Métodos contraceptivos - por Leonel Almeida

Métodos contraceptivos - por Leonel Almeida

Após 50 anos do surgimento da pílula anticoncepcional, estamos realmente informados?

Na década de 1960 ocorreram intensas mudanças sociais, políticas e culturais em todo o mundo, e em meio a movimentos liberais da época, a pílula anticoncepcional foi desenvolvida. A primeira pílula foi produzida e lançada nos Estados Unidos em 1960, e foi fundamental para a liberdade feminina, descoberta que propiciou mudanças na postura das mulheres, com forte impacto nas relações e comportamentos sociais.

Poucos medicamentos foram tão investigados e tiveram tantos avanços em sua forma de utilização como a pílula anticoncepcional. Hoje existem várias vias e formas de administração sendo elas: injetáveis, adesivos, anéis vaginais, implantes subcutâneos, dispositivos intrauterinos (DIU) com hormônios, além da “pílula emergencial” ou “pílula do dia seguinte” indicada após a relação sexual desprotegida. Entretanto será que após tantos anos do surgimento desse método anticoncepcional ele é utilizado e conhecido como deveria?



Estudos têm demonstrado que um terço das mulheres usuárias de anticoncepcional oral iniciou o uso da pílula sem nenhuma consulta médica prévia e, talvez por este motivo, aproximadamente metade das usuárias apresentou alguma contra indicação para seu uso.

Já entre os adolescentes verificou-se que possuem certo grau de conhecimento sobre os métodos contraceptivos, no entanto desconhecem suas vantagens, desvantagens e o modo correto de utilizá-los, aliado também a uma falta de planejamento no seu uso. A utilização de métodos anticoncepcionais por parte dos jovens está relacionada ao vínculo afetivo-amoroso.

Em um relacionamento mais estável, os jovens não sentem a necessidade de negociar o uso de preservativos, havendo uma suposta confiança mútua. Nessa etapa a preocupação está direcionada à prevenção da ocorrência de gravidez e, por essa razão, ocorre um incremento no uso da pílula anti-concepcional. Quando se trata de relacionamentos ocasionais existe uma tendência em utilizar o preservativo masculino, pois a preocupação é relativa à proteção contra as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST).

A escolha do método mais adequado deve considerar as condições individuais de cada mulher incluindo seu perfil social, psicológico e cultural, e a conveniência, que é fundamental para a adesão ao método. Apesar da terapia de contracepção hormonal ser um método eficaz, com reduzido índice de falhas, ainda há um elevado número de gravidezes indesejadas pelo seu uso inadequado.

Frente a estes dados e desafios relacionados ao uso dos anticoncepcionais observa-se que apenas o acesso à informação não foi suficiente para uma melhora em sua utilização, vê-se assim a necessidade de uma educação continuada e de qualidade que possa não só informar, mas também, acompanhar os jovens e os adultos em suas dúvidas ao longo de sua vida sexual na busca do método contraceptivo adequado e adaptado a sua realidade.

Algumas dicas importantes que podem ser úteis quanto à utilização de anticoncepcionais orais:

 O médico deve ser informado da utilização de anticoncepcionais orais, pois alguns medicamentos podem diminuir sua efetividade.
Anticoncepcionais injetáveis, adesivos, anéis vaginais e implantes subcutâneos são formas mais seguras quanto às interações com outros medicamentos.
O uso de anticoncepcionais orais é contraindicado para algumas mulheres com certos fatores de risco, por isso sua utilização deve ser realizada com acompanhamento médico.
A “pílula do dia seguinte” tem maior efetividade quando utilizada em até 24 horas após a relação sexual desprotegida, podendo ser utilizada em até 72 horas, porém com menor efetividade. O seu uso é destinado a situações esporádicas não podendo ser utilizada de forma contínua.

Leonel Almeida
Professor de Química e Biologia no Colégio Expressão e farmacêutico desde 2007, pela UFRGS.

 

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