Queremos realmente uma língua mais simples? - por Sérgio Marino

Queremos realmente uma língua mais simples? - por Sérgio Marino

Tenho ouvido muitas vezes que a nossa língua, o português, é uma das línguas mais “difíceis” do mundo e que o inglês, essa sim, é uma língua “fácil” de se falar e escrever, já que tem poucas regras e menos flexões que a nossa. Ora, se isso é verdadeiro, devemos regozijar-nos, pois estamos vivendo em um tempo de “simplificação” de nosso vernáculo: estamos, finalmente, simplificando as flexões verbais: “Cê qué almoçá? Nois já almoçô!” “Se cê quizé, nois esquenta de novo procê.” “Tu qué que eu pego?” 'Tu qué que eu busco?”.

Achou feio, não gostou? Ora, provavelmente você já reclamou inúmeras vezes das regras que regem nossa gramática. É assim mesmo, se não gostamos de tantas “gramatiquices” devemos saudar as inúmeras simplificações que ocorrem diariamente na prática linguística:

Vamos comparar o verbo ser com o verbo to be do inglês:

 

É ou não é uma bela reforma na conjugação verbal? Assim, simplificada, o português se torna uma das línguas mais simples e já não perdemos anos e anos aprendendo regras e estaremos livres para outras atividades mais proveitosas, como a leitura por exemplo.

Quem achou horrível os exemplos citados e tantos outros de que oportunamente falaremos, deve mudar a postura e parar de dizer que o inglês ou outras línguas são melhores porque são mais simples. Não sejamos incoerentes: o português pode ser simplificado quase infinitamente. É isso que o povo está fazendo, simplificando a língua. É isso realmente o que a gente quer?!


Sérgio Marino
Professor de Língua Portuguesa



 • Publicado na Revista Usina da Cultura - número 08 - Dezembro de 2013.

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