Afinal, o que é Mormo? - por M.Sc. Bianca Pinto Pereira

Afinal, o que é Mormo? - por M.Sc. Bianca Pinto Pereira

Que doença é essa, que ataca os equinos e tem levantando uma série de dúvidas por parte da comunidade e dos produtores em geral, principalmente por ter causado o cancelamento de eventos equestres no estado? Saiba o que é, como se transmite e qual o tratamento para o Mormo.

MORMO é uma doença que ataca equídeos, causada pala bactéria gramnegativa (bacilo) chamada Burkholderia mallei. É considerada uma zoonose, pois pode ser transmitida ao ser humano. Manifesta-se por um corrimento viscoso nas narinas e a presença de nódulos subcutâneos, nas mucosas nasais, nos pulmões, gânglios linfáticos, pneumonia, etc. A transmissão acontece pelo contato com fluídos corporais dos animais doentes, como: pus, urina, secreçãonasal e fezes. O agente pode penetrar no organismo pela via digestiva, respiratória, genital ou cutânea (através de alguma lesão), alcançando a circulação sanguínea, indo alojar-se em alguns órgãos, em especial, nos pulmões e fígado. O período de incubação é de aproximadamente 4 dias.

Sinais clínicos
A doença se manifesta de forma aguda ou crônica, de modo que a primeira é mais comum nos asininos e muares e a segunda, em equinos.
• Forma aguda: febre, prostração, fraqueza e anorexia; surgimento de pústulas na mucosa nasal que viram úlceras profundas e geram uma descarga purulenta, tornando-se sanguinolenta posteriormente; formação de abscessos nos linfonodos, podendo comprometer o aparelho respiratório surgindo dispneia.
• Forma crônica: localiza-se na pele, fossas nasais, laringe, traqueia, pulmões (evolução mais lenta do que a aguda); a localização cutânea pode ser similar à aguda, no entanto mais branda.

Diagnóstico
O diagnóstico clínico presuntivo de Mormodeve ser comunicado às autoridades sanitárias, as quais, procedem aos testes mais específicos:
• Testes sorológicos
• Fixação de complemento
• Maleína

Tratamento e controle
O tratamento não é indicado, pois os animais permanecem infectados por toda a vida, tornando-se fontes de infecção para outros animais.O controle da doença é baseado no isolamento da área que contém animais doentes, sacrifício destes animais positivos, isolamento e reteste dos suspeitos, cremação dos corposinfectados, desinfecção das instalações e de todo o material que entrou em contato com os doentes.
Deve também ser feitoum rigoroso controle do trânsito de animais entre os estados e internacionalmente, com apresentação de resultados negativos de testes realizados.

A doença no homem
Rara em humanos, se não for tratada, a doença pode ser fatal. A transmissão para o homem ocorre através do contato direto com animais infectados, suas secreções ou objetos.
A manifestação clínica do mormo em humanos depende da forma de infecção.As infecções podem ser classificadas em: localizadas, cutâneas, pulmonares, generalizadas e crônicas supurativas da pele.
Os sintomas gerais incluem febre, dores musculares, dor no peito, rigidez muscular e cefaleia.Podem ainda apresentar lacrimejamento excessivo dos olhos, sensibilidade à luz e diarreia.
• Infecções localizadas: a penetração se dá a partir de um corte ou um arranhão na pele. Uma infecção localizada com ulceração irá se desenvolver dentro de 1-5 dias no local de penetração da bactéria.Hipertrofia dos gânglios linfáticos também podem ocorrer.
• Infecções pulmonares: quadro de pneumonia, abscessos pulmonares e derrame pleural podem ocorrer. A radiografia de tórax demonstrará infecção localizada nos lobos dos pulmões.
• Infecções generalizadas: infecções da corrente sanguínea causando septicemia são geralmente fatais dentro de 7 a 10 dias.
Infecções crônicas: envolve múltiplos abscessos nos músculos dos membrosinferiores e superiores, ou no baço ou no fígado.

IMPORTÂNCIA EM SAÚDE PÚBLICA

  • Doença ocupacional;
  • 95% da forma pulmonar em humanos tem curso fatal;
  • Tratamento: Consultar o médico.


M.Sc. Bianca Pinto Pereira
Médica Veterinária CRMV-RS 4846
Mestre em Ciências Veterinárias - UFRGS

• Publicado na Revista Usina da Cultura - número 27 - Agosto de 2015 

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