O conselho do pássaro - por Ilan Brenman

O conselho do pássaro - por Ilan Brenman

Um sábio muçulmano e um velho rabino sabiam que as narrativas podiam iluminar o caminho daqueles que buscavam um entendimento maior sobre o sentido da vida.
Uma das histórias preferidas dos dois era do caçador de passarinhos, que um certo dia, um caçador de passarinhos capturou um pássaro de uma beleza inigualável, e ainda por cima poliglota. O pássaro implorou para ser posto em liberdade.
– Se você me soltar, prometo lhe dar três conselhos mais sábios do mundo.
O caçador ficou perplexo com a fala do pássaro e disse:
– Me diga os conselhos que te solto.
– De jeito nenhum! Primeiro me solte e depois digo- retrucou o pássaro.
O caçador libertou o animal, que rapidamente voou para um galho de uma árvore.
– Pronto, me dê os conselhos- disse o homem. – Nunca te arrependas do que já aconteceu.
– Qual é o segundo conselho?
– Não acredite em tudo o que ouves.
– E que mais?
– Não faça aquilo que não dará resultados.
O caçador gostou daquilo que ouviu. Entretanto, antes de agradecer ao pássaro, este falou.
– Quanta ingenuidade! Você me libertou e não sabe o que acabou de perder.
– O quê? Perguntou curioso o caçador.
– Dentro do meu corpo existe um imenso diamante mágico. É ele que me fornece toda a sabedoria do mundo.
O caçador ficou atônico ao ouvir aquilo.
Seus olhos fincaram-se no corpo daquela ave e, num rompante, ele saltou num dos galhos da árvore. O tombo foi feio, com o corpo estendido no chão e uma perna bem machucada, viu o pássaro voando em cima de sua cabeça e falando:
– Que tolo! Acabei de compartilhar contigo minha sabedoria e já esqueceste. Aconselhei a nunca se arrepender do que já aconteceu, você se arrependeu de me dar a liberdade. Depois aconselhei a não acreditar em tudo o que ouves, e você acreditou nesse absurdo de possuir um diamante dentro do meu corpo. E finalmente lhe disse para não fazer aquilo que não vai dar resultado, e você tentou me capturar novamente.
O caçador ouviu atentamente ao pássaro, levantou-se com dificuldade e foi embora pensativo.

Este conto faz parte da coletânia Lendas Judaicas, da Editora Salesiana, com texto de Ilan Brenman

• Publicado na Revista Usina da Cultura - número 18 - Outubro de 2014

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