Queijo Serrano: Alimento e tradição - por Sandra Mallmann

Queijo Serrano: Alimento e tradição - por Sandra Mallmann

Os alimentos, assim como a dança, a vestimenta e os costumes, fazem parte da cultura de um povo, identificando-o e distinguindo-o dos demais, gerando o sentimento de territorialidade e pertencimento aos atores sociais. Não adentraremos em questões de formalização de produção, apenas trataremos de questões históricas e culturais.

O queijo serrano ou queijo artesanal serrano, como vem sendo chamado nos últimos anos, é produzido nos Campos de Cima da Serra há mais de 200 anos. A produção do queijo serrano se dá em 11 municípios da Serra Gaúcha e nos Campos de Altitude de Santa Catarina. A produção do queijo é um “saber-fazer” passado de geração em geração, e que contribuiu para a origem os atuais pecuaristas familiares, bovinocultores com propriedades de até 200 hectares (AMBROSINI et al, 2012).



Os pecuaristas familiares surgiram no cenário regional quando ocorreu o desmembramento das sesmarias entre herdeiros (CRUZ et al, 2008), e os trabalhadores das fazendas puderam adquirir suas próprias terras, grande parte com a renda que obtinham da produção e comercialização do queijo serrano (KRONE, 2008). Tendo aumentada sua comercialização na época dos tropeiros, entre 1860 e 1940, o queijo serrano servia como moeda de troca por alimentos não produzidos nas propriedades, como açúcar, farinha de trigo e arroz (MENASCHE; KRONE, 2007).

Desde então, segue sendo importante fonte de renda e de reprodução social dos produtores. Diferentemente dos alimentos altamente processados e industrializados, o que torna o queijo serrano peculiar é a não padronização do produto, pois embora os ingredientes sejam os mesmos, cada produtor tem sua própria “receita” ou modo de fazer, o que contribui para a diversificação do sabor, cor e textura do queijo. Neste caso, é o critério e o paladar do consumidor que determinam a compra.

Sandra Mallmann, graduada no Curso de Planejamento e Gestão para o Desenvolvimento Rural, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

O que achou, foi útil para você? Então conta pra nós!

Artigos que podem te interessar

view_module reorder

Lixaço - por Rafael Sanches Souza

Um dos conceitos que mais me marcou quando li 1984, do George Orwell, foi o do uso da guerra, que...

Dreads flutuantes e pés descalços - Andrea Dórea

Já faz algum tempo que tenho ouvido falar dos festivais de música eletrônica que acontecem pelo mundo afora. Tribos diversas...

Acupuntura, muito além de agulhas! - por Dra. Suélen de Oliveira

Dores na coluna, insônia, problemas digestivos, enxaqueca... a lista de queixas que ouvimos constantemente só aumentam. Desconfortos que vão se...

Atividades - Bichos no ovo

Esta é uma atividade muito gostosa de fazer na Páscoa. O que acham? É só encapar um ovo de plástico...

Sabia que...

... Uma das paixões de Elvis Presley era o sanduíche de pasta de amendoim? Dizem que, em uma das turnês...

Mais uma de mistério - por Franco Vasconcellos

Essa, conto a pedido da Eda.Era uma tarde nublada e abafada na cidadezinha do interior. As ruas de chão batido...

Meu anjinho - por Patrícia Viale

Novembro é o mês de nascimento da Maria Rita, minha filha. Ao me descobrir grávida, em 2008, tudo mudou. Inclusive...

Mata de Araucária, uma floresta em nosso quintal - por Telmo Focht

Também é conhecida como Floresta Ombrófila Mista. É uma formação vegetal brasileira que se desenvolve especialmente nos estados da Região...

A rotina e o tempo - Evanise G. Bossle

É, parece até muito simples, mas não é, o dia a dia e a rotina destroem até mesmo o melhor...

Descriminar x Discriminar - por Aline Aguiar

Descriminar significa liberar, inocentar. Discriminar significa distinguir, separar. Veja a diferença: Certos governos pensam em descriminar o uso de alguns medicamentos. Discriminam...

Patrocinadores da cultura