O interesse ou as ideias nos governam? - por Luís Osório Cardoso de Moraes

O interesse ou as ideias nos governam? - por Luís Osório Cardoso de Moraes

Pode-se dizer, mais acertadamente, que pelas ideias, pela ideologia, que dá operacionalidade àquele interesse - até então - mera potencialidade de exteriorizar-se em atos.

O interesse, qualquer que seja, sem cobrir sua nudez com um manto de ideias, não se fará digno de ser atendido, de influir no ânimo e na vontade mesma daquele em que foi nascido.

As ideologias vestem o interesse, e tentam encobri-lo completamente quando o interesse é contrário ao do destinatário da ideia. Por vezes, o interesse embora de uma legitimidade óbvia, suscita objeções pelos cínicos, pelos tíbios e por imorais que tem os seus interesses escusos por aquele contrariados.  De qualquer forma, por mais justo que seja o interesse, não fará com que ninguém identifique-o tão justo como os próprios se não se teorizar sobre ele de modo a que nos convençamos  que aquele interesse não é tão só um anseio natural, compreensível, mas mais: que é um imperativo ético promover que ele seja satisfeito.

Podemos dar um exemplo, a melhor das espécies dos argumentos,  para ilustrar.  Qual o interesse primordial de todo discurso de esquerda? Não é combater a exploração do homem pelo homem. O interesse é fazer com que todos possam satisfazer suas necessidades. O combate à exploração é a prática subjacente ao interesse, seu determinante. É um interesse, que parece, a despeito das inúmeras objeções que se possa fazer a ele, poder se contrapor a todas, com êxito,  atualmente.  Podemos, contudo,  imaginar alguém, na chamada "esquina democrática“, em Porto Alegre, discursando assim: " -  Os miseráveis não têm trabalho, não têm casa, não têm o que comer,  nem o com o que se cobrir ao deitarem-se sobre as pontes, tendo de si tão só os andrajos rotos que lhes cobrem os corpos padecentes. -  Nós querermos trabalho, um lar, irmão, vida no presente e um futuro, para nós e nossos filhos". Será que o político que ali passasse, ou o ”homem comum" se identificaria , em algum grau, com aqueles interesses, se tal se desse no séc. XVI, antes de se difundirem ideias de solidariedade social? Entre nós, no ocidente, ainda antes do advento daquelas ideias, sim apenas um discípulo de Cristo, ao que se saiba.

A ideologia é necessária para operacionalizar um interesse, e, também, para encobri-lo, disfarçá-lo, mistificá-lo, quando escuso, egoístico. No primeiro caso se afirma, justifica, no segundo, torce-se, engrupe-se a si mesmo, antes. E, depois, aos outros. 



   

Ou somos cínicos, e já o cinismo é uma ideologia, e  já não somos humanos, então, verdadeiramente, ou loucos somos, ou estúpidos, para não necessitarmos das ideias para sentir legítimo o interesse mais absurdo e nos atirarmos a ele.

Logo se vê a importância das ideias e a importância de pensar-se sobre elas. Quem reflete, repensa o que foi pensado e o produto deste repensar. Filosofa, e o produto desta reflexão é a filosofia, a cada passo, a mais necessária procura. 

Por repensar o conhecimento e os processos para se chegar a ele, indo assim, ao fundo e ao alto, até aonde for possível. Por lhe caber indagar da validade das ideias, é a única investigação capaz de descobrir-nos as armadilhas que nós armamos a nós mesmos e a evitar caiamos nelas.

Isto posto, se à Razão da Ética a tudo importa que humano seja, cumpre universalmente a todos ser ensinada para que, em sociedade, bem vivamos, o hábito da reflexão, a cada passo a ser dado.

Uma Ética perfeita e universal nos libertaria de todos nossos sociais males, nunca o homem seria lobo do homem, nunca o homem escravizaria, exploraria, mataria, roubaria, daria falso testemunho ... quiçá viveríamos em harmonia com todos os animais da Terra.

Luís Osório Cardoso de Moraes

Bel. em  Ciências Jurídicas e Sociais

 

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