Uma velhice saudável exige boas memórias - por Rita Frezza Maganini

Uma velhice saudável exige boas memórias - por Rita Frezza Maganini

 

É importante perceber que para se viver bem, mais e melhor, é necessário encarar a depressão.

Cultivar momentos positivos e contar suas histórias em detalhes é um bem a ser preservado. Para que isto aconteça, além de uma boa saúde física e alimentar, a saúde psíquica também é vital.
A depressão é uma doença que atinge cerca de 121 milhões de pessoas em todo o mundo, incapacitando outras tantas (cerca de 11% da população mundial). É importante saber que a doença apresenta níveis de gravidade (leve, moderado e grave) e que identificar precocemente sua ocorrência garante uma boa evolução e, consequente, melhoria na qualidade de vida, tão importante para garantir uma velhice saudável.
Os sintomas depressivos incluem o que chamamos de “tríade cognitiva negativa”, que se refere a uma visão negativa de si, dos outros e do meio. Além disto, pessoas depressivas tendem a lembrar eventos significativos de forma negativa e pouco específica, isto é, com foco nos aspectos negativos, sem lembrar detalhes de acontecimentos importantes. Chamamos este fenômeno de baixa especificidade nas memórias autobiográficas.




Em São Chico a realidade é a mesma, onde encontra-se muitas pessoas com esta dificuldade, conforme pesquisa realizada com usuários do SUS no ano de 2011*. Das 39 pessoas entrevistadas, com idade entre 18 e 78 anos de idade, 36% apresentava sintomatologia depressiva mínima, 36% com nível leve, 15% moderado e 13% grave. Os dados mostram um ligeiro aumento em comparação aos índices mundiais e, ainda, nos fazem pensar na expressiva faixa de pessoas que apresentam sintomatologia depressiva grave. Mas há uma boa notícia: foi observado que quanto maior a escolaridade, mais baixo o nível de sintomalogia e maior especificidade na memória autobiográfica. E isso vale tanto para os jovens, sujeitos às mais diversas circunstâncias de vida e no auge do período produtivo intelectual, quanto aos mais velhos, que por vezes possuem registros acadêmicos desgastados pelo tempo.
O estudo é, assim, um fator protetivo para quem quer fugir da depressão e preservar suas boas memórias. Mas há de ressaltar que a depressão é uma doença que pode chegar em qualquer momento da vida. Agir rapidamente é muito importante para evitar danos e melhorar a qualidade de vida. Em muitos casos, o tratamento inclui o uso de antidepressivos, mas estes sozinhos não dão conta na mudança desta percepção negativista de si e dos outros, tornando o convívio social muito restrito. A psicoterapia entra neste cenário de enfrentamento, com grande importância. É através dela que a pessoa acessa de forma ampliada essas memórias, contando com o auxílio do psicoterapeuta para ressignificá-las, buscando assim outros aspectos que antes eram negligenciados. Embora todas as linhas de psicoterapia apresentem bons resultados para redução da sintomatologia depressiva e funcionamento mental, algumas delas se utilizam de técnicas que aceleram o processo de mudança destes pensamentos. O foco destes procedimentos inclui o monitoramento dos pensamentos automáticos e esquemas depressogênicos, estilo da pessoa nos relacionamentos com aqueles que o cercam e mudança de comportamentos para enfrentar problemas.

É importante perceber que para se viver bem, mais e melhor é necessário encarar a depressão, simplesmente assim: de frente, sem deixar para depois ou para a aposentadoria, que pode logo chegar.

* Para saber mais: acesse a pesquisa publicada em 2012 na íntegra em https://www.faccat.br/portal/?q=univer-so-academico 

Rita Frezza Maganini
Psicóloga. Foi colunista do “Divã Aberto” no Jornal Integração entre os anos de 2010 a 2012. Atua como TécnicaSuperior Penitenciária da Susepe.

 • Publicado na Revista Usina da cultura - número 13 - Maio 2014 

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