Prazer sem culpa - por Cristiane Cichelero Allgayer

Prazer sem culpa - por Cristiane Cichelero Allgayer

Você já parou para pensar o por que, apesar de tanta informação acerca de nutrição e emagrecimento e da enorme variedade de dietas disponíveis, a obesidade continua crescendo assustadoramente? A solução está em avaliar a relação que mantemos com os alimentos e resgatar o prazer de comer.

A nutrição comportamental prega o prazer de comer e o respeito às emoções. Este movimento pode ser a salvação para quem vive brigando com a balança e sabe o quanto é frustrante viver assim.

Certos hábitos alimentares que trazemos de nossa infância evocam “doces lembranças” e o gosto de afeto e emoções vivenciadas, que vão muito além do sabor.

Um movimento recente, teve o seu primeiro workshop em outubro do ano passado, com a finalidade de abordar o assunto com profundidade no Brasil, a Nutrição Comportamental, apoiada por entidades como a Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (Sban). Um dos questionamentos era o por que, apesar de tanta informação acerca de nutrição e emagrecimento e da enorme variedade de dietas disponíveis, a obesidade continua crescendo assustadoramente. Segundo a Revista científica Lancet, existem 2,1 bilhões de pessoas acima do peso no mundo, quase o triplo do que havia em 1980. O campeão em obesidade é os Estados Unidos, mas o Brasil ocupa um nada honroso quinto lugar. É fácil perceber que algo não funciona: as pessoas perdem peso, recuperam, buscam milagres. A solução está em avaliar a relação que mantemos com os alimentos (daí a palavra comportamental) e resgatar o prazer de comer.



Para muitos de nós, a comida virou sinônimo de dificuldade e estresse. Na melhor das hipóteses, pensamos nela como um pacote de nutrientes e calorias. Na pior delas, simplesmente como calorias. Há exemplos de pessoas que perdem peso facilmente, mas a comida passa a ser adversária. Dietas restritivas podem deixar as pessoas transtornadas. Elas devoram tudo o que aparece pela frente e então sobem na esteira e correm horas. Nosso corpo não é um depósito e não precisa expulsar desta forma o que ingerimos. É a relação com os alimentos que precisa mudar. Considerando que teremos que repor as energias pelo resto de nossas vidas, precisamos criar um vínculo melhor com a comida.

A Nutrição Comportamental não é achismo, ela se ampara em evidências e artigos científicos. Um deles, publicado no periódico americano Journal of de Academy of Nutrition and Dietetics, revelou o alto grau de sucesso de 20 programas nutricionais baseados não na perda de peso, e sim na capacidade de identificar os sinais internos de fome e saciedade, equilibrando cada um deles. De maneira geral, constata o estudo, que houve melhora nos hábitos alimentares e na autoestima. E a perda de peso, que a gente tanto busca, seja por razões estéticas, seja por saúde... Esta vem como resultado, de forma mais consistente, à medida que a pessoa passa a respeitar os sinais do seu corpo e a viver melhor. E se a gente tiver pressa em atingir a meta de peso ou porque nossa saúde está ameaçada… é a hora de pensar na longa jornada de tentativas frustradas de emagrecer que cada pessoa carrega consigo. Então a abordagem passa a fazer mais sentido. Peso, não é um comportamento, é o resultado de comportamentos. E é esta sutileza que faz toda a diferença na Nutrição Comportamental.

Cristiane Cichelero Allgayer
Nutricionista – CRN 5796
Especialista em Nutrição Clínica e Grupoterapia em Mudança do Comportamento Alimentar - UNISINOS

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