Arranha céu - por Will Nath

Arranha céu - por Will Nath

Caminhando pela cidade, contabilizo os inúmeros prédios que vão ganhando forma. Construções gigantescas. Blocos cinzas de cimento com longas hastes de aço nuas que se erguem em direção ao céu. Levarão tempo para ser concluídos.

Homens trabalham, dia após dia, levantando parede a parede um colosso que supera os vinte andares. Como poderia obra tão imensa ser concebida sem planejamento, trabalho diário e dedicação?
Planejar e construir, quase um slogan de vida. Afinal, de quantas conquistas abrimos mão ao longo do tempo por falta de paciência e dedicação? Tamanhas obras embargadas em nossas vidas. Ora por falta de orçamento. Ora pela dedicação diária que tanto se esvai. Ora pelo planejamento equivocado. Ora pelos infortúnios que somos desafiados dia a dia.



Em um mundo líquido e instantâneo, tal qual conhecemos, perdemos qualquer viés disciplinatório que antes fora comum às gerações. A instantaneidade que permeia o mundo a nossa volta nos cobra o prazer imediato. É necessário saciar qualquer vontade agora - se não for para ser agora, pois que não seja. Independentemente do que. Independentemente pelo que.

Planejar não significa abdicar do agora ou mesmo da chamada liberdade. Planejamento pressupõe saber o que se quer. Pressupõe saber como a construção será quando finalizada. Um mapa é a melhor ferramenta para chegarmos a algum lugar. Uma planta é a melhor ferramenta para construirmos aquilo de grandioso e duradouro que queremos para nossas vidas.

Rabisque, calcule, esboce. Coloque as ideias no papel. Trace um plano para alcançar aquilo que deseja. A motivação, por vezes, está em saber qual momento de nossas próprias construções nos encontramos.

Will Nath
Bem humorado, não dispensa uma boa cerveja e uma roda de amigos. Tem a escrita como forma de meditação. Mochileiro de alma, viaja pelo mundo e pelo pensamento.

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