo de encontrar, veio da extração de sementes cultivadas pela cultura Maya. Militantes do partido comunista, Frida e Diego procuravam, na arte, afirmar a identidade nacional mexicana. Tiveram o trabalho de buscar esse tom de azul para utilizar nos seus trabalhos. Uma espécie de exaltação à cultura Maya, de onde descende boa parte daquela população.



Cores fortes e vibrantes, tipicamente mexicanas, tomam conta do ambiente. Dentro sente-se a energia do casal talentoso e tempestuoso, onde viveram uma história de amor conturbada, em meio as suas produções artísticas. Um casamento a frente do seu tempo. Um olhar avançado aos conceitos e ideias da época.

Nas obras da Frida, encontra-se a alma inquieta, ousada, perturbada, de uma vida cheia de acidentes. É possível imaginar a dor física sofrida pela pintora no seu quarto, na sua cama adaptada com o espelho na parte superior. Foram muitos autorretratos, nos períodos de convalescência. Há um número enorme de frascos vazios de remédios utilizados cada vez mais e em dosagens maiores. Alguns pesquisadores suspeitam que Frida tenha morrido de overdose, e não de pneumonia. A última anotação feita em seu diário, “Espero que minha partida seja feliz, e espero nunca mais regressar”, erguem uma suspeita de suicídio. Classificada como surrealista, Frida se pronunciou. “Nunca pintei sonhos. Pintava minha própria realidade”. Decididamente a pessoa Frida Kahlo não estava interessada na arte com carreira.


Com ou seu intenção de carreira, Frida se destacou. Aí está a Casa Azul para confirmar sua notoriedade. Nos vários compartimentos da casa, além das obras mais simples, feitas ainda quando menina, encontram-se peças que relatam a história dramática vivida por Kahlo. Aparelhos ortopédicos, que a pintora necessitou ao longo da vida. Para manter-se em pé utilizou coletes, muletas... uma infinidade de artefatos. Verdadeiras armaduras.

O museu abriga ainda coisas alegres da vida desta mexicana vaidosa e exuberante. Seus vestidos, seus trajes típicos, suas botas, confeccionadas especialmente para ela. Tinha problema nos pés devido uma poliomielite aos seis anos. Ainda assim, são calçados maravilhosos, botas forradas de seda, com bordados.
Objetos pessoais como bibelôs, esmalte, batom, óculos de sol, fotografia de familiares em porta retratos.


A Casa Azul tem muitas outras cores que contam sobre as pinceladas dramáticas de Frida Kahlo. Mas quem coloca os olhos naquele azul jamais esquecerá o azul da Casa Azul.

 • Publicado na Revista Usina da cultura - número 13 - Maio 2014  

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