Lago Ness - por Juliano Pinto Guimarães

Lago Ness - por Juliano Pinto Guimarães

Resolvemos dar a volta no Lago Ness, eu e meu amigo Ronaldo. O lago fica no norte da Escócia e se estende por 36 km, cruzando a região chamada “Highlands” (Terras Altas). Formado na última era glacial, esse lago de águas frias, turvas e profundas encerra uma beleza particular, junto com montanhas de picos nevados, bosques e pequenas vilas, compõe um cenário mágico e misterioso.

Começamos nossa viagem na cidade de Inverness, famosa pelos “Highland Games”, uma competição onde homens de porte avantajado carregam toras gigantes morro acima na maior friagem, sempre vestindo seus lindos kilts (saias tradicionais).

Iniciamos a volta ao lago, que seria nosso companheiro pelos próximos 100 km. Relaxamos numa praia de pedras fininhas, compartilhada conosco sem muito protesto pelos patos locais. De lá, entramos em um bosque lindo, esquilos vermelhos corriam e olhavam curiosos. Sem querer, pulamos uma cancela e avistamos um gramado enorme e então, um castelo. Não havia ninguém... sentamos nos banquinhos do jardim, cevei um mate e nos declaramos reis. Mas, logo veio a nós um segurança com três belos e enormes cachorros, que, ignorante da nova dinastia instalada ali, arruinou nossos planos de ocupação e usucapião.

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Seguimos viagem por velhos caminhos imperiais, ora na margem do Ness, onde Ronaldo (sob meu protesto) jogava fora sua água mineral e recarregava com água do lago, para em seguida purificá-la com pastilhas purificadoras! Ora em cima de um monte, avistando o lago pelos espaços entre as árvores dos bosques.

Os vilarejos que cercam o Ness têm seu charme rural e um povo muito simpático e solícito, que depois de algumas doses de whisky nos contavam histórias sobre o famoso “Monstro do lago Ness” e nos convidavam a acampar em suas terras (na maioria das vezes).

Era fim de verão e o tempo estava incrível, a brisa refrescava e o sol acalentava. Caminhar, caminhar, ahhhh, avante! Eu e Ronaldo seguíamos a marcha com vontade. Assuntos aleatórios, silêncio, rolos de feno à esquerda, campos e morros, tão constantes quanto nosso ritmo. Foram cinco dias muito legais, a magia dos bosques e sua flora e fauna, rios, castelos, fortes e pontes. Uma atmosfera que me transportava a outros povos e outros tempos.

 • Publicado na Revista Usina da Cultura - número 20 - Janeiro de 2015

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