Para se falar em Educação, é necessário chegar à raiz da questão! - por Aline Aguiar

Para se falar em Educação, é necessário chegar à raiz da questão! - por Aline Aguiar

Para se falar em Educação, é necessário chegar à raiz da questão!

Li um artigo do professor, linguista e escritor, Marcos Bagno, o qual ressaltava que, um país onde 75% da população está sendo qualificada como analfabeta funcional, não poderia sediar uma Copa do Mundo, ou Jogos Olímpicos, devendo haver leis internacionais que impedissem tais acontecimentos. Concordo plenamente!
São classificados como analfabetos funcionais aqueles que não estão aptos a interpretarem um texto, ou desconhecem as funções básicas da matemática.
Independentemente de partidos, a educação no Brasil sempre foi julgada e administrada por políticas equivocadas, as quais não condizem com a realidade de uma sala de aula e os enormes desafios que a escola tem de enfrentar ano após ano.
Os professores, uma das classes mais desvalorizadas, são tratados como os únicos culpados. Somos cobrados, condenados como os responsáveis pelo baixo nível da educação em nosso país, mas não temos apoio.
Prestando o último concurso público para Professores da Rede Estadual do Rio Grande do Sul, constatei o seguinte fato: o primeiro texto da prova, culpava os professores pelo baixo índice de leitura no Brasil “Como podemos cobrar que os alunos leiam, se nós mesmos não lemos?” Ademais, mencionavam também sobre uma porcentagem de estudantes brasileiros que entram em universidades sendo analfabetos funcionais.




Quanta hipocrisia... Como conseguiríamos entrar em uma universidade, obter um diploma, ser aprovados em concursos públicos se somos tão incompetentes assim? Também nunca soube de alguém graduado que não tenha lido muito para concluir sua graduação e exercer sua profissão.
Assim como os analfabetos funcionais, muitos profissionais renomados passaram pelos mesmos professores. Será mesmo que os docentes são os verdadeiros responsáveis pelos resultados obtidos?
Falando em resultados, é importantíssimo ressaltar e questionar a partir de que dados são apresentados tais resultados e como são feitas as avaliações que demonstram o baixo rendimento de nossos alunos. Nacionalmente, são copiados os padrões avaliativos de países de primeiro mundo, os quais não condizem com nossa realidade.
Economicamente falando, somos apenas números. Alunos e professores, na concepção dos cifrões, custam caro ao nosso governo, mas somente em 2013 foram investidos bilhões para sediarmos a Copa.
Ora! Para que palavras polidas, ou rebuscadas? Em um país onde o pobre paga os mesmos impostos que o rico, proporcionalmente, a favela é quem sustenta os grandes. Fala-se tanto sobre os gastos com a classe baixa da sociedade, por favor, mais respeito, Srs. Intelectuais! – Filho de peixe, peixinho é!
Além do fator econômico, inclui-se nessa discussão, a transformação social e moral que estamos vivendo. O ser humano adapta-se. Passamos pela revolução industrial e nos encontramos no início de outra, a tecnológica, o que implica em tantos outros fatores influentes na baixa aprendizagem, além da transformação social, moral e ética, sendo necessário rever qual o papel da família, da escola e do educador nesse meio. Mas isso é assunto pra outra hora...
É chegado o momento de nos valorizarmos e reivindicarmos nosso papel como educadores comprometidos e batalhadores que somos, preocupados com o bem-estar de todas as camadas sociais e não a partir de dados numéricos que ocultam o quão fundamental e merecedora de respeito é nossa profissão.

 

Aline Aguiar, Professora de Língua Portuguesa, amante das letras, apaixonada por leitura, defende a valorização de nossa língua... Afinal, escrever bem é uma arte!

• Publicado na Revista Usina da cultura - número 13 - Maio 2014 

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